Hidrogênio pode ser rota para gás natural na transição energética, aponta EPE- Empresa de Pesquisa Energética.

A entrada de múltiplas rotas de produção de hidrogênio, com participação de fósseis e renováveis, pode contribuir para a ampliação do uso do gás natural na estratégia brasileira de transição energética. A EPE deverá publicar nos próximos dias notas técnicas sobre as perspectivas para produção de três cores de hidrogênio no país: o cinza, o azul e o turquesa.

Heloísa Esteves – Diretora da EPE

“O hidrogênio cinza já temos, é o mais eficiente em termos de custos e o mais competitivo. Ele traz a base tecnológica. Mas a partir do gás natural, a gente também avança no hidrogênio de baixo carbono que pode ser azul ou turquesa”, explicou Heloisa Esteves, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE – Empresa de Pesquisas Energéticas, para a Epbr.

As cores são nomenclaturas para referenciar as diferentes rotas de produção do combustível. 

Os estudos são uma colaboração com o governo britânico e devem contribuir com o desenho da Estratégia Nacional do Hidrogênio, prevista para o início deste ano.

hidrogênio cinza é produzido a partir da reforma a vapor do gás natural com emissão de carbono na atmosfera. 

Já o hidrogênio azul passa pelo mesmo processo, porém com a captura e o armazenamento do CO2 (CCS) emitido na reforma. 

Enquanto o hidrogênio turquesa é obtido a partir da pirólise do gás natural, gerando o carbono sólido, uma espécie de coque que pode ser reaproveitado em processos industriais.  

Rotas com gás natural ajudam a viabilizar hidrogênio

Diferente do hidrogênio verde —  a partir de eletrólise da água a partir de energia renovável  –, que ainda demanda uma curva tecnológica para viabilizar a redução de custos, os hidrogênios azul e turquesa, segundo os estudos da EPE, são mais competitivos. 

Heloísa Esteves explica que ambos podem ter rápida inserção no mercado, para atender a demanda por alternativas de baixo carbono, se comparados com o cinza. 

“Elas geram um energético flexível limpo a partir de um combustível fóssil que temos em abundância no Brasil”, diz.

Conta a favor do gás, então, as políticas e o desenvolvimento próprio do setor, que apesar da crise recente, vêm permitindo a entrada de novos agentes.

“Casando isso [a oferta de gás] com o Novo Mercado e com o setor mapeando o potencial da demanda, abrimos uma nova rota para a cadeia de gás natural desempenhar um papel na transição energética”, afirma Heloisa Borges. 

Preço do gás natural é fundamental

Os estudos da EPE estimam que o Brasil poderia produzir o hidrogênio cinza custando entre US$ 1 e 2 o quilo, enquanto o azul e turquesa azul poderiam chegar a US$ 2 a 2,60 o quilo, considerando o preço do gás natural em US$ 6,0 por milhão de BTU.

“Para a produção desses tipos de hidrogênio, a barreira é o custo do gás, a regulamentação dos mercados de carbono e a solução logística”, afirma Marcelo Alfradique, Superintendente Adjunto da EPE.

No caso do azul, o preço estimado leva em conta o abatimento com a comercialização de créditos de carbono provenientes da captura e armazenamento de CO2, o que demandaria um amadurecimento desse mercado e avanço em questões regulatórias. 

No fim de 2021, os preços do gás natural no Brasil, sem tarifa de transporte e no mercado cativo, ultrapassaram US$ 8 por MMBtu; para 2022, em muitos estados, o reajuste da Petrobras acabou judicializado. Questões de curto prazo.

Hidrogênio azul com captura de carbono offshore

A nota técnica da EPE trará, inclusive, um estudo de caso que levanta a possibilidade de instalação de plantas de produção de hidrogênio azul em plataformas offshore já existentes no pré-sal da Bacia de Santos.

Dessa forma, o CO2 emitido no processo seria capturado e injetado nos reservatórios, tal qual é feito hoje com o gás natural. 

“Estão sendo feitos estudos ainda para injeção de CO2, porque já temos a tecnologia pronta para injetar o gás natural nos reservatórios. É um gás mais ácido que o natural, mas estudos apontam essa possibilidade”, explica a analista Claudia Bonelli, que participou da elaboração da nota.  

Outro estudo de caso demonstrará a produção de hidrogênio azul onshore, em que o CO2 capturado seria transportado até a região pré-sal para injeção nos reservatórios. 

