Cidades precisam de cinco vezes mais recursos para lidar com o clima

Daqui a poucos dias, cidadãs e cidadãos dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros irão às urnas escolher prefeitos e vereadores responsáveis por formular e aprovar políticas que buscam tornar suas cidades lugares mais agradáveis de viver e conviver – pelo menos na teoria.
 
E embora as discussões sobre mitigação e adaptação à mudança do clima estejam ocupando espaço na agenda nacional, nas cidades – onde as pessoas vivem e sentem os impactos de enchentes, ondas de calor e baixa qualidade do ar – essas questões precisam ganhar mais atenção.
 
Lançado esta semana durante a Climate Week de Nova York, o relatório State of Cities Climate Finance 2024 (SCCFR) aponta que o financiamento climático precisa aumentar cinco vezes até 2030 para colocar as cidades em uma trajetória que contribua para limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C – já estamos em 1,2°C, vale lembrar.
 
De um lado, instituições públicas, privadas e multilaterais precisam passar por uma reforma para acelerar a mobilização de recursos, principalmente destinados a países emergentes e vulneráveis.
 
De outro, cabe às cidades desenvolverem projetos que possam receber esse capital climático – papel das políticas que são aprovadas nas câmaras municipais.
 
Segundo o estudo, no mundo inteiro, as cidades precisam de cerca de US$ 4,3 trilhões anualmente de agora até 2030, somente para mitigação climática, e mais de US$ 6 trilhões por ano de 2031 a 2050. 

Transporte, energia e edifícios dominam as necessidades de investimento para reduzir emissões de carbono. 
 
Até 2030, as cidades precisarão de um investimento anual de US$ 1,7 trilhão para soluções de transporte (por exemplo, veículos elétricos e sistemas ferroviários urbanos) e US$ 1,2 trilhão para energia (particularmente para geração de energia renovável). Elas também precisarão de US$ 1 trilhão para reforma de edifícios e novas construções, bem como aquecimento, ventilação e ar condicionado com eficiência energética, aquecedores de água e sistemas de cozinha. 

Lacuna na adaptação

As recentes enchentes no Rio Grande do Sul, que deslocaram 200 mil pessoas e causaram US$ 3,7 bilhões em danos, aproximadamente, chamaram a atenção para a urgência de adaptar as cidades para lidar com a emergência do clima.
 
O SCCFR observa, no entanto, que as necessidades de adaptação são mais difíceis de projetar devido à falta geral de dados, particularmente do setor privado. 
 
Nas cidades de países emergentes, as necessidades de adaptação somam US$ 147 bilhões por ano até 2030 e US$ 165 bilhões de então até 2050.
 
O estudo engloba Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Hungria, Índia, Indonésia, Malásia, México, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Tailândia e  Turquia e provavelmente estão subestimadas, alertam os autores, já que a dimensão dos riscos climáticos é incerta.
 
Além disso, as estimativas não capturam totalmente as necessidades futuras de adaptação, como o aumento triplo previsto na demanda global por resfriamento até 2050, o que pode exigir um investimento adicional de US$ 1,5 trilhão somente na Índia até 2040, explicam.
 
Adicione-se a isso o alto custo da inação climática nas cidades, que ano a ano faz o custo de adaptação aumentar

“Os impactos econômicos de eventos relacionados ao clima são enormes, com algumas cidades já sofrendo bilhões de dólares em perdas devido à escassez de água, inundações e danos à infraestrutura. Os custos da inação podem ser severos no futuro, com projeções de danos cobrindo muitos tipos e geografias diferentes de cidades”, resume o relatório.

Fonte: Diálogos da Transição – Editada por Nayara Machado



Brasil entre os países mais alinhados com Net Zero, mas fica para trás no hidrogênio.

Os atuais planos climáticos (Contribuições Nacionalmente Determinadas – NDCs) do Brasil, França, Reino Unido, EUA e Austrália são os mais alinhados com o cenário de emissões líquidas zero projetado pela BloombergNEF em relatório divulgado esta semana.
 
Com o tempo para ação esgotando, a análise traz indicativos de como o mundo ainda pode alcançar parte dos objetivos do Acordo de Paris e ficar abaixo de 2°C.
 
Embora cientistas do IPCC apontem que o ideal é limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C até 2100, o cenário net zero da BNEF mostra que há uma chance de 67% de manter o aquecimento global em 1,75 °C. Ver figura 1 abaixo.

Nele, a demanda por petróleo, gás e carvão atinge o pico rapidamente e sofre um declínio acentuado a partir do ano que vem (2025). Ver figura 2 abaixo.

