Indústria eólica precisará de quase 600 mil técnicos até 2027- No Brasil, o GWEC aponta para demanda de 12,3 mil técnicos.

Credito: foto de Ed White

Relatório do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, em inglês) estima que, até 2027, serão necessários cerca de 574,2 mil técnicos especializados para atuar no setor – adicionando mais um desafio para a expansão das instalações ao redor do mundo.
 
Mais de 80% da contratação desses profissionais deve ocorrer em dez países: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Egito, Índia, Japão, Quênia, Coreia do Sul e EUA. No Brasil, o GWEC aponta para demanda de 12,3 mil técnicos.
 
Até ao final de 2027, a capacidade eólica deve alcançar aproximadamente 1,5 terawatts (TW), mais do dobro do nível anterior à pandemia de Covid-19.
 
Inovação tecnológica e as previsões de rápido crescimento do mercado eólico offshore levaram o GWEC a prever um aumento de 17% no número de técnicos eólicos necessários para comércio e indústria e O&M entre 2023 e 2027.
 
Esse crescimento exigiria 84,6 mil técnicos adicionais para apoiar a expansão da energia eólica. E mais 159,2 mil pessoas para substituir os técnicos que deverão sair naturalmente da indústria eólica no período analisado.
 
Isso significa que, em média, o segmento vai precisar que o número de técnicos aumente em 48,8 mil por ano, de 2023 a 2027. Quase 43% deles serão novos na indústria.
 
“Uma força de trabalho forte e uma cadeia de abastecimento saudável serão cruciais para o crescimento colossal da capacidade eólica nesta década. É vital que a crescente força de trabalho receba as ferramentas de formação adequada”, comenta Ben Backwell, CEO da GWEC.
 
Ao mesmo tempo, as empresas precisam garantir ambientes de trabalho seguros, saudáveis e inclusivos, para atrair colaboradores qualificados.
 
“Sem uma força de trabalho qualificada e sustentável para a energia eólica, a transição energética não se materializará a tempo”, completa Backwell.

Offshore acelera. De acordo com o relatório (.pdf em inglês), a contratação de especialistas eólicos crescerá mais rapidamente no mar (79% maior em 2027 em relação a 2022) em comparação com onshore (12% maior em 2027 em relação a 2022). 
 
Até 2027, 87% dos técnicos estarão trabalhando onshore, principalmente (e cada vez mais) no segmento de operação e gestão.

Empregos concentrados. Levantamento da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês) publicado no final de setembro mostra que a indústria de renováveis aumentou em um milhão o número de vagas criadas no ano passado, e hoje conta com 13,7 milhões de trabalhadores ativos.
 
O segmento – que inclui eólica, solar, hidrelétrica e biocombustíveis – está atraindo investimentos crescentes, o que leva à criação de empregos em um número de países cada vez maior. 
 
No entanto, segue a tendência de anos anteriores, com 41% das vagas concentradas na China.
 
Brasil, União Europeia, Índia e Estados Unidos são os outros principais mercados. “Juntos, eles representam a maioria das instalações de capacidade global e desempenham papéis importantes na fabricação de equipamentos, engenharia e serviços associados”, destaca a IEA.

Na média global, a energia solar fotovoltaica (PV) foi mais uma vez a maior empregadora em 2022, alcançando 4,9 milhões de empregos, mais de um terço da força de trabalho total no setor das energias renováveis.
 
Geração hidrelétrica e biocombustíveis mantiveram as estimativas próximas a 2021, com cerca de 2,5 milhões cada, seguidos pela energia eólica com 1,4 milhão de empregos.

Fonte: Dialogos da Transição – Epbr

Brasil pode exportar hidrogênio verde na forma de aço

Estudo do think tank de energia alemão Agora divulgado nesta quinta (15/6) afirma que é possível, tecnicamente, chegar a emissões líquidas zero na siderurgia ainda na década de 2040 e o segredo está no hidrogênio verde.

Ao lado de investimentos em eficiência no uso dos materiais, aumento da reciclagem, aplicação da bioenergia e de soluções de captura e armazenamento de carbono, a substituição do carvão por hidrogênio verde tem condições de alinhar a indústria de aço às metas globais de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C.
 
Mais do que isso: abre uma janela de oportunidade para exportadores de ferro se converterem em fornecedores de commodities verdes. O Brasil é um deles.
 