Cadeia de valor do hidrogênio turquesa 

Já no caso do hidrogênio turquesa, a projeção de custos da EPE também considerou a possível comercialização do carbono sólido, conhecido como negro de fumo, utilizado principalmente na fabricação de pneus.

Contudo, a nota aponta para a necessidade de ampliar o uso desse substrato na geração de carbono com alto valor agregado, como o grafite utilizado em baterias de lítio, para que de fato o preço desse hidrogênio se torne competitivo.

A EPE também cita estudos ao redor do mundo que comprovam a viabilidade de utilizar a estrutura de gás existente na distribuição e transporte do hidrogênio. 

Isso se daria por meio de uma mistura do hidrogênio ao gás natural, que poderia ser, em geral, de 10 a 20%, chegando até 30%, como vem sendo proposto na Alemanha e nos Países Baixos, por exemplo.

No Brasil, o Ceará também estuda a viabilidade do uso compartilhado de redes para distribuição do hidrogênio. O estado, por meio do Porto de Pecém — e de olho em uma demanda global — vem tentando atrair projetos, especialmente, de hidrogênio verde.

Fonte: Epbr – Diálogos da Transição

Energia Solar dever ter investimentos de R$ 50,8 bilhões no Brasil em 2022

Os novos investimentos privados no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil poderão ultrapassar a cifra de R$ 50,8 bilhões em 2022, com a adição de mais de 11,9 GW de potência instalada, somando os segmentos de geração distribuída e geração centralizada. As projeções são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Poderão ser gerados mais de 350 mil novos postos de trabalho; na sua maioria, empregos qualificados.

O acréscimo de potência solar fotovoltaica no ano deve representar um crescimento de mais de 91,7% sobre a capacidade instalada atual do país, que é de 13 GW.

Para a GD, a entidade projeta um crescimento de 105,0% frente ao total instalado até 2021, passando de 8,3 GW para 17,2 GW. Já na geração centralizada, o crescimento previsto será de 67,8%, saindo dos atuais 4,6 GW para 7,8 GW. Assim, a fonte solar fotovoltaica alcançará um total de quase 25 GW.

A fonte deverá gerar mais de 357 mil novos empregos neste ano, espalhados por todas as regiões do país. As perspectivas para o setor solar são de chegar ao final de 2022 com um total acumulado de mais de 747 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre todos os elos produtivos do setor.

A maior parcela destes postos de trabalho deverá vir do segmento de geração distribuída solar, que serão responsáveis por mais de 251 mil empregos neste ano. Dos R$ 50,8 bilhões de investimentos previstos para este ano, a GD corresponderá a cerca de R$ 40,6 bilhões.

A entidade projeta, ainda, que o setor solar fotovoltaico brasileiro será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais de mais de R$ 15,8 bilhões este ano.  

A Absolar acredita que 2022 poderá ser “o melhor ano da energia solar na história do Brasil desde 2012”, com o maior crescimento do mercado e do setor na última década. De acordo com análise da entidade, a geração própria de energia cresce a passos largos e deverá praticamente dobrar a potência operacional anualmente instalada, uma vez que a recente sancionada Lei 14.300/2022 irá impulsionar a demanda do mercado.

Além disso, o aumento nas tarifas de energia elétrica segue com tendências de elevação, pesando no bolso do consumidor que procurará uma solução para diminuir as despesas.

Já na geração centralizada, o forte crescimento de mercado previsto é impulsionado principalmente pelo avanço da fonte solar no mercado livre de energia elétrica, que deverá ser responsável pela maior parcela das grandes usinas previstas para entrar em operação comercial no ano de 2022.

Fonte: Brasil Energia

Qual a verdadeira prioridade para o Brasil na transição energética? A destruição da floresta responde por 40% das emissões totais de CO2 do Brasil.

Enquanto todas as emissões de CO2 do Brasil da agricultura , pecuária, indústria , siderurgia, petróleo e gás, etc, respondem por 1.169 Mton CO2 eq/ano, somente as queimadas e o desflorestamento respondem por mais de 788 Mton CO2 eq/ano, dados do SEEG- Observatório do Clima de 2018, ou seja mais de 40% das emissões de CO2 se devem a causas que nunca deveriam estar acontecendo! Por mais que sejam importantes as ações que os diversos setores citados estão fazendo, e são, para chegarmos as metas estabelecidas pelo Brasil em Glasgow na Escócia, para controlar o aumento da temperatura do planeta em no máximo 1,5 ºC até 2050; a destruição da floresta deveriam simplesmente parar, ser ZERO!

