O engenheiro Roberto D’Araújo, diretor do Instituto Ilumina, disse que discorda do otimismo do diretor geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, em relação às perspectivas do SIN para o período úmido que começou nesta quarta-feira, 1º de dezembro. Para Roberto D’Araújo, para recuperar de 60% a 70% dos reservatórios, será necessário chover como nunca! Como pode ser observado no gráfico abaixo, do Instituto Acende Brasil, houve uma queda estrutural de 38% na ultima década.
Fonte: Energia Hoje

“Para que consigamos recuperar de 60% a 70% da capacidade dos reservatórios terá que chover como nunca choveu”, disse D’Araújo. Na sua avaliação, é enganoso atribuir a atual crise hídrica apenas à falta de chuvas em 2021, uma vez que o atual ciclo de seca já vinha se desenhando há vários anos e também porque o histórico mostra que já houve outros ciclos tão ou mais severos, como o de 1949 a 1956, com epicentro em 1953.
Ciocchi disse, em evento sobre energia nuclear, que apesar da dependência das chuvas para recuperar os reservatórios das hidrelétricas, o trabalho feito pelo governo desde outubro do ano passado vai permitir que o período 2021/2022 seja mais confortável para o SIN do que foi 2020/2021, mesmo que a quantidade de chuvas neste período úmido seja a mesma que foi no período passado.
Para o especialista, Roberto D’Araújo, a principal razão para a crise atual, sem minimizar o papel das mudanças climáticas, foi a falta de investimentos. D’Araújo disse que se for examinado o PDE 2011, projetando a geração para 2021, será possível verificar que não foram construídas as hidrelétricas que estavam planejadas, uma falha que ele atribui ao progressivo afastamento do setor público do segmento.
Para o diretor do Ilumina, grandes projetos hidrelétricos precisam da participação pública para se viabilizarem. “Só 8% das hidrelétricas brasileiras foram feitos pelo setor privado”, afirmou, acrescentando que o portfólio atual de hídricas das geradoras privadas ou foi feito em parceria com o setor público, como as estruturantes da Amazônia, ou foi comprado já pronto.
D’Araújo avalia ainda que o mercado livre não alavancou a quantidade de investimentos compatível com seu porte atual. Ele comemorou a aprovação na última terça-feira pela Aneel da regulamentação para as usinas híbridas e associadas, mas disse que o Brasil estás muito atrasado nessa tecnologia de compartilhamento de espaços e de sistemas de transmissão que, na sua visão, pode trazer mais capacidade e segurança do que outras alternativas, inclusive a construção de novos reservatórios.
O atual período úmido chega encontrando os reservatórios em condições muito parecidas com as do início do período de chuvas passado. No dia 30/11 deste ano, segundo os dados do ONS, os reservatórios do SE/CO estavam com 19,66% de volume, os do Nordeste, com 37,87%, os do Sul, com 53,76% e os do Norte com 32,74%.
No mesmo dia de 2020, os do SE/CO, intensamente usados nas semanas anteriores, estavam em 17,72%, os do Nordeste, em 52,18%, os do Sul, em 18,25% e os do Norte, em 28,93%. D’Araújo avalia que para tudo ficar bem em 2022 será preciso muita ajuda de São Pedro.