Segundo maior exportador de minério de ferro, o Brasil (22%) fica atrás apenas da Austrália (53%) e está em posição de vantagem em relação aos outros três fornecedores internacionais mais relevantes: África do Sul (4%); Canadá (3%) e Ucrânia (3%). 
 
O estudo destaca o país sulamericano como o com maior capacidade de produção de hidrogênio verde, dada a alta renovabilidade de sua matriz elétrica e o potencial de crescimento da capacidade solar e eólica.


A recomendação do think tank é que, em vez de tentar exportar combustível, países como o Brasil deveriam se preparar para investir em “hidrogênio incorporado” na forma de ferro e aço verdes.

“As exportações de ferro verde proporcionarão novas oportunidades aos países que planejam exportar hidrogênio renovável ou de baixo carbono, criando mais empregos no mercado interno e permitindo que os países capturem uma parte adicional de valor agregado da cadeia de valor da siderurgia”, explica o relatório. 
 

Essa virada de chave para o comércio internacional de produtos com maior valor agregado poderia alavancar em 18% o valor das exportações e em 16% o mercado de trabalho local, mostra a análise.

O comércio de ferro verde também tem potencial de reduzir os custos da transformação global do aço, uma vez que o transporte de hidrogênio incorporado como ferro verde será significativamente mais barato do que o transporte de hidrogênio e seus derivados por navio. 
 
Para impulsionar este cenário, os analistas da Agora recomendam a construção de parcerias entre exportadores e importadores. A Austrália já está trabalhando neste sentido.

Corredores logísticos. Em abril do ano passado, um consórcio formado pelo Fórum Marítimo Global, BHP, Rio Tinto, Oldendorff Carriers e Star Bulk Carriers firmou um acordo para avaliar a criação de um corredor verde de minério de ferro entre a Austrália e o Leste da Ásia.


O objetivo é mobilizar a demanda por transporte verde e escalar o frete de zero ou quase zero emissão de gases de efeito estufa. A amônia verde (derivada de hidrogênio) desponta como a escolha provável de combustível.
 
A Austrália é o maior exportador de minério de ferro do mundo e embarcou 872 milhões de toneladas em 2021.

Demanda ultrapassará a oferta. Análise da  McKinsey indica que a demanda de aço verde provavelmente ultrapassará a oferta, com a projeção de crescimento significativo de projetos de energia renovável na Europa e nos Estados Unidos.
 
A expectativa é que a demanda global por aço com baixo teor de CO2 cresça dez vezes na próxima década, de aproximadamente 15 milhões de toneladas em 2021 para mais de 200 milhões de toneladas até 2030 – representando mais de 10% da demanda total de aço. Em 2040, deve chegar a 25% da demanda. 

Com o mercado aquecido, os prêmios verdes podem chegar a US$ 200-US$ 350 por tonelada até 2025 e US$ 300-US$ 500/tonelada de 2025 a 2030, calcula a McKinsey.

Fonte: epbr – Dialogos da Transição ( editado por Nayara Machado)

Demanda por metais de transição quintuplicará até 2050, mas oferta é limitada

Relatório da BloombergNEF publicado semana passada mostra que a demanda por metais para solar, eólica, baterias e veículos elétricos quintuplicará até 2050 – um mercado potencial de US$ 10 trilhões – mas o abastecimento é limitado.
 
De acordo com o Transition Metals Outlook da BNEF, falta investimento, ao passo que os riscos relacionados à mineração e ao esgotamento de reservas tendem a aumentar.
 
“A transição energética colocou as matérias primas em evidência”, comenta Kwasi Ampofo, chefe de metais e mineração da BNEF.
 
Principal autor do relatório, ele explica que a transição representa uma oportunidade tanto quanto uma responsabilidade.
 
“A mineração responsável deve ser o pilar da extração dos recursos necessários para atender a esta demanda. A mineração é a base da transição energética, portanto, a indústria deve liderar o caminho, descarbonizando sua própria pegada”.
 
O risco-país continua sendo o principal obstáculo para novos projetos de mineração, uma vez que o suprimento está concentrado em poucos países. 

Fonte: OUTRASMIDIAS

 A preocupação é com políticas que priorizam o fornecimento de minerais críticos para o mercado doméstico e a criação de impostos mais altos sobre os recursos.
 