Estes dados fizeram parte de uma Webinar sobre Transição Energética, promovida pelo CEBRI- Centro Brasileiro de Relações Internacionais , em abril/20, na qual o ex-ministro Joaquim Levy fez uma brilhante exposição sobre as relações entre a Transição Energética e o crescimento do PIB. Nesta apresentação, foi mostrado este quadro abaixo, que fala por si só.

O mais preocupante, é que após 2018, os dados de desmatamento só pioraram, notadamente dados divulgados pelo Brasil, sintomaticamente pós COP 26.

É logico que se olharmos somente para o total, excluindo o desmatamento, ainda encontramos quase 48% deste valor de 1.169 Mton CO2 eq/ano devidos a pecuária e a agricultura, mas todos sabemos que a agricultura no Brasil está altamente desenvolvida tecnologicamente e não necessita desmatar para ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e mesmo a pecuária tem muitas áreas disponíveis para crescer sem necessidade de desmatamento. O desmatamento ilegal, é o maior problema do Brasil.

Para reforçar este conceito, vejam que as emissões de origem fóssil do Brasil, quando medidas per capita e em relação ao PIB de cada pais , mostra o Brasil em uma posição até confortável, quando comparado com outras economias do mundo, como nos mostra o Ex-ministro Joaquim Levi, no quadro abaixo.

Isto não significa que nada precisa ser feito, mas primeiro o Brasil tem que parar de desmatar urgentemente, até para ter credibilidade internacional, para disputar os financiamentos que serão necessários para as energias renováveis do futuro, como a eólica offshore, a eletrificação com energias renovareis solar e eólicas, etc, campos que o Brasil tem um potencial gigantesco de gerar empregos altamente qualificados e ajudar o Brasil a crescer. Temos um grande desafio tecnológico com o Hidrogênio Verde, de convergência em decidir politicas publicas inclusivas para que a população do pais e as comunidades possam participar e se beneficiar desta transição energética, mas insisto TEMOS QUE PARAR DE DESTRUIR NOSSAS FLORESTAS.

Saiba mais em : http://seeg9-brasil-site.herokuapp.com/documentos-analiticos

Emissões de CO2 no mundo devem atingir recorde histórico em 2022

Emissões de CO2 também devem atingir recorde histórico em 2022, apesar do maior foco no clima, colocando a política de emissões em votação nos principais mercados, aponta o S&P Global Platts Analytics Energy Outlook 2022.

Segundo os analistas da Platts, apesar do foco nas reduções de emissões e em uma lista cada vez maior de países com metas líquidas zero, a expectativa é que as emissões de CO2 aumentem 2,5% em 2022 para novos níveis recordes, à medida que algumas economias se recuperam totalmente, enquanto outras buscam o crescimento. 

“Embora os líderes na COP26 tenham se comprometido a fortalecer as metas de emissões de 2030 até o final de 2022, em vez de esperar pelo processo formal de ‘avaliação’, há riscos significativos para as agendas de política ambiental doméstica nas eleições de 2022”, avaliam. 

Eleições intermediárias nos EUA podem inviabilizar a agenda ambiental de Joe Biden, enquanto o partido de oposição da Austrália busca derrubar o governo mais conservador, tornando as metas ambientais mais fortes uma prioridade. 

Essas eleições são um lembrete de que ‘toda a política é local’ e os destinos dos acordos globais são frequentemente determinados por eleições domésticas, opinião pública e mudanças nas políticas”, completa a Platts.

Um bom exemplo é no Brasil, que decidiu por um projeto de Lei o PL 712/2019, do senador Esperidião Amin (PP/SC), que cria uma política de ajuda ao setor carbonífero de Santa Catarina, propondo um sistema de transição energética que deverá zerar a produção de energia de uma das fontes mais poluentes do mundo, que é o carvão, apenas em 2040.

O projeto determina que a União prorrogue a autorização do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, por 15 anos a partir de 1º de janeiro de 2025.

Há um apelo global para o fim do carvão. Em novembro, durante a COP26, na Escócia, mais de 40 países assumiram um acordo para eliminar a energia a carvão, incluindo Canadá, Chile, Cingapura, Coréia do Sul, Egito, Espanha, Nepal, Polônia, Vietnã e Ucrânia.

