Degradação ambiental coloca metade do PIB do mundo em risco

Perdas de produtividade e diversidade biológica são calculadas em US$ 23 trilhões até 2050.

Cúpula de duas semanas, iniciada no dia 2 de dezembro, na Arábia Saudita discute como acelerar a restauração de terras degradadas até 2030 e além.

Pode sair mais barato: agência da ONU calcula que agir agora para preservar o que ainda temos teria um custo de US$ 4,6 trilhões até 2050 – bem abaixo das perdas projetadas.

A cidade de Riad, na Arábia Saudita, está sediando esta semana a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), também chamada de COP16, com um número desconfortável à mesa: a degradação ambiental pode custar US$ 23 trilhões até 2050.

Significa que cerca de metade do PIB global está em risco devido às perdas de produtividade e diversidade biológica.

Durante o encontro, a ONU tem pedido ao setor privado que torne a gestão sustentável da terra uma parte fundamental das estratégias corporativas e financeiras.

A organização aponta que as secas aumentaram quase 30% em frequência e intensidade desde o ano 2000, ameaçando a agricultura e a segurança hídrica, enquanto até 40% das terras do mundo estão degradadas – com reflexos econômicos.

Recursos naturais como solo, água e biodiversidade são a base da economia mundial, já que é a partir deles que produzimos alimentos, energia e matérias-primas para uma série de produtos. 

“A seca e a perda de terras terão consequências terríveis para o clima, a biodiversidade e os meios de subsistência das pessoas, bem como para as empresas, grandes e pequenas. A mudança para operações, cadeias de suprimentos e investimentos positivos para a natureza não se trata apenas de sustentabilidade ambiental”, explica Ibrahim Thiaw, secretário executivo da UNCCD.

Ele afirma que a questão está diretamente relacionada à lucratividade e resiliência de longo prazo dos negócios.

Business 4 Land

De acordo com a avaliação financeira de 2024 da UNCCD, US$ 878 bilhões são perdidos todos os anos devido à degradação da terra, desertificação e seca. 

Seria mais barato enfrentar esses desafios. O estudo calcula que ações de restauração combinadas com transformações nos modos de produção para evitar o agravamento da crise ambiental teria um custo de US$ 4,6 trilhões até 2050 – bem abaixo das perdas projetadas.

Mas só vai funcionar com o setor privado abraçando a causa. Este ano, o Fórum Econômico Mundial lançou a Iniciativa Business for Land (B4L) – negócios pela terra, na tradução livre – na tentativa de envolver empresas e instituições financeiras.

Entre os objetivos do B4L está a restauração de 1,5 bilhão de hectares de terra até 2030.

A UNCCD indica, porém, que é preciso avançar em outras áreas, como financiamento e transformação da cadeia de valor.

Com cerca de três bilhões de pessoas ao redor do mundo sofrendo o impacto de terras pobres e degradadas – aumentando os níveis de migração, instabilidade e insegurança entre comunidades – a necessidade de investimentos acumulados é calculada em US$ 2,6 trilhões até 2030.

US$ 12 bi para restauração

Ao longo da semana, a COP16 conseguiu angariar US$ 12 bilhões em promessas de aportes para restauração de terras.
 
O Arab Coordination Group prometeu US$ 10 bilhões, enquanto o OPEC Fund e o Islamic Development Bank comprometeram US$ 1 bilhão cada para a Riyadh Global Drought Resilience Partnership, juntamente com os US$ 150 milhões fornecidos pela Arábia Saudita para operacionalizar a iniciativa.

Editado por : Nayara Machado – Dialógos da Transição – Eixos

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