Na América Latina, por exemplo, Bolívia, Argentina, Chile e México estudam uma parceria aos moldes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o lítio – matéria-prima essencial para as baterias de veículos elétricos.

O México também está se aliando ao Norte, com EUA e Canadá, para proteger as cadeias de suprimentos. Vale dizer que os EUA são quase que totalmente dependentes da importação de minerais críticos – e hoje a maior parte da produção está concentrada na China.
 
Na Europa, a Noruega espera que o acesso a matérias-primas essenciais para produção de baterias possa se tornar uma moeda de troca nas exportações para outros países do bloco. 

Outra conclusão é que a transição energética levará a um declínio nos materiais utilizados nas tecnologias de geração fóssil.
 
Em 2050, a demanda de metais das usinas elétricas baseadas em combustíveis fósseis (carvão e gás) deve corresponder a menos de 6% da demanda total na geração de energia no cenário conservador da da BNEF. 
 
Enquanto isso, o consumo de metais em energias renováveis e no armazenamento de baterias mais do que dobram no mesmo período.
 
“Apesar da perspectiva de baixa para os metais usados nas tecnologias de combustíveis fósseis, a transição energética pode levar a um super-ciclo para a indústria metalúrgica e de mineração”, defende Yuchen Huo, analista de metais e mineração da BNEF.
 
Necessidade de capital versus desconfiança dos investidores. Ashish Sethia, chefe global de commodities da BNEF, explica que o setor tem um triplo desafio: aumentar a oferta, manter os custos baixos e reduzir sua pegada ambiental e de carbono.


“É como ter que encontrar a resolução para um cubo mágico. Não é fácil, mas também não é impossível”.
 
Uma recomendação do estudo para as empresas enfrentarem o entrave da captação de financiamento é melhorar o desempenho ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês).
 
Isso ajudaria a reduzir a desconfiança causada pela recente volatilidade do mercado e a complexidade do desenvolvimento de novas minas.

Fonte: Diálogos da Transição- Epbr



Geração distribuída atinge 16 GW no Brasil em novembro, e quase dobra em relação ao ano passado.

A geração distribuída de energia alcançou no final de novembro 16 gigawatts (GW) no Brasil, quase dobrando de capacidade em relação ao acumulado até o final do ano passado, mostram dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
 
A maior parte (98%) vem de painéis solares fotovoltaicos instalados próximos aos centros de consumo, como telhados de edifícios, casas e comércios ou grandes terrenos.
 
Aliás, a classe residencial lidera em potência instalada, com 7,7 GW e mais de 1,4 milhão de unidades consumidoras. Em seguida vem comercial (4,6 GW), rural (2,3 GW) e indústria (1,1 GW). O restante fica com serviços e iluminação públicos.
 
Por estado, Minas Gerais segue no topo do ranking com 2,3 GW e é seguido de perto por São Paulo, com 2,1 GW – os dois estados oferecem benefícios tributários para geração de energia renovável.
 
Os dados estão em linha com previsões feitas pelo setor no início de 2022 de que este seria o ano da corrida ao sol.
 
Em janeiro, Jair Bolsonaro (PL) sancionou uma lei colocando prazo para o fim de subsídios à geração distribuída. Pelo texto, quem solicitasse acesso a sistemas de geração própria renovável até o início de janeiro de 2023 continuaria usufruindo da isenção de custos relacionados ao uso da rede de energia até 2045.
 
Quem entrar no segmento depois passará a pagar progressivamente pelos custos que hoje são pagos pelos demais consumidores.

Mas esse prazo pode ser estendido. Associações do setor solar e de GD tentam avançar no Congresso com um projeto de lei para prorrogar por mais um ano a entrada de novos consumidores na modalidade.
 
O PL 2703/2022, que prorroga em seis meses a data limite de transição, já foi aprovado na Câmara e aguarda uma decisão do Senado.

Fonte: Diálogos da Transição- Epbr

G7 lança clube do clima e pode padronizar commodities verdes. O G7 é formado por Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Canadá, Estados Unidos e União Europeia

O grupo das sete maiores economias mundiais lançou no dia 12/12 um clube internacional do clima para acelerar ações de cortes de emissões, especialmente na indústria. 
 
Em comunicado, a Alemanha, presidente do G7, define como escopo inicial do clube a descarbonização de setores industriais intensivos em carbono e mais difíceis de cortar emissões – por seu potencial de maior impacto nas ambições climáticas. 
 