Brasil, Estados Unidos, Austrália, China e Índia não assinaram o acordo, o que deixou o plano aquém da ambição inicial da presidência da Conferência do Clima.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Estudo aponta que 660 milhões de pessoas não terão acesso à energia elétrica em 2030

Enquanto estamos falando de Transição Energética, tema sem duvida, de altíssima importância, para o clima e para a sobrevivência do planeta, frente as mudanças climáticas; existe uma desigualdade brutal entre os países desenvolvidos que já estão discutindo a eletrificação, o uso do Hidrogênio Verde, energia eólica, solar offshore, etc; um estudo divulgado em junho/21, pela Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrando que 660 milhões de pessoas no mundo não terão acesso a energia elétrica em 2030.

Denominado Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021), o estudo mapeia as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7), que visa assegurar o acesso universal à energia segura, sustentável e moderna para todos.

Mesmo no Brasil, estudos da EPE – Empresa de Pesquisa Energética do MME – Ministério de Minas e Energia, o “Atlas de Eficiência Energética 2020” , dados de 2019, mostra que 27% das residencias brasileiras ainda utiliza a lenha como energia para cocção de alimentos !! Este numero já foi 38% em 2005, e o estudo mostrou que houve uma melhora significativa entre 2002 e 2014, em função da melhoria econômica das famílias, mas ainda é muito alto; ou seja mais de 1/4 das residencias no Brasil utiliza a lenha como energia !

Suspeitamos que nos últimos 2 anos, em função do desemprego, Covid-19, e outros fatores sócio-econômicos, estes números podem ter piorado novamente, mas ainda não temos dados para dizer.

Quase 1 milhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica na Amazônia. Este dado de 2019, faz parte de estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, que analisou a exclusão elétrica nos 9 estados que compõem a Amazônia Legal.

Temos sim que fazer uma transição energética justa, mas também inclusiva, para que 660 milhões de pessoas não fiquem de fora.

A boa noticia, é que uma das fontes mais abundantes na natureza, que é a energia solar, pode ser a solução para o problema dos países subdesenvolvidos e afastados dos grandes centros de produção de energia, áreas remotas como a Africa subsaariana, as vilas no interior da Amazônia, e em áreas rurais afastadas dos grandes centros em todo o mundo subdesenvolvido; desde que haja um esforço internacional coordenado, através de politicas publicas dos países ricos, que ajudem os países mais pobres a dar este salto qualitativo de inclusão em uma década. Precisa haver vontade politica para fazer.

O documento Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021) aponta avanços importantes na última década, que vai de 2010 a 2019, quando mais de um bilhão de pessoas obtiveram acesso à eletricidade em todo o mundo. A eletrificação por meio de soluções descentralizadas de base renovável, em particular, ganhou impulso e o número de pessoas conectadas a mini redes mais que dobrou entre 2010 e 2019, passando de 5 para 11 milhões de pessoas.

No entanto, de acordo com as políticas atuais e planejadas e posteriormente afetadas pela crise Covid-19, isso não será suficiente para universalizar o acesso à energia para toda população mundial.

Por outro lado, o impacto financeiro da Covid-19 tornou os serviços básicos de eletricidade inacessíveis para mais 30 milhões de pessoas, a maioria localizada na África Subsaariana. Atualmente, 759 milhões de pessoas ainda vivem sem eletricidade no mundo.

A América Latina e o Caribe têm a maior parcela dos usos modernos de energia renovável, graças à energia hidrelétrica para eletricidade, bioenergia para processos industriais e biocombustíveis para transporte. O Leste e o Sudeste asiático, assim como a América Latina e Caribe, estão se aproximando do acesso universal, com mais de 98% de sua população tendo acesso à eletricidade.

O relatório examina várias maneiras de preencher as lacunas para alcançar o ODS 7, sendo as principais delas dobrar o progresso em eficiência energética, a colaboração internacional e aumentar significativamente o uso de energias renováveis ​​- que se mostraram mais resilientes do que outras partes do setor de energia durante a crise do Covid-19.

Créditos : Canal Energia.com.br

Brasil e Dinamarca assinam memorando de entendimento sobre energias renováveis e transição energética.

Brasil e Dinamarca estiveram lado a lado no Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Energia, tendo liderado o eixo de transição energética. Ambos os países estão comprometidos com a promoção de uma transição energética justa, combinando a descarbonização com a inclusão social e econômica.