“Os setores de energia, transporte, indústria e edifícios estão transacionando em velocidades diferentes e de acordo com as tecnologias disponíveis para sua descarbonização, mas logo todos veem as emissões começando a cair imediatamente. Estas mudanças de curto prazo só ocorrem graças a uma rápida expansão das tecnologias de energia limpa”, destaca o documento.
 
A simulação considera que a capacidade global de energia renovável triplica até 2030, a rápida adoção de veículos elétricos reduz o mercado de carros a gasolina e diesel até 2034 e as tecnologias de tecnologia de captura de carbono, armazenamento de energia e geração nuclear dão um salto antes de 2030.
 
Quase metade das emissões evitadas entre hoje e 2050, em todo o mundo, virá da descarbonização do setor de energia elétrica.

Enquanto um quarto depende da eletrificação dos setores de uso final, como transporte rodoviário, edifícios e indústria.
 O quarto restante é considerado o mais desafiador: inclui biocombustíveis no transporte marítimo e aéreo; hidrogênio na indústria e no transporte; e captura e armazenamento de carbono na indústria e na geração de energia. 

Nem todo mundo está alinhado. A BNEF avalia que as NDCs da Alemanha, Coreia do Sul, Japão e Índia estão no meio do caminho e precisam aumentar a ambição para entrar na rota net zero. 

 Enquanto China, Indonésia e Vietnã estão mais distantes, com maior margem para elevar a ambição em suas próximas Contribuições Nacionalmente Determinadas.

Corrida do hidrogênio

Outro estudo da BNEF publicado recentemente aponta, em contrapartida, o Brasil ficando para trás na atração de projetos de hidrogênio de baixo carbono – apesar de todo o seu potencial de fornecimento de eletricidade renovável.
 
Com políticas de apoio mais robustas, China, Europa e EUA poderão responder por mais de 80% do fornecimento global de hidrogênio limpo até 2030, calcula a consultoria.
 
Já regiões como América Latina e Austrália, apesar de terem grandes projetos em andamento, podem desempenhar um papel menor devido ao fraco apoio político.
 
Espera-se que os EUA sozinhos se tornem o maior produtor individual de hidrogênio limpo até o fim da década, respondendo por quase 37% da oferta global. Em grande parte por conta dos incentivos que o governo norte-americano vem dando à indústria local, contidos na Lei de Redução da Inflação (IRA, em inglês) e na Lei Bipartidária de Infraestrutura (BIL).
 
Além disso, a estimativa é que, globalmente, apenas 30% dos 1,6 mil projetos anunciados até agora saiam do papel, resultando em um total de 477 projetos em operação até o final da década. 

Ainda assim, a BNEF espera que o fornecimento global de hidrogênio de baixo carbono aumente em 30 vezes, saltando de 500 mil toneladas, hoje, para 16,4 milhões de toneladas por ano, até 2030.

Fonte: Dialogos da Transição ( editado por Nayra Machado)/ BloombergNEF

Pobreza energética sujeita 389 milhões de mulheres a catar biomassa

“Na saúde, a consequência é que cerca de 600 mil mulheres e crianças africanas morrem anualmente devido à inalação de gases tóxicos. “

“Na economia, o custo do tempo perdido pelas mulheres na procura de lenha é estimado em US$ 800 bilhões por ano.”

Enquanto dezenas de milhões de pessoas trabalham em empregos formais no setor de energia ao redor do mundo, cerca de 389 milhões de mulheres e meninas estão produzindo biomassa para atender às necessidades básicas de energia de famílias mais pobres nos países em desenvolvimento, estimam os pesquisadores do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia (EUA).

Após um mapeamento das dinâmicas de gênero no setor de energia, o grupo de estudiosos identificou que há uma lacuna de informações quando se trata do trabalho informal feminino.

No caso específico da biomassa que aquece lares e mantém aceso os fogões em regiões pobres de países na Ásia, África e América Latina, o trabalho é fundamental, mas frequentemente negligenciado, aponta o relatório (.pdf).

A estimativa é que, para cada pessoa com um emprego formal na indústria energética (aproximadamente 40 milhões), nove mulheres estão fornecendo uma fonte primária de energia para suas famílias.

Cerca de 2 bilhões de pessoas dependem da biomassa para cozinhar (e algumas para aquecimento). Mulheres e meninas em muitos países em desenvolvimento constituem a maioria das pessoas que coletam lenha para consumo doméstico – um esforço muitas vezes árduo e demorado”, dizem os pesquisadores.

Uma das descobertas do relatório é que as produtoras de biomassa para o lar superam em número os homens, com destaque para a África subsaariana, onde a participação feminina nesta atividade é muito mais alta que em qualquer outra região.

Em regiões de renda média-baixa na Ásia, há paridade entre homens e mulheres, enquanto na América Latina, a extração é feita majoritariamente pelos homens. No entanto, a AL é menos representativa em números: apenas 4% da população global que depende de biomassa doméstica.