Outros setores com potencial substancial de mitigação de gases de efeito estufa (GEE) podem ser incluídos depois.
 
De acordo com o ministro da Economia e vice-chanceler da Alemanha, Robert Habeck, o G7 pretende estimular um mercado para commodities “favoráveis ao clima”, como aço e cimento verde.
 
Na prática, funcionará como mais um fórum intergovernamental de discussão. Mas o foco na indústria intensiva e o poder econômico dos países membros pode ajudar a costurar acordos, por exemplo, em torno do hidrogênio de baixo carbono – a grande promessa de descarbonização da energia. 

Um dos pilares de trabalho do grupo é a “transformação da indústria” e, para isso, pretende “alinhar, na medida do possível”, metodologias, padrões, estratégias e marcos setoriais para produtos industriais verdes.
 
“Dado o papel importante do hidrogênio nos processos futuros da indústria, as discussões exploratórias também devem incluir um sistema de contabilidade comum para as pegadas de GEE do hidrogênio. Isso será feito por meio do apoio e do trabalho com iniciativas relevantes mais amplas”, explica o comunicado.
 
Essas iniciativas incluem a Agenda de Descarbonização Industrial (IDA) do G7, o Pacto de Ação para o Hidrogênio (HAP), a Agenda Breakthrough, a Iniciativa de Descarbonização Industrial Profunda do Ministério da Energia Limpa (IDDI) e a Coalizão First Movers.

Embora não seja um clube fechado, para participar, é preciso estar de acordo com alguns critérios, entre eles “a plena e efetiva implementação do Acordo de Paris”, com esforços compatíveis com a ambição de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o fim do século.
 
O G7 também pediu à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e à Agência Internacional de Energia (IEA) para hospedar um secretariado interino. Veja aqui o termo de referência do clube (.pdf)

Fonte: Diálogos da Transição/Epbr

NEUTRALIDADE DE CARBONO: CAMINHOS PARA O SETOR DE ENERGIA

Esse texto é baseado no artigo Neutralidade de carbono: reflexões sobre estratégias e oportunidades para o Brasil, publicado na Revista do BNDES 56.

Em 2021, o Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu seu sexto relatório e cobrou ações imediatas, em escala global, para limitar o aquecimento médio global ao máximo de 2°C, e preferencialmente a 1,5°C, em relação aos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris.

A urgência de mobilizar esforços é baseada em estudos que indicam que um aumento de temperatura acima desses limites poderia gerar mudanças climáticas irreversíveis, comprometendo não só os modos de vida e de produção atuais, mas a própria existên­cia humana no planeta.

Dados científicos mostram que o aquecimento global decorre, fundamentalmente, da ação do homem – em virtude do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) a partir da era industrial. Assim, a solução que vem sendo desenhada globalmente, capitaneada pelos países industrializados, prescreve uma drástica alteração nos sistemas de produção e consumo de ener­gia. A mudança passa por evitar as emissões de GEEs ou por fazer com que sejam compensadas por meio da captura de um volume de COequivalente, com o objetivo de chegar a emissões líquidas iguais a zero até 2050.

O que é preciso para zerar as emissões de carbono?

Relatório elaborado pela Agência In­ternacional de Energia (IEA, 2021) deixa claro o desafio da mudança necessária no setor de energia mundial para zerar as emissões de carbono. Ele aponta que, entre 2030 e 2050, o consumo de energia deverá permanecer restrito ao patamar de 550 exajoules anuais, o que significa realizar, ainda nesta década, uma redução de cerca de 8%. Essa limitação representa um desafio considerável em um contexto de demanda energética crescente – já que a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões em 2050 e o PIB global tem previsão de ser mais que o dobro do atual.

O estudo aponta que, simultaneamente a uma eletrificação maior da economia, será preciso que a geração de energia elétrica tenha suas emissões reduzidas em cerca de 60% até 2030 e alcance emissões líquidas negativas em 2050. A mudança envolve uma alteração significativa na composição da matriz energética mundial, com redução radical das fontes fósseis – petróleo, gás natural e carvão – e incremento de renováveis, como mostra o gráfico a seguir.

Para além disso, frente à demanda de energia mundial e ao potencial impacto econômico, social e tecnológico dessa transição, outras soluções vêm se destacando. Duas rotas tecnológicas, em especial, podem atuar como verdadeiros catalisadores da redução de emissões a partir de meados da década de 2030: o uso do hidrogênio como energético e as tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, do inglês carbon capture, utilization and storage). Isso porque ambas contribuem para remoção de carbono (antes ou depois da combustão) em setores de difícil descarbonização.