Foto por Kelly em Pexels.com

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o Ministro do Clima, Energia e Serviços Públicos da Dinamarca, Dan Jørgensen, assinaram nesta terça-feira (7/12), em reunião em formato virtual, “Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética”.

Os dois países vêm desenvolvendo trabalho bilateral na área de energias renováveis, com ênfase em energia eólica “offshore” e na conversão de resíduos ( RSU) em energia (“waste to energy”).

Missão técnica do MME, liderada pelo Secretário Adjunto de Planejamento Energético, Marcello Cabral, e integrada por técnicos do MME da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), visitou a Dinamarca, no período de 30/11 a 4/12, a convite da Agência Dinamarquesa de Energia (DEA), com vistas a dar início ao estabelecimento de programa de trabalho para a cooperação.

A intensificação da cooperação energética entre Brasil e Dinamarca tem sido acompanhada por crescente interesse de grupos empresariais e investidores privados dinamarqueses no setor de energias renováveis brasileiro.

Acesse aqui a íntegra em português do Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética.

Acesse aqui a íntegra em inglês do Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética.

Empregos no setor de renováveis crescem e puxam desafios para transição justa

O Brasil tem uma excelente oportunidade de criar empregos de qualidade na área de energia renováveis. Já tratamos disso neste blog, e para reforçar vejam a situação no mundo : O setor de energia renovável empregou 12 milhões de pessoas em 2020, com a geração de cerca de 500 mil novos postos de trabalho, e teve um desempenho melhor do que a energia fóssil durante a pandemia Covid-19, indica a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês).

A expectativa é que, até 2050, o segmento de renováveis seja responsável por 43 milhões de empregos — dos 122 milhões de trabalhadores no setor de energia. 

Fonte: Diálogos da Transição/Epbr

O setor de energia renovável empregou 12 milhões de pessoas em 2020, com a geração de cerca de 500 mil novos postos de trabalho, e teve um desempenho melhor do que a energia fóssil durante a pandemia Covid-19, indica a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês).

A expectativa é que, até 2050, o segmento de renováveis seja responsável por 43 milhões de empregos — dos 122 milhões de trabalhadores no setor de energia. 

Apesar dos números positivos, ainda há um longo caminho a ser percorrido para alcançar a chamada transição justa.

A transição energética revelou a necessidade de expandir a qualificação em todas as regiões do mundo para criar uma força de trabalho especializada. Atender a essa necessidade exigirá mais treinamento vocacional, currículos mais sólidos e maior treinamento de instrutores. 

Na outra ponta, será preciso garantir empregos decentes, diversidade de gênero, inclusão de minorias e oportunidades adequadas para jovens nessa equação. 

“Empregos decentes não serão criados automaticamente na transição energética; o apoio político ambicioso e os investimentos em uma transição energética orientada para o futuro, segura para o clima e justa precisarão ser sustentados e expandidos”, diz a Irena.

De acordo com a análise, as estruturas salariais variam enormemente entre países e segmentos. Uma grande parte da cadeia de abastecimento de bioenergia, por exemplo, emprega trabalhadores agrícolas de baixa remuneração e condições de trabalho perigosas, alerta.

“Estruturas políticas abrangentes baseadas em um diálogo social eficaz devem usar incentivos do mercado de trabalho para abrir novas possibilidades para trabalhadores que perdem empregos na energia convencional, juntamente com políticas industriais e empresariais para alavancar as indústrias domésticas existentes”, completa.

O relatório da agência aponta ainda para a falta de integração entre conteúdo local e emprego local, especialmente no segmento de geração eólica onde serão necessários mais esforços e acordos de contratação, desenvolvimento técnico e capacitação da população onde os projetos são instalados

Perfil dos empregos em renováveis em 2020 (Irena):

  • Com 4 milhões de trabalhadores, a indústria solar fotovoltaica gerou pouco mais de 200 mil novos empregos em 2020, e se mantém como o segmento que mais emprega.
  • Já os empregos na área de biocombustíveis caíram ligeiramente em todo o mundo para 2,4 milhões (de 2,5 milhões em 2019), devido às reduções na demanda durante a pandemia, preços mais baixos para combustíveis fósseis e algumas políticas adversas. Exemplo do Brasil, que tem reduzido o percentual obrigatório de biodiesel no diesel.

