Mas afinal qual é a verdadeira taxa de desmatamento da Amazônia?

Muito se tem falado, sobre o desmatamento na Amazônia, mas independente do viés politico de cada um, o que dizem os números? Como se calcula a taxa de desmatamento? Como ela evoluiu ao longo dos anos?

Em primeiro lugar, é importante notar, que nem deveríamos estar tratando de “taxa de desmatamento” como se este fosse um indicador adequando para o planeta ( nossa casa lembram-se?). Deveríamos, sim, estar falando de uma taxa de recomposição da mata nativa, já que estamos cansados de saber que o Brasil é um pais de dimensões continentais, e o agronegócio não necessita desmatar para plantar pois tem áreas agriculturáveis e pastagens imensas….mas enfim vamos voltar ao tema desmatamento.

Como se mede o desmatamento?

Primeiro precisamos entender como é feita esta medição. Talves, para a surpresa de muitos, o sistema de detecção por satélites do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, é feito por um programa chamado Prode. O órgão faz esse monitoramento por satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental, e pode ser visualizado de forma dinâmica pelo site TerraBrasilis.

Sobre TerraBrasillis

O TerraBrasilis é uma plataforma desenvolvida pelo INPE para organização, acesso e uso através de um portal web dos dados geográficos produzidos pelos seus programas de monitoramento ambiental. Apenas para que conheçam a “cara” do portal web, segue uma foto de hoje, 17/10/22, em amarelo se pode ver a área desmatada na Amazônia Legal. Lembrando que o TerraBrasilis não tem o papel de analisar os dados, e muito menos fiscalizar se o desmatamento aumento ou diminuiu; eles apenas utilizam o conhecimento cientifico, para indicar os dados, e cabe ao Governo fazer as politicas publicas adequadas a solução do problema.

Mas vamos aos dados…vamos conhecer a Taxa de desmatamento da Amazônia

O gráfico abaixo, extraído do próprio Prodes, indica o desmatamento, ano a ano, em Km². Em números absolutos, é possível conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, foi de 25,4 mil quilômetros quadrados. No ano seguinte, a área destruída cresceu para 27,8 mil km².

A partir de 2005, porém, houve uma queda nesses índices.

Foram 19 mil km² naquele ano, seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e 7 mil (2010).

São números que qualquer cidadão pode entrar e pesquisar sem a ajuda de ninguém; pois os dados estão abertos ao publico, pesquisadores, políticos, estudantes, etc

É sempre importante também destacar que durante toda a década de 90 e final da década de 80, o desmatamento era altíssimo, um problema cronico, cujo pico máximo foi alcançado no ano de 1995 com um desmatamento recorde de 29.100 Km² !

Já ao longo dos anos de 2003 a 2011, a taxa de desmatamento caiu 67%, claro que a partir de um pico em 2004 de 27.400 Km², muito elevado.

Os números continuaram em queda durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.

O desmatamento em 2002, quando o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso, foi de 21,6 mil km².

Já em 2018, último ano de Michel Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma proporção três vezes menor.

A partir de então, a área destruída só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram um aumento nas taxas do Inpe.

No primeiro ano do atual governo, em 2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².

Os índices continuaram em ascensão em 2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão disponíveis.

Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos do atual governo, tomando como base a referencia de 2018 ( 7,5 Km²).

Taxa de desmatamento acumulada por Estados

Muitas vezes pensamos que maior taxa de desmatamento, está ocorrendo o Estado do Amazonas, por uma questão de nomenclatura, todavia o Estado campeão de desmatamento é na verdade o estado do Pará ( 34,6%), seguido pelo Mato Grosso ( 32%), depois Rondônia ( 13,7%) e ai aparece o Estado do Amazonas com 6,5% e o Maranhão em quinto lugar com 5,5%. De qualquer forma, a soma de toda a área desmatada é gigantesca, 470.275 Km², um pouco menor que a Alemanha ( 357.588 Km²) e a Inglaterra (130.279 Km²) juntas!

Créditos: INPE/TerraBrasilis/BBC News Brasil

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