Além disso, a maioria das produtoras de biomassa (cerca de 75%) vive em áreas rurais, frequentemente nas partes mais pobres de muitos países em desenvolvimento.

Iniciativas para descarbonizar as cozinhas

Em dezembro do ano passado, o tema esteve presente (ainda que de forma marginal) nas discussões da COP28 em Dubai.

É questão de gênero, de saúde e econômica.

O Banco Africano de Desenvolvimento calcula que cerca de um bilhão de pessoas no continente não têm acesso a uma cozinha limpa e dependem da biomassa ou do querosene. A queima desses combustíveis provoca elevados níveis de poluição do ar dentro das casas.

Na saúde, a consequência é que cerca de 600 mil mulheres e crianças africanas morrem anualmente devido à inalação de gases tóxicos.

Na economia, o custo do tempo perdido pelas mulheres na procura de lenha é estimado em US$ 800 bilhões por ano.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) o acesso universal à cozinha limpa reduziria as emissões de CO2 em 1,5 bilhão de toneladas até 2030.

“Iniciativas de cozinha limpa poderiam eliminar a necessidade de grande parte desse trabalho e são importantes, em parte, devido a considerações de saúde para pessoas que cozinham com combustíveis de biomassa”, defendem os pesquisadores da Columbia.

Eles explicam que, embora as projeções sobre a universalização da “cozinha limpa” indiquem queda no número de mulheres produzindo biomassa doméstica, cerca de 200 milhões, ou mais, ainda poderiam estar envolvidas nesse esforço em 2030, predominantemente na África subsaariana.

“A produção de biomassa para o lar constitui o trabalho de mulheres pobres e frequentemente marginalizadas. Mais pesquisas de campo são necessárias para descobrir o que essas produtoras realmente desejam e como a transição energética pode melhorar suas vidas e as de suas famílias”, defendem.

Creditos: Dialogos da Transição- epbr – Por Nayara Machado

Mundo está a caminho de aquecer de 2,1ºC a 2,8ºC

Novo relatório da UN Climate Change publicado nesta terça (14/11) conclui que as emissões de carbono lançadas à atmosfera vão subir 9% em 2030, comparado com o nível de 2010 e que as políticas atuais levarão a um aquecimento de 2,1°C a 2,8°C até o fim do século.

As emissões de gases de efeito estufa recobrem a Terra, retendo o calor do sol. Isso leva ao aquecimento global e à mudança climática. O mundo agora está aquecendo mais rapidamente do que em qualquer outro momento registrado na história. Foto: © Brasil2/Getty Images Signature

Resumo Executivo

Divulgado antes da COP28, relatório da ONU sobre mudança climática conclui que os planos nacionais de ação climática continuam insuficientes para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius. 

Se as metas nacionais mais recentes forem implementadas, os compromissos atuais aumentarão as emissões em cerca de 8,8%, em comparação com os níveis de 2010. 

Também divulgado nesta terça-feira (14), o relatório sobre estratégias de longo prazo mostra que as emissões de gases de efeito estufa podem ser cerca de 63% menores em 2050 do que em 2019, se os compromissos nacionais forem totalmente implementados no prazo.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que é hora de uma “supernova” de ambição climática em todos os países, cidades e setores, alertando que “progresso de centímetro a centímetro não será suficiente”. 

Para o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Simon Stiell, “É hora de mostrar os enormes benefícios de uma ação climática mais ousada: mais empregos, salários mais altos, crescimento econômico, oportunidade e estabilidade, menos poluição e melhor saúde.”

Novo relatório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) conclui que os planos nacionais de ação climática continuam insuficientes para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius e cumprir as metas do Acordo de Paris.

Mesmo com o aumento dos esforços de alguns países, o relatório divulgado nesta terça-feira (14/11) mostra que ações contundentes são necessárias agora para reduzir a trajetória das emissões mundiais e evitar os piores impactos da mudança climática.

O relatório tem como objetivo informar a próxima rodada de planos de ação climática previstos pelo Acordo de Paris (conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas, ou “NDCs”), que serão apresentados até 2025. 

A Convenção-Quadro analisou as NDCs de 195 Estados-parte do Acordo de Paris, incluindo 20 NDCs novas ou atualizadas apresentadas até 25 de setembro de 2023. 

Se as últimas NDCs disponíveis forem implementadas, os compromissos atuais aumentarão as emissões em cerca de 8,8%, em comparação com os níveis de 2010. Essa é uma melhora marginal em relação à avaliação do ano passado, que constatou que os países estavam em um caminho para aumentar as emissões em 10,6% até 2030, em comparação com os níveis de 2010.

