Levantamento da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostra que a geração distribuída de fonte fotovoltaica somou 167 gigawatts de adição global entre 2019 e 2021. Para 2022, a expectativa é adicionar mais 59 GW.
A geração própria de energia no Brasil, atingiu no dia 29/3/22 a marca de 10 gigawatts (GW) de potência instalada, segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

Do total adicionado nos últimos anos, 87 GW foram projetos comerciais/industriais e 80 GW de instalações residenciais, com quase 64% da nova capacidade instalada na China, Europa e Estados Unidos.
A tendência se mantém para as novas adições, 65% dos 59 GW projetados para este ano serão instalados na China, Europa e Estados Unidos.
Segundo a agência, instalações limpas e de pequena escala localizadas atrás dos medidores de consumo, como painéis fotovoltaicos, armazenamento de energia e veículos elétricos (VEs), estão cada vez mais difundidas – o que significa uma pressão sobre as redes elétricas.
O pico de 167 GW foi maior do que o pico de consumo combinado da França e da Grã-Bretanha.
Em 2020, o estoque de VEs ultrapassou 10 milhões de veículos e quase 180 milhões de bombas de calor para aquecimento de água estavam em operação.
“A rápida absorção de recursos energéticos distribuídos pode desafiar as redes elétricas que não estão preparadas”, diz um estudo da IEA.
Muitas das redes atuais foram projetadas para o século 20, quando a proporção dessas tecnologias era pequena. Agora que uma parcela crescente de eletricidade é produzida por fontes renováveis variáveis, é necessária maior flexibilidade do sistema para equilibrar consistentemente a oferta e a demanda, seja em curtos prazos ou estações.
A agência destaca cinco tecnologias mais promissoras e suas barreiras para ganhar escala. A principal delas: custo.
- Edifícios eficientes que interagem com a rede podem otimizar o ‘prosumo’ de energia (produção e consumo combinados de eletricidade) enquanto acomodam as necessidades da rede e oferecem um amplo espectro de interatividade da rede. Com o emprego de incentivos apropriados, consumidores optariam por combinações de tecnologias que melhor atendem aos seus próprios interesses;
- Usinas de energia virtuais (VPPs), ou seja, redes de unidades geradoras de energia descentralizadas, sistemas de armazenamento e demanda flexível, podem otimizar a agregação de recursos distribuídos em grandes áreas usando análises de dados avançadas, como aprendizado de máquina. Questões políticas e regulatórias são as principais barreiras;
- Sistemas de armazenamento de baterias podem fornecer uma variedade de serviços à rede, como armazenar energia durante os períodos de geração renovável em excesso e descarregá-la durante o pico de demanda. Sua principal limitação é o custo inicial relativamente alto;
- Armazenamento elétrico de água e aquecedores de ambiente podem fornecer flexibilidade ao sistema quando equipados com dispositivos de controle de baixo custo, embora a eletrificação de residências existentes já equipadas com serviços de gás possa exigir investimentos significativos;
- EVs são versáteis quando usados como sistemas de baterias móveis, embora seu valor para a rede varie dependendo da tecnologia de carregamento e da estratégia de controle.
Créditos: Epbr/ Diálogos da Transição