Tecnologias CCUS

Essas tecnologias têm o objetivo de capturar o CO2 de grandes fontes emisso­ras, como termelétricas e indústrias que utilizam combustíveis fósseis ou biocombustíveis, assim como diretamente da atmosfera (carbon direct air capture technologies).

Elas são o único grupo de tecnologias que, além de contribuir diretamente com a redução de emissões em setores-chave, como as indústrias de cimento, siderurgia e química, podem auxiliar a equilibrar as emissões inevitáveis em outros setores, como aviação e transportes de longa distância. Constituem assim uma tecnologia crítica para o alcance do objetivo de neutralidade nas emissões.

Entenda como funcionam:

Hidrogênio e CCUS

A viabilização do uso do hidrogênio como energético, dentre outros desafios, depende de sua produção com baixa emissão de carbono, o que, por sua vez, decorre da rota de produção utilizada. Isso porque ele é derivado de outros elementos, como a água ou o me­tano, maior componente do gás natural. No Brasil, há algumas oportunidades relacionadas a isso.

A primeira seria a produção por meio da eletrólise da água, que requer uma fonte de eletricidade limpa, como solar e eólica. A vocação do Nordeste brasileiro para esse tipo de geração e a relativa proximidade do mercado europeu para eventual expor­tação dariam uma vantagem competitiva ao país nesse tipo de produção. Esse é o chamado hidrogênio verde. No entanto, ainda são necessários desenvolvimentos tecnológicos para viabilizar, economicamente, essa produção em larga escala – em 2020, menos de 0,1% da produção mundial dedicada de hidrogênio ocorreu por essa rota.

A segunda via de produção é derivada da reforma a vapor do gás natural, rota que respondeu por mais de 80% de todo o hidrogênio produzido no mundo em 2020. Como esse processo emite CO2, é importante que esteja atrelado ao uso de CCUS, garantindo a produção do hidrogênio com baixos níveis de emissão, a custos competitivos. Essa rota é estratégica para dar escala ao uso do hidrogênio como energético e, portanto, para a própria transição para uma economia de baixo carbono. As enormes reservas de gás natural no pré-sal favorecem que o Brasil também seja um grande produtor de hidrogênio a partir dessa rota.

Por fim, é importante ressaltar que o padrão de emissões brasileiro é muito diferente do resto do mundo. O setor de energia, na média mundial, responde por mais de 80% das emissões. No caso do Brasil, que conta com uma matriz energética bastante limpa, o setor de energia é responsável por apenas 19% das emissões. Por isso, o país tem a chance de potencializar inúmeras vantagens competitivas que podem aumentar seu nível de riqueza e bem-estar social, de forma sustentável, colaborando como um dos principais atores no enfrentamento do aquecimento global.

Fonte: BNDES

Mas afinal qual é a verdadeira taxa de desmatamento da Amazônia?

Muito se tem falado, sobre o desmatamento na Amazônia, mas independente do viés politico de cada um, o que dizem os números? Como se calcula a taxa de desmatamento? Como ela evoluiu ao longo dos anos?

Em primeiro lugar, é importante notar, que nem deveríamos estar tratando de “taxa de desmatamento” como se este fosse um indicador adequando para o planeta ( nossa casa lembram-se?). Deveríamos, sim, estar falando de uma taxa de recomposição da mata nativa, já que estamos cansados de saber que o Brasil é um pais de dimensões continentais, e o agronegócio não necessita desmatar para plantar pois tem áreas agriculturáveis e pastagens imensas….mas enfim vamos voltar ao tema desmatamento.

Como se mede o desmatamento?

Primeiro precisamos entender como é feita esta medição. Talves, para a surpresa de muitos, o sistema de detecção por satélites do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, é feito por um programa chamado Prode. O órgão faz esse monitoramento por satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental, e pode ser visualizado de forma dinâmica pelo site TerraBrasilis.