Projeta-se que, até 2030, as emissões estarão 2% abaixo dos níveis de 2019, destacando que o pico das emissões globais ocorrerá nesta década.

O relatório de hoje mostra que os governos, juntos, estão dando passos tímidos para evitar a crise climática. E revela por que os governos precisam dar passos decisivos na COP28 em Dubai, para entrar no caminho certo. Isso significa que a COP28 deve ser um ponto de virada claro. Os governos não só devem concordar sobre quais ações climáticas mais robustas serão tomadas, mas também começar a mostrar exatamente como implementá-las.” – Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), 14 de novembro de 2023. 

Para atingir o pico de emissões antes de 2030, diz o relatório, “os elementos condicionais das NDCs precisam ser implementados, o que depende principalmente do acesso a recursos financeiros aprimorados, transferência de tecnologia e cooperação técnica e apoio à capacitação, bem como da disponibilidade de mecanismos baseados no mercado”.

“Precisamos reconstruir a confiança no processo de Paris, o que significa cumprir todas as obrigações, especialmente em relação ao financiamento, o grande facilitador da ação climática. E garantir que estejamos aumentando a resiliência aos impactos climáticos em todos os lugares”, afirmou Simon Stiell. “

O relatório síntese dos planos climáticos nacionais de hoje ressalta a necessidade de agirmos com maior ambição e urgência para cumprir as metas do Acordo de Paris – simplesmente não há mais tempo para atraso. A COP28 deve ser um ponto de virada histórico nesta década crítica para que os Estados-parte aproveitem o momento da revisão global das metas para se comprometerem a aumentar sua ambição e se unirem, agirem e apresentarem resultados que mantenham o 1,5C ao alcance, sem deixar ninguém para trás.”
– Sultan Al Jaber, presidente designado da COP28.

Estratégias de desenvolvimento de baixa emissão a longo prazo

Um segundo relatório da ONU sobre estratégias de desenvolvimento de baixas emissões a longo prazo, também divulgado hoje, analisou os planos dos países para fazer a transição para emissões líquidas zero até meados do século ou por volta disso.

O relatório indicou que as emissões de gases de efeito estufa podem ser cerca de 63% menores em 2050 do que em 2019, se os compromissos nacionais forem totalmente implementados no prazo. 

As estratégias de longo prazo atuais (representando 75 Partes do Acordo de Paris) correspondem a 87% do PIB mundial, 68% da população global em 2019 e cerca de 77% das emissões globais de gases de efeito estufa em 2019. Isso é um forte indicativo de que o mundo está começando a buscar emissões líquidas zero.

O relatório observa, no entanto, que muitas metas de emissões líquidas zero permanecem incertas e adiam para o futuro ações críticas que precisam ocorrer agora.

COP28, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática, ocorrerá em Dubai, Emirados Árabes Unidos, de 30 de novembro a 12 de dezembro deste ano.

Indústria eólica precisará de quase 600 mil técnicos até 2027- No Brasil, o GWEC aponta para demanda de 12,3 mil técnicos.

Credito: foto de Ed White

Relatório do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, em inglês) estima que, até 2027, serão necessários cerca de 574,2 mil técnicos especializados para atuar no setor – adicionando mais um desafio para a expansão das instalações ao redor do mundo.
 
Mais de 80% da contratação desses profissionais deve ocorrer em dez países: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Egito, Índia, Japão, Quênia, Coreia do Sul e EUA. No Brasil, o GWEC aponta para demanda de 12,3 mil técnicos.
 
Até ao final de 2027, a capacidade eólica deve alcançar aproximadamente 1,5 terawatts (TW), mais do dobro do nível anterior à pandemia de Covid-19.
 
Inovação tecnológica e as previsões de rápido crescimento do mercado eólico offshore levaram o GWEC a prever um aumento de 17% no número de técnicos eólicos necessários para comércio e indústria e O&M entre 2023 e 2027.
 
Esse crescimento exigiria 84,6 mil técnicos adicionais para apoiar a expansão da energia eólica. E mais 159,2 mil pessoas para substituir os técnicos que deverão sair naturalmente da indústria eólica no período analisado.
 
Isso significa que, em média, o segmento vai precisar que o número de técnicos aumente em 48,8 mil por ano, de 2023 a 2027. Quase 43% deles serão novos na indústria.
 
“Uma força de trabalho forte e uma cadeia de abastecimento saudável serão cruciais para o crescimento colossal da capacidade eólica nesta década. É vital que a crescente força de trabalho receba as ferramentas de formação adequada”, comenta Ben Backwell, CEO da GWEC.
 
Ao mesmo tempo, as empresas precisam garantir ambientes de trabalho seguros, saudáveis e inclusivos, para atrair colaboradores qualificados.
 