Eólica subiu de 1,17 milhão em 2019 para 1,25 milhão de postos de trabalho em 2020, sendo um número crescente nas operações e manutenção e na energia eólica offshore

Gerenciamento dos Ecossistemas Florestais- O papel das Comunidades Indígenas.

“As florestas ao redor do mundo desempenham um papel critico na manutenção dos sistemas climáticos. Os povos indígenas e as comunidades locais que dependem delas e as protegem, deveriam receber maior reconhecimento e suporte .”

Desflorestamento e degradação das florestas tropicais representam mais de 15% da emissão global de gases efeito estufa. No Brasil representam mais de 40%.

Source: ‘Falling Short’ 2021 Rainforest Foundation Norway.

Apenas um terço das florestas mundiais remanescentes, detêm uma importância capital no planejamento para limitar a 1.5°C o aquecimento global, fato este reconhecido pelo Pacto de Glasgow. A interação entre as florestas, a biodiversidade e manejo ambiental, indica a necessidade de maior atenção a estes temas como preocupação central para o futuro da estabilidade climática.

As próprias florestas , e seus habitantes humanos – Os Povos Indígenas e as suas Comunidades Locais (IPLCs – Indigenous Peoples and Local Communities ) – se evolvem conjuntamente, cada uma sendo um produto da outra. As IPLCs desempenham uma estrategia de manejo sustentável, contribuindo profundamente para a conservação da biodiversidade local.

Onde suas atividades recebem suporte, a taxa de desflorestamento é menor. As IPLCs gestionam pelo menos 17% da estocagem global de carbono, igual a 33 vezes o total global de emissões de gases efeito estufa em 2017.

Independente de suas contribuições, as terras e cultura das Comunidades Indígenas estão sob ataque, e seus serviços na maioria das vezes não tem apoio financeiro. Financiamento direto das nações e órgãos governamentais são raros, e usualmente os canais que são utilizados são as agencias da ONU ou ONGs nacionais e internacionais.

A segurança das terras indígenas é o pivô central para a sustentação das florestas, permitindo que as Comunidades Indígenas continuem a trabalhar. Programas de sustentação das terras e gerenciamento dos recursos florestais atraem aproximadamente US$270 milhões por ano; sendo que somente 17% direcionados as Comunidades Indígenas para a implementação de programas de apoio.

Somente 11% do “funding” recebido objetiva a a segurança das terras – contra uma estimativa dos recursos requeridos da ordem de US$8 bilhões. Sem garantia do uso do solo, as Comunidades Indígenas vão perder suas terras, assim como suas florestas continuarão a encolher. O custo de perdas humanas é incalculável; o clima global depende fundamentalmente do manejo destes recursos florestais.


As IPLCs necessitam, urgentemente de financiamento e suporte politico, e nós o planeta, necessitamos urgentemente que eles recebam este suporte.

Eles oferecem para nos uma esperança para reparar o relacionamento da humanidade com a natureza.

Crise de confiança ameaça resultados da COP26, diz relatório do Climate Crisis Advisory Group

Após um certo clima de euforia, pós-COP 26 onde se olhou o “copo meio cheio” pelo fato da Conferencia ter ocorrido e algumas das etapas previstas no Acordo de Paris, terem sido realizadas; agora se começa o olhar “o copo meio vazio”. Relatório publicado hoje (25) pelo Climate Crisis Advisory Group (CCAG) adverte que a quebra de confiança no sistema internacional coloca em risco os esforços para resolver a crise climática após a COP26. Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Segundo o documento a confiança no Pacto de Glasgow falhou profundamente em dois aspectos:

  • fornecimento de fundos pelas nações mais ricas para ajudar as nações menos favorecidas a lidar com os impactos da crise climática; e
  • compensação por perdas e danos sofridos pelos países mais pobres à medida que as nações mais ricas continuam com seus estilos de vida, fazendo modificações apenas quando sua qualidade de vida não é significativamente afetada.

“Embora não haja mais ambiguidade em torno do caminho para resolver a crise climática, ainda permanecem dúvidas: atingiremos a velocidade de progresso necessária para garantir um futuro gerenciável para a humanidade?”, questiona o CCAG.

Os pesquisadores alertam que os fundos prometidos até 2020, da ordem de US$ 100 bilhões, nunca se materializaram e dificilmente serão liberados até 2023, em um “golpe desastroso para a confiança entre as nações”. 