Sobre TerraBrasillis

O TerraBrasilis é uma plataforma desenvolvida pelo INPE para organização, acesso e uso através de um portal web dos dados geográficos produzidos pelos seus programas de monitoramento ambiental. Apenas para que conheçam a “cara” do portal web, segue uma foto de hoje, 17/10/22, em amarelo se pode ver a área desmatada na Amazônia Legal. Lembrando que o TerraBrasilis não tem o papel de analisar os dados, e muito menos fiscalizar se o desmatamento aumento ou diminuiu; eles apenas utilizam o conhecimento cientifico, para indicar os dados, e cabe ao Governo fazer as politicas publicas adequadas a solução do problema.

Mas vamos aos dados…vamos conhecer a Taxa de desmatamento da Amazônia

O gráfico abaixo, extraído do próprio Prodes, indica o desmatamento, ano a ano, em Km². Em números absolutos, é possível conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, foi de 25,4 mil quilômetros quadrados. No ano seguinte, a área destruída cresceu para 27,8 mil km².

A partir de 2005, porém, houve uma queda nesses índices.

Foram 19 mil km² naquele ano, seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e 7 mil (2010).

São números que qualquer cidadão pode entrar e pesquisar sem a ajuda de ninguém; pois os dados estão abertos ao publico, pesquisadores, políticos, estudantes, etc

É sempre importante também destacar que durante toda a década de 90 e final da década de 80, o desmatamento era altíssimo, um problema cronico, cujo pico máximo foi alcançado no ano de 1995 com um desmatamento recorde de 29.100 Km² !

Já ao longo dos anos de 2003 a 2011, a taxa de desmatamento caiu 67%, claro que a partir de um pico em 2004 de 27.400 Km², muito elevado.

Os números continuaram em queda durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.

O desmatamento em 2002, quando o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso, foi de 21,6 mil km².

Já em 2018, último ano de Michel Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma proporção três vezes menor.

A partir de então, a área destruída só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram um aumento nas taxas do Inpe.

No primeiro ano do atual governo, em 2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².

Os índices continuaram em ascensão em 2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão disponíveis.

Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos do atual governo, tomando como base a referencia de 2018 ( 7,5 Km²).

Taxa de desmatamento acumulada por Estados

Muitas vezes pensamos que maior taxa de desmatamento, está ocorrendo o Estado do Amazonas, por uma questão de nomenclatura, todavia o Estado campeão de desmatamento é na verdade o estado do Pará ( 34,6%), seguido pelo Mato Grosso ( 32%), depois Rondônia ( 13,7%) e ai aparece o Estado do Amazonas com 6,5% e o Maranhão em quinto lugar com 5,5%. De qualquer forma, a soma de toda a área desmatada é gigantesca, 470.275 Km², um pouco menor que a Alemanha ( 357.588 Km²) e a Inglaterra (130.279 Km²) juntas!

Créditos: INPE/TerraBrasilis/BBC News Brasil

Brasil pode suprir quase metade da demanda global de créditos de carbono até 2030

Projeção da WayCarbon em parceria com a ICC Brasil aponta que o potencial de geração de receitas com créditos de carbono até 2030 para o Brasil subiu de US$ 100 bilhões para até US$ 120 bilhões, considerando um cenário otimista de US$ 100 dólares por tonelada de CO2

Segundo o estudo, o país teria capacidade de atender de 22,3% a 48,7% da demanda global por créditos do mercado voluntário, que deve chegar entre 1,5 e 2 gigatoneladas de CO2e no final da década. 
 
E obter, no mínimo, entre R$ 1,39 bilhão e R$ 4,63 bilhões em 2030, considerando os preços médios dos créditos por tipos de projetos até agosto de 2021.
 
A atualização da projeção incorpora o cumprimento dos mecanismos de negociação previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris, e o decreto assinado pelo governo brasileiro no começo do ano para o mercado de carbono.
 
“Certamente tivemos avanços importantes na última COP [conferência das Nações Unidas sobre mudança climática], mas ainda há muito o que fortalecer não apenas nos mercados de carbono globais, mas também nacionais”, comenta Gabriella Dorlhiac, diretora executiva da ICC Brasil. 
 
Em novembro passado, os países reunidos em Glasgow na Escócia para a COP26 chegaram a um acordo sobre o Artigo 6, que regula o comércio internacional de emissões, criando as bases para o desenho de mercados nacionais.
 
Os cálculos da WayCarbon consideram o mercado voluntário – que já existe e não depende de um marco legal.
 
