Emissões de CO2 também devem atingir recorde histórico em 2022, apesar do maior foco no clima, colocando a política de emissões em votação nos principais mercados, aponta o S&P Global Platts Analytics Energy Outlook 2022.

Segundo os analistas da Platts, apesar do foco nas reduções de emissões e em uma lista cada vez maior de países com metas líquidas zero, a expectativa é que as emissões de CO2 aumentem 2,5% em 2022 para novos níveis recordes, à medida que algumas economias se recuperam totalmente, enquanto outras buscam o crescimento.
“Embora os líderes na COP26 tenham se comprometido a fortalecer as metas de emissões de 2030 até o final de 2022, em vez de esperar pelo processo formal de ‘avaliação’, há riscos significativos para as agendas de política ambiental doméstica nas eleições de 2022”, avaliam.
Eleições intermediárias nos EUA podem inviabilizar a agenda ambiental de Joe Biden, enquanto o partido de oposição da Austrália busca derrubar o governo mais conservador, tornando as metas ambientais mais fortes uma prioridade.
Essas eleições são um lembrete de que ‘toda a política é local’ e os destinos dos acordos globais são frequentemente determinados por eleições domésticas, opinião pública e mudanças nas políticas”, completa a Platts.
Um bom exemplo é no Brasil, que decidiu por um projeto de Lei o PL 712/2019, do senador Esperidião Amin (PP/SC), que cria uma política de ajuda ao setor carbonífero de Santa Catarina, propondo um sistema de transição energética que deverá zerar a produção de energia de uma das fontes mais poluentes do mundo, que é o carvão, apenas em 2040.
O projeto determina que a União prorrogue a autorização do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, por 15 anos a partir de 1º de janeiro de 2025.
Há um apelo global para o fim do carvão. Em novembro, durante a COP26, na Escócia, mais de 40 países assumiram um acordo para eliminar a energia a carvão, incluindo Canadá, Chile, Cingapura, Coréia do Sul, Egito, Espanha, Nepal, Polônia, Vietnã e Ucrânia.
Brasil, Estados Unidos, Austrália, China e Índia não assinaram o acordo, o que deixou o plano aquém da ambição inicial da presidência da Conferência do Clima.
Créditos: Diálogos da Transição/Epbr