Já em relação à falha em compensar perdas e danos de países pobres, o grupo afirma que apesar de o documento final da COP26 ter estabelecido um cronograma para diálogo futuro sobre compensação, com garantia da inclusão do tema na agenda da próxima COP, houve fracasso em fornecer um caminho imediato para os países necessitados.

A urgência de compensar os países mais expostos aos danos causados pela crise climática ficou mais evidente no ano passado, à medida que o clima extremo devastou regiões com secas prolongadas e incêndios, invernos rigorosos, inundações e avanço do nível do mar.

Em um discurso emblemático durante a COP26, Simon Kofe, ministro das Relações Exteriores da ilha de Tuvalu, no Pacífico Sul, apareceu em vídeo, de terno e gravata, com água do mar até os joelhos, para destacar o impacto da mudança climática na nação insular.

A recusa de Estados Unidos e União Europeia de propostas de financiamento para perdas e danos agravou a crise de confiança, segundo os analistas.

“O que temos em mãos é uma quebra de confiança fundamental entre as nações ricas e pobres, com consequências catastróficas para o mundo. Sem uma recalibração das nações desenvolvidas sobre como abordam suas relações com os países mais pobres, mudanças na escala e no ritmo necessários para garantir o aquecimento global a 1,5 °C são quase impossíveis”, comenta David King, presidente do CCAG.

O relatório indica ainda uma estratégia tripla para resolver a crise climática:

  • Reduzir: As nações precisam triplicar suas promessas de corte de emissões urgentemente para fazer sua parte;
  • Remover: É preciso investimento crítico para desenvolver, pesquisar e dimensionar técnicas para remover gases de efeito estufa da atmosfera;
  • Reparar: Explorar e investigar métodos e tecnologias seguras que podem reparar peças de nossos sistemas climáticos danificados

As promessas da COP26 para pagar a conta do hidrogênio

O Brasil tem um potencial altíssimo de atrair investimentos na produção do Hidrogênio Verde, uma vez que nossa matriz energética já é predominamente atendida por fontes renováveis, hidrelétricas, eólicas e solar. O Brasil não pode desperdiçar a oportunidade de desenvolvimento, gerando empregos qualificados e renda” – Tulio Chipoletti

Enquanto aumenta a pressão por novas alternativas energéticas para substituir combustíveis fósseis e carvão, e avançar na eletrificação, cresce também a urgência de uma economia para o hidrogênio de baixo carbono.

Um dos destaques dessa COP26, inclusive, foi a entrada do compromisso com a redução gradual dos combustíveis fósseis no texto final da conferência. Paralelamente, países e empresas assinaram acordos nesse sentido.

Para avançar no hidrogênio, será preciso superar desafios como oferta, demanda, preço e regulação: Hidrogênio precisa vencer velho dilema da indústria de gás

Ao todo, 28 empresas de diferentes setores — mineração, energia, fabricantes de veículos e equipamentos e serviços financeiros — fizeram promessas cobrindo as categorias de demanda, oferta e suporte financeiro.

O Conselho de Hidrogênio estima que, em 2030, o potencial de descarbonização do hidrogênio pode chegar a aproximadamente 800 milhões de toneladas por ano de emissões evitadas de dióxido de carbono (CO2). 

As promessas (.pdf) anunciadas pelo grupo de 28 empresas equivalem a quase um quarto desse total.

Do lado da demanda, a diretriz é a substituição do hidrogênio cinza (a partir do gás natural) usado pelos setores de refino, produtos químicos e fertilizantes, ou do óleo diesel usado em indústrias pesadas. Representa uma demanda potencial de 1,6 milhão de toneladas por ano de hidrogênio com menor intensidade de carbono.

A expectativa é reduzir as emissões de CO2 em mais de 14 milhões de toneladas por ano — o equivalente às emissões anuais de mais de seis milhões de carros na Europa.

Do lado da oferta, as empresas pretendem colocar no mercado mais de 18 milhões de t/ano de hidrogênio verde (eletrólise) ou azul (gás natural com captura de carbono), e evitar a emissão de cerca de 190 milhões de t/ano de CO2.

Claire O’Neill, conselheira sênior do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês) diz que a intenção é que as promessas combinadas estimulem investimentos em fornecimento e inspirem outros consumidores a fazer a transição para o hidrogênio

Diálogos da Transição- Epbr : https://mailchi.mp/epbr/as-promessas-da-cop26-para-pagar-a-conta-do-hidrognio?e=030d9cf637