Atualmente, a oferta brasileira corresponde a cerca de 12% das emissões mundiais (45,28 MtCO2 em créditos em 2021), superando a participação de 2019 (3%) e o cenário mais otimista (10%) do estudo anterior para 2030. 

  • A demanda pelos créditos brasileiros vem principalmente de empresas do setor de serviços, óleo e gás e geradoras de energia.

“Tal desempenho é reflexo do aumento do número de créditos emitidos de soluções baseadas na natureza e da influência da regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris na COP26”, explica o documento.

Apesar do cenário otimista, ao consultar agentes econômicos envolvidos nesse segmento, o levantamento identificou que pelo menos cinco barreiras permanecem.
 
São questões de natureza política, mercadológica, econômica, técnica e regulatória. 
 
“É fundamental que o Brasil, no seu papel regulador, desenvolva e divulgue um planejamento específico para cumprir sua NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) e os compromissos de zerar o desmatamento ilegal e de redução de metano”, diz.
 
Além disso, recomenda ao governo brasileiro que apoie financeiramente o desenvolvimento de “metodologias que considerem a realidade climática do país”, além de garantir estabilidade ao mercado regulado por lei.
 
“Cabe ao Poder Legislativo brasileiro avançar neste sentido, com apoio do Executivo”, completa o relatório.
 
Lembrando que na Câmara, há um PL do deputado Marcelo Ramos (PL/AM), também com proposta de regulação para o mercado de carbono nacional. O texto não tem consenso e já passou por várias alterações, inclusive atendendo a pressões do governo para enfraquecer questões consideradas centrais para a efetividade do comércio interno de emissões. Uma delas é a separação clara entre o mercado voluntário e o mercado regulado.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

O plano da Austrália para o hidrogênio e as lições para o Brasil

Estratégia Nacional de Hidrogênio vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos e quer posicionar país como um dos principais players até 2030.

Em 22 de novembro de 2019, a Austrália lançou sua Estratégia Nacional de Hidrogênio, com foco nas alternativas de baixo carbono e uma ambição: posicionar a indústria australiana como um importante player global até 2030.

Ao todo, a estratégia desenha 57 ações conjuntas para os governos australianos, considerando exportações, transporte, uso industrial, redes de gás, sistemas elétricos e questões transversais como segurança, emprego e impactos ambientais.

Para dar o primeiro impulso, a iniciativa vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos (cerca de US$ 900 milhões) e a expectativa é atrair de três a quatro vezes esse valor em financiamento privado.

“Houve enorme apoio político em todas as nossas jurisdições – oito estados e territórios e o governo federal. A experiência de hoje mostrou que, com o subsídio inicial do governo, é possível atrair três ou quatro vezes esse valor do setor privado. Estamos olhando para talvez cerca de seis bilhões de dólares em investimentos na Austrália”, conta Fiona Simon, presidente do Conselho Australiano de Hidrogênio (AHC, sigla em inglês).

Ela participou na segunda (22/8) de um encontro organizado pelo Núcleo Energia do Cebri e pela Embaixada da Austrália no Brasil, sobre as oportunidades de colaboração entre os dois países.

O plano australiano considera três rotas: carvão com CCUS (captura, armazenamento e uso de carbono), gás natural com CCUS (o hidrogênio azul) e eletrólise com energia renovável (o verde).

E deve colocar o país logo atrás da Europa como principal mercado.

Um relatório de outubro do ano passado da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) aponta que, até 2030, a capacidade instalada de eletrolisadores para produção de H2 verde deve escalar para 54 gigawatts (GW), considerando os projetos em construção e planejados – Europa e Austrália lideram, com 22 GW e 21 GW, respectivamente.

Em seguida vem a América Latina (5 GW) e o Oriente Médio (3 GW).

Só que, chegar até lá, requer muito mais recursos.

“[Esses 6 bilhões de dólares] provavelmente estão longe de onde precisamos estar. O custo da transição energética global é uma quantia enorme”, diz Fiona.

O AHC calcula que serão necessários pelo menos 80 bilhões de dólares australianos para desenvolver a infraestrutura de produção, eletrolisadores e adaptação de portos – e a porcentagem do governo nessa conta precisaria chegar a 20 bilhões de dólares australianos.

Para Fiona, um acordo sobre a precificação do carbono no mercado internacional seria um fator importante para incentivar mais investimentos.

O país também está dobrando os investimentos para renováveis. Em 2015, 14% dos investimentos na Austrália eram em energias renováveis. Hoje, são 35%.

