Após um certo clima de euforia, pós-COP 26 onde se olhou o “copo meio cheio” pelo fato da Conferencia ter ocorrido e algumas das etapas previstas no Acordo de Paris, terem sido realizadas; agora se começa o olhar “o copo meio vazio”. Relatório publicado hoje (25) pelo Climate Crisis Advisory Group (CCAG) adverte que a quebra de confiança no sistema internacional coloca em risco os esforços para resolver a crise climática após a COP26. Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Segundo o documento a confiança no Pacto de Glasgow falhou profundamente em dois aspectos:
- fornecimento de fundos pelas nações mais ricas para ajudar as nações menos favorecidas a lidar com os impactos da crise climática; e
- compensação por perdas e danos sofridos pelos países mais pobres à medida que as nações mais ricas continuam com seus estilos de vida, fazendo modificações apenas quando sua qualidade de vida não é significativamente afetada.
“Embora não haja mais ambiguidade em torno do caminho para resolver a crise climática, ainda permanecem dúvidas: atingiremos a velocidade de progresso necessária para garantir um futuro gerenciável para a humanidade?”, questiona o CCAG.
Os pesquisadores alertam que os fundos prometidos até 2020, da ordem de US$ 100 bilhões, nunca se materializaram e dificilmente serão liberados até 2023, em um “golpe desastroso para a confiança entre as nações”.
Já em relação à falha em compensar perdas e danos de países pobres, o grupo afirma que apesar de o documento final da COP26 ter estabelecido um cronograma para diálogo futuro sobre compensação, com garantia da inclusão do tema na agenda da próxima COP, houve fracasso em fornecer um caminho imediato para os países necessitados.
A urgência de compensar os países mais expostos aos danos causados pela crise climática ficou mais evidente no ano passado, à medida que o clima extremo devastou regiões com secas prolongadas e incêndios, invernos rigorosos, inundações e avanço do nível do mar.
Em um discurso emblemático durante a COP26, Simon Kofe, ministro das Relações Exteriores da ilha de Tuvalu, no Pacífico Sul, apareceu em vídeo, de terno e gravata, com água do mar até os joelhos, para destacar o impacto da mudança climática na nação insular.
A recusa de Estados Unidos e União Europeia de propostas de financiamento para perdas e danos agravou a crise de confiança, segundo os analistas.
“O que temos em mãos é uma quebra de confiança fundamental entre as nações ricas e pobres, com consequências catastróficas para o mundo. Sem uma recalibração das nações desenvolvidas sobre como abordam suas relações com os países mais pobres, mudanças na escala e no ritmo necessários para garantir o aquecimento global a 1,5 °C são quase impossíveis”, comenta David King, presidente do CCAG.
O relatório indica ainda uma estratégia tripla para resolver a crise climática:
- Reduzir: As nações precisam triplicar suas promessas de corte de emissões urgentemente para fazer sua parte;
- Remover: É preciso investimento crítico para desenvolver, pesquisar e dimensionar técnicas para remover gases de efeito estufa da atmosfera;
- Reparar: Explorar e investigar métodos e tecnologias seguras que podem reparar peças de nossos sistemas climáticos danificados