“Sem uma força de trabalho qualificada e sustentável para a energia eólica, a transição energética não se materializará a tempo”, completa Backwell.

Offshore acelera. De acordo com o relatório (.pdf em inglês), a contratação de especialistas eólicos crescerá mais rapidamente no mar (79% maior em 2027 em relação a 2022) em comparação com onshore (12% maior em 2027 em relação a 2022). 
 
Até 2027, 87% dos técnicos estarão trabalhando onshore, principalmente (e cada vez mais) no segmento de operação e gestão.

Empregos concentrados. Levantamento da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês) publicado no final de setembro mostra que a indústria de renováveis aumentou em um milhão o número de vagas criadas no ano passado, e hoje conta com 13,7 milhões de trabalhadores ativos.
 
O segmento – que inclui eólica, solar, hidrelétrica e biocombustíveis – está atraindo investimentos crescentes, o que leva à criação de empregos em um número de países cada vez maior. 
 
No entanto, segue a tendência de anos anteriores, com 41% das vagas concentradas na China.
 
Brasil, União Europeia, Índia e Estados Unidos são os outros principais mercados. “Juntos, eles representam a maioria das instalações de capacidade global e desempenham papéis importantes na fabricação de equipamentos, engenharia e serviços associados”, destaca a IEA.

Na média global, a energia solar fotovoltaica (PV) foi mais uma vez a maior empregadora em 2022, alcançando 4,9 milhões de empregos, mais de um terço da força de trabalho total no setor das energias renováveis.
 
Geração hidrelétrica e biocombustíveis mantiveram as estimativas próximas a 2021, com cerca de 2,5 milhões cada, seguidos pela energia eólica com 1,4 milhão de empregos.

Fonte: Dialogos da Transição – Epbr

Demanda por metais de transição quintuplicará até 2050, mas oferta é limitada

Relatório da BloombergNEF publicado semana passada mostra que a demanda por metais para solar, eólica, baterias e veículos elétricos quintuplicará até 2050 – um mercado potencial de US$ 10 trilhões – mas o abastecimento é limitado.
 
De acordo com o Transition Metals Outlook da BNEF, falta investimento, ao passo que os riscos relacionados à mineração e ao esgotamento de reservas tendem a aumentar.
 
“A transição energética colocou as matérias primas em evidência”, comenta Kwasi Ampofo, chefe de metais e mineração da BNEF.
 
Principal autor do relatório, ele explica que a transição representa uma oportunidade tanto quanto uma responsabilidade.
 
“A mineração responsável deve ser o pilar da extração dos recursos necessários para atender a esta demanda. A mineração é a base da transição energética, portanto, a indústria deve liderar o caminho, descarbonizando sua própria pegada”.
 
O risco-país continua sendo o principal obstáculo para novos projetos de mineração, uma vez que o suprimento está concentrado em poucos países. 

Fonte: OUTRASMIDIAS

 A preocupação é com políticas que priorizam o fornecimento de minerais críticos para o mercado doméstico e a criação de impostos mais altos sobre os recursos.
 
Na América Latina, por exemplo, Bolívia, Argentina, Chile e México estudam uma parceria aos moldes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o lítio – matéria-prima essencial para as baterias de veículos elétricos.

O México também está se aliando ao Norte, com EUA e Canadá, para proteger as cadeias de suprimentos. Vale dizer que os EUA são quase que totalmente dependentes da importação de minerais críticos – e hoje a maior parte da produção está concentrada na China.
 
Na Europa, a Noruega espera que o acesso a matérias-primas essenciais para produção de baterias possa se tornar uma moeda de troca nas exportações para outros países do bloco. 

Outra conclusão é que a transição energética levará a um declínio nos materiais utilizados nas tecnologias de geração fóssil.
 
Em 2050, a demanda de metais das usinas elétricas baseadas em combustíveis fósseis (carvão e gás) deve corresponder a menos de 6% da demanda total na geração de energia no cenário conservador da da BNEF. 
 
Enquanto isso, o consumo de metais em energias renováveis e no armazenamento de baterias mais do que dobram no mesmo período.
 
“Apesar da perspectiva de baixa para os metais usados nas tecnologias de combustíveis fósseis, a transição energética pode levar a um super-ciclo para a indústria metalúrgica e de mineração”, defende Yuchen Huo, analista de metais e mineração da BNEF.
 
Necessidade de capital versus desconfiança dos investidores. Ashish Sethia, chefe global de commodities da BNEF, explica que o setor tem um triplo desafio: aumentar a oferta, manter os custos baixos e reduzir sua pegada ambiental e de carbono.


“É como ter que encontrar a resolução para um cubo mágico. Não é fácil, mas também não é impossível”.
 
Uma recomendação do estudo para as empresas enfrentarem o entrave da captação de financiamento é melhorar o desempenho ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês).
 
Isso ajudaria a reduzir a desconfiança causada pela recente volatilidade do mercado e a complexidade do desenvolvimento de novas minas.

Fonte: Diálogos da Transição- Epbr



Geração distribuída atinge 16 GW no Brasil em novembro, e quase dobra em relação ao ano passado.

A geração distribuída de energia alcançou no final de novembro 16 gigawatts (GW) no Brasil, quase dobrando de capacidade em relação ao acumulado até o final do ano passado, mostram dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
 
A maior parte (98%) vem de painéis solares fotovoltaicos instalados próximos aos centros de consumo, como telhados de edifícios, casas e comércios ou grandes terrenos.
 
Aliás, a classe residencial lidera em potência instalada, com 7,7 GW e mais de 1,4 milhão de unidades consumidoras. Em seguida vem comercial (4,6 GW), rural (2,3 GW) e indústria (1,1 GW). O restante fica com serviços e iluminação públicos.
 
Por estado, Minas Gerais segue no topo do ranking com 2,3 GW e é seguido de perto por São Paulo, com 2,1 GW – os dois estados oferecem benefícios tributários para geração de energia renovável.
 
Os dados estão em linha com previsões feitas pelo setor no início de 2022 de que este seria o ano da corrida ao sol.
 
Em janeiro, Jair Bolsonaro (PL) sancionou uma lei colocando prazo para o fim de subsídios à geração distribuída. Pelo texto, quem solicitasse acesso a sistemas de geração própria renovável até o início de janeiro de 2023 continuaria usufruindo da isenção de custos relacionados ao uso da rede de energia até 2045.
 
Quem entrar no segmento depois passará a pagar progressivamente pelos custos que hoje são pagos pelos demais consumidores.

Mas esse prazo pode ser estendido. Associações do setor solar e de GD tentam avançar no Congresso com um projeto de lei para prorrogar por mais um ano a entrada de novos consumidores na modalidade.
 
O PL 2703/2022, que prorroga em seis meses a data limite de transição, já foi aprovado na Câmara e aguarda uma decisão do Senado.

Fonte: Diálogos da Transição- Epbr

G7 lança clube do clima e pode padronizar commodities verdes. O G7 é formado por Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Canadá, Estados Unidos e União Europeia

O grupo das sete maiores economias mundiais lançou no dia 12/12 um clube internacional do clima para acelerar ações de cortes de emissões, especialmente na indústria. 
 
Em comunicado, a Alemanha, presidente do G7, define como escopo inicial do clube a descarbonização de setores industriais intensivos em carbono e mais difíceis de cortar emissões – por seu potencial de maior impacto nas ambições climáticas. 
 
Outros setores com potencial substancial de mitigação de gases de efeito estufa (GEE) podem ser incluídos depois.
 
De acordo com o ministro da Economia e vice-chanceler da Alemanha, Robert Habeck, o G7 pretende estimular um mercado para commodities “favoráveis ao clima”, como aço e cimento verde.
 
Na prática, funcionará como mais um fórum intergovernamental de discussão. Mas o foco na indústria intensiva e o poder econômico dos países membros pode ajudar a costurar acordos, por exemplo, em torno do hidrogênio de baixo carbono – a grande promessa de descarbonização da energia. 

Um dos pilares de trabalho do grupo é a “transformação da indústria” e, para isso, pretende “alinhar, na medida do possível”, metodologias, padrões, estratégias e marcos setoriais para produtos industriais verdes.
 
“Dado o papel importante do hidrogênio nos processos futuros da indústria, as discussões exploratórias também devem incluir um sistema de contabilidade comum para as pegadas de GEE do hidrogênio. Isso será feito por meio do apoio e do trabalho com iniciativas relevantes mais amplas”, explica o comunicado.
 
Essas iniciativas incluem a Agenda de Descarbonização Industrial (IDA) do G7, o Pacto de Ação para o Hidrogênio (HAP), a Agenda Breakthrough, a Iniciativa de Descarbonização Industrial Profunda do Ministério da Energia Limpa (IDDI) e a Coalizão First Movers.

Embora não seja um clube fechado, para participar, é preciso estar de acordo com alguns critérios, entre eles “a plena e efetiva implementação do Acordo de Paris”, com esforços compatíveis com a ambição de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o fim do século.
 
O G7 também pediu à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e à Agência Internacional de Energia (IEA) para hospedar um secretariado interino. Veja aqui o termo de referência do clube (.pdf)

Fonte: Diálogos da Transição/Epbr

NEUTRALIDADE DE CARBONO: CAMINHOS PARA O SETOR DE ENERGIA

Esse texto é baseado no artigo Neutralidade de carbono: reflexões sobre estratégias e oportunidades para o Brasil, publicado na Revista do BNDES 56.

Em 2021, o Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu seu sexto relatório e cobrou ações imediatas, em escala global, para limitar o aquecimento médio global ao máximo de 2°C, e preferencialmente a 1,5°C, em relação aos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris.

A urgência de mobilizar esforços é baseada em estudos que indicam que um aumento de temperatura acima desses limites poderia gerar mudanças climáticas irreversíveis, comprometendo não só os modos de vida e de produção atuais, mas a própria existên­cia humana no planeta.

Dados científicos mostram que o aquecimento global decorre, fundamentalmente, da ação do homem – em virtude do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) a partir da era industrial. Assim, a solução que vem sendo desenhada globalmente, capitaneada pelos países industrializados, prescreve uma drástica alteração nos sistemas de produção e consumo de ener­gia. A mudança passa por evitar as emissões de GEEs ou por fazer com que sejam compensadas por meio da captura de um volume de COequivalente, com o objetivo de chegar a emissões líquidas iguais a zero até 2050.

O que é preciso para zerar as emissões de carbono?

Relatório elaborado pela Agência In­ternacional de Energia (IEA, 2021) deixa claro o desafio da mudança necessária no setor de energia mundial para zerar as emissões de carbono. Ele aponta que, entre 2030 e 2050, o consumo de energia deverá permanecer restrito ao patamar de 550 exajoules anuais, o que significa realizar, ainda nesta década, uma redução de cerca de 8%. Essa limitação representa um desafio considerável em um contexto de demanda energética crescente – já que a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões em 2050 e o PIB global tem previsão de ser mais que o dobro do atual.

O estudo aponta que, simultaneamente a uma eletrificação maior da economia, será preciso que a geração de energia elétrica tenha suas emissões reduzidas em cerca de 60% até 2030 e alcance emissões líquidas negativas em 2050. A mudança envolve uma alteração significativa na composição da matriz energética mundial, com redução radical das fontes fósseis – petróleo, gás natural e carvão – e incremento de renováveis, como mostra o gráfico a seguir.

Para além disso, frente à demanda de energia mundial e ao potencial impacto econômico, social e tecnológico dessa transição, outras soluções vêm se destacando. Duas rotas tecnológicas, em especial, podem atuar como verdadeiros catalisadores da redução de emissões a partir de meados da década de 2030: o uso do hidrogênio como energético e as tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, do inglês carbon capture, utilization and storage). Isso porque ambas contribuem para remoção de carbono (antes ou depois da combustão) em setores de difícil descarbonização.

Tecnologias CCUS

Essas tecnologias têm o objetivo de capturar o CO2 de grandes fontes emisso­ras, como termelétricas e indústrias que utilizam combustíveis fósseis ou biocombustíveis, assim como diretamente da atmosfera (carbon direct air capture technologies).

Elas são o único grupo de tecnologias que, além de contribuir diretamente com a redução de emissões em setores-chave, como as indústrias de cimento, siderurgia e química, podem auxiliar a equilibrar as emissões inevitáveis em outros setores, como aviação e transportes de longa distância. Constituem assim uma tecnologia crítica para o alcance do objetivo de neutralidade nas emissões.

Entenda como funcionam:

Hidrogênio e CCUS

A viabilização do uso do hidrogênio como energético, dentre outros desafios, depende de sua produção com baixa emissão de carbono, o que, por sua vez, decorre da rota de produção utilizada. Isso porque ele é derivado de outros elementos, como a água ou o me­tano, maior componente do gás natural. No Brasil, há algumas oportunidades relacionadas a isso.

A primeira seria a produção por meio da eletrólise da água, que requer uma fonte de eletricidade limpa, como solar e eólica. A vocação do Nordeste brasileiro para esse tipo de geração e a relativa proximidade do mercado europeu para eventual expor­tação dariam uma vantagem competitiva ao país nesse tipo de produção. Esse é o chamado hidrogênio verde. No entanto, ainda são necessários desenvolvimentos tecnológicos para viabilizar, economicamente, essa produção em larga escala – em 2020, menos de 0,1% da produção mundial dedicada de hidrogênio ocorreu por essa rota.

A segunda via de produção é derivada da reforma a vapor do gás natural, rota que respondeu por mais de 80% de todo o hidrogênio produzido no mundo em 2020. Como esse processo emite CO2, é importante que esteja atrelado ao uso de CCUS, garantindo a produção do hidrogênio com baixos níveis de emissão, a custos competitivos. Essa rota é estratégica para dar escala ao uso do hidrogênio como energético e, portanto, para a própria transição para uma economia de baixo carbono. As enormes reservas de gás natural no pré-sal favorecem que o Brasil também seja um grande produtor de hidrogênio a partir dessa rota.

Por fim, é importante ressaltar que o padrão de emissões brasileiro é muito diferente do resto do mundo. O setor de energia, na média mundial, responde por mais de 80% das emissões. No caso do Brasil, que conta com uma matriz energética bastante limpa, o setor de energia é responsável por apenas 19% das emissões. Por isso, o país tem a chance de potencializar inúmeras vantagens competitivas que podem aumentar seu nível de riqueza e bem-estar social, de forma sustentável, colaborando como um dos principais atores no enfrentamento do aquecimento global.

Fonte: BNDES

Mas afinal qual é a verdadeira taxa de desmatamento da Amazônia?

Muito se tem falado, sobre o desmatamento na Amazônia, mas independente do viés politico de cada um, o que dizem os números? Como se calcula a taxa de desmatamento? Como ela evoluiu ao longo dos anos?

Em primeiro lugar, é importante notar, que nem deveríamos estar tratando de “taxa de desmatamento” como se este fosse um indicador adequando para o planeta ( nossa casa lembram-se?). Deveríamos, sim, estar falando de uma taxa de recomposição da mata nativa, já que estamos cansados de saber que o Brasil é um pais de dimensões continentais, e o agronegócio não necessita desmatar para plantar pois tem áreas agriculturáveis e pastagens imensas….mas enfim vamos voltar ao tema desmatamento.

Como se mede o desmatamento?

Primeiro precisamos entender como é feita esta medição. Talves, para a surpresa de muitos, o sistema de detecção por satélites do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, é feito por um programa chamado Prode. O órgão faz esse monitoramento por satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental, e pode ser visualizado de forma dinâmica pelo site TerraBrasilis.

Sobre TerraBrasillis

O TerraBrasilis é uma plataforma desenvolvida pelo INPE para organização, acesso e uso através de um portal web dos dados geográficos produzidos pelos seus programas de monitoramento ambiental. Apenas para que conheçam a “cara” do portal web, segue uma foto de hoje, 17/10/22, em amarelo se pode ver a área desmatada na Amazônia Legal. Lembrando que o TerraBrasilis não tem o papel de analisar os dados, e muito menos fiscalizar se o desmatamento aumento ou diminuiu; eles apenas utilizam o conhecimento cientifico, para indicar os dados, e cabe ao Governo fazer as politicas publicas adequadas a solução do problema.

Mas vamos aos dados…vamos conhecer a Taxa de desmatamento da Amazônia

O gráfico abaixo, extraído do próprio Prodes, indica o desmatamento, ano a ano, em Km². Em números absolutos, é possível conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, foi de 25,4 mil quilômetros quadrados. No ano seguinte, a área destruída cresceu para 27,8 mil km².

A partir de 2005, porém, houve uma queda nesses índices.

Foram 19 mil km² naquele ano, seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e 7 mil (2010).

São números que qualquer cidadão pode entrar e pesquisar sem a ajuda de ninguém; pois os dados estão abertos ao publico, pesquisadores, políticos, estudantes, etc

É sempre importante também destacar que durante toda a década de 90 e final da década de 80, o desmatamento era altíssimo, um problema cronico, cujo pico máximo foi alcançado no ano de 1995 com um desmatamento recorde de 29.100 Km² !

Já ao longo dos anos de 2003 a 2011, a taxa de desmatamento caiu 67%, claro que a partir de um pico em 2004 de 27.400 Km², muito elevado.

Os números continuaram em queda durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.

O desmatamento em 2002, quando o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso, foi de 21,6 mil km².

Já em 2018, último ano de Michel Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma proporção três vezes menor.

A partir de então, a área destruída só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram um aumento nas taxas do Inpe.

No primeiro ano do atual governo, em 2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².

Os índices continuaram em ascensão em 2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão disponíveis.

Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos do atual governo, tomando como base a referencia de 2018 ( 7,5 Km²).

Taxa de desmatamento acumulada por Estados

Muitas vezes pensamos que maior taxa de desmatamento, está ocorrendo o Estado do Amazonas, por uma questão de nomenclatura, todavia o Estado campeão de desmatamento é na verdade o estado do Pará ( 34,6%), seguido pelo Mato Grosso ( 32%), depois Rondônia ( 13,7%) e ai aparece o Estado do Amazonas com 6,5% e o Maranhão em quinto lugar com 5,5%. De qualquer forma, a soma de toda a área desmatada é gigantesca, 470.275 Km², um pouco menor que a Alemanha ( 357.588 Km²) e a Inglaterra (130.279 Km²) juntas!

Créditos: INPE/TerraBrasilis/BBC News Brasil