Aprendizado para o Brasil

“Os dois países têm vantagens nesta área, como o alto potencial de produção de energia renovável, que podem levá-los a competir, mas têm também oportunidades de cooperação, relacionadas ao desenvolvimento do mercado, estabelecimento de um marco regulatório, promoção de inovação e atração de investimentos”, comenta Jorge Camargo, vice-presidente do Conselho Curador do Cebri.

O país começa a dar os primeiros passos nessa agenda. As iniciativas mais avançadas estão concentradas em portos, como do Pecém, no Ceará, Suape, em Pernambuco, e Açu, no Rio, que estão desenhando seus hubs de hidrogênio.

Desde o ano passado, grandes empresas brasileiras e internacionais vêm firmando memorandos de entendimento com os governos estaduais para desenvolver uma cadeia para o gás de baixo carbono. A maior parte dos projetos visa a exportação de H2 verde e azul.

Enquanto isso, o governo federal trabalha em um Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), sem escolher uma rota favorita. Na última sexta (19/8), o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou os representantes que irão compor o Comitê Gestor do PNH2. Veja portaria

Para Luís Viga, presidente da mineradora australiana Fortescue Metals no Brasil, há uma cooperação importante entre as empresas e o setor público sobre o assunto, mas a formulação de políticas públicas para o setor no Brasil ainda está aquém da rápida multiplicação de projetos e do interesse da iniciativa privada.

Recentemente, a mineradora anunciou um investimento de US$ 6 bilhões em hidrogênio verde no país.

“O setor precisa de incentivos do governo, assim como aconteceu com outras energias renováveis, e principalmente de segurança regulatória, sem protecionismo”, defendeu.

Atualmente, há cerca de 20 empresas investindo em hidrogênio verde no Brasil, os projetos concentram-se nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo e Rio de Janeiro, envolvendo empresas como a Fortescue, Enegix, Siemens, Qair, Neoenergia, White Martins, Shell, entre outras.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

EUA sancionam US$ 369 bi para transição energética

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação. A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas.

A agenda climática foi uma das principais pautas de Joe Biden em sua campanha presidencial, em 2020.

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação.
 
A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas, US$ 64 bilhões para reduzir os custos de seguro de saúde, e um imposto corporativo mínimo de 15% destinado a empresas que ganham mais de US$ 1 bilhão por ano.
 
Durante a cerimônia de assinatura na terça (17/8), Biden classificou a legislação como uma das medidas “mais significativas da história do país”.
 
O projeto foi aprovado na Câmara na última sexta-feira em uma votação de 220 a 207. Antes, passou pelo Senado com voto de desempate da vice-presidente do país, Kamala Harris.
 
Na visão de analistas, a aprovação marcou um dos esforços legislativos mais bem-sucedidos dos Democratas do Congresso – e também uma conquista que parecia cada vez mais improvável.

Mesmo sendo um marco da transição no país para uma economia limpa – após quatro anos de desmontes ambientais promovidos pela gestão anterior, de Donald Trump – a legislação deixa algumas lacunas. 
 
Uma delas é que, as medidas aprovadas, segundo os próprios cálculos do governo, perseguem uma redução de 40% das emissões dos EUA até 2030, abaixo do compromisso de chegar a 50% ou 52% a menos.
 
Além disso, recebeu críticas de grupos ambientalistas que consideram que a justiça climática ficou de fora, enquanto os combustíveis fósseis seguem ganhando tempo.

Apesar disso, a Casa Branca traz indicativos de como os incentivos vão impactar a economia e a vida dos estadunidenses. Entre eles:

  • Economia de cerca de US$ 1.000 por ano para as famílias que receberem os créditos fiscais de energia limpa e veículos elétricos;
  • Mais 7,5 milhões de famílias poderão instalar energia solar em seus telhados com um crédito fiscal de 30%;
  • Economia média de US$ 500 por ano por família com os gastos com energia;
  • Instalações de 950 milhões de painéis solares e 120 mil turbinas eólicas até 2030 para abastecer casas, empresas e comunidades;
  • Cerca de 2,3 mil fábricas de baterias em escala de rede;
  • Fortalecer a resiliência climática e proteger quase dois milhões de acres (809 mil hectares) de florestas nacionais;
  • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de um bilhão de toneladas em 2030.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição