A tendência de eventos climáticos extremos como o de Petrópolis/RJ, vem sendo observada em vários lugares do mundo e deve ficar cada vez mais frequente  – só no Brasil, tivemos situações semelhantes em São Paulo, no início do ano, e no sul da Bahia, no final do ano passado. 

O alerta não é novo – em agosto do ano passado, o relatório mais recente do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) mostrou que o aquecimento médio de 1°C fez com que as inundações aumentassem 30%.

Episódios de chuvas extremas já estão correndo com volume de água 6,7% maior, podendo chegar a 30,2% no pior dos cenários.

Os cientistas do IPCC agora trabalham na segunda parte do relatório, com foco em adaptação, cuja publicação está prevista para 28 de fevereiro.

O documento deve trazer indicações do que o mundo precisa fazer para se adaptar a chuvas intensas e inundações, ou secas prolongadas e incêndios, por exemplo.

A grande questão é se os líderes globais estão dispostos a agir para solucionar o problema.

“Na COP26 não chegamos a um bom resultado com relação a esse olhar para racismo ambiental. Não conseguimos destravar o fundo de perdas e danos para apoiar países mais vulneráveis na recuperação dos prejuízos que as mudanças climáticas estão gerando”, comenta JP Amaral, coordenador do programa Criança e Natureza no Instituto Alana. 

A conferência climática de Glasgow em novembro do ano passado ficou marcada pelas promessas dos países para evitar mudanças catastróficas, mas falhou em conseguir levantar os recursos necessários para perdas e danos – uma demanda que se arrasta após anos de negociações.

Países ricos prometeram, em 2009, mobilizar US$ 100 bilhões anuais para os países pobres. A promessa não cumprida foi adiada para 2023.

A expectativa é que a COP27, que será realizada este ano, no Egito, se debruce sobre a questão.

“O Egito deve trazer uma pauta mais do Sul global, falando sobre justiça climática, em especial pelo continente africano. Esperamos mesmo que isso avance, porque enquanto estamos discutindo meta para daqui dez, vinte, quarenta anos, temos uma realidade latente em vários países pobres que já estão sofrendo essas consequências”.

E essas consequências são sentidas de forma mais intensa e frequente pelas populações negras e periféricas, diz JP Amaral, porque é justamente onde a infraestrutura é precária para evitar desastres.

  • Os eventos climáticos e meteorológicos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade como resultado da mudança climática, atingindo comunidades vulneráveis ​​de forma desproporcional, revelou um novo relatório da ONU, que pede um maior investimento em sistemas eficazes de alerta precoce.
  • “Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), no prefácio do relatório.

Relatório sobre o Estado dos Serviços Climáticos 2020: Mudança de Alertas Antecipados para Ação Antecipada, divulgado nesta terça-feira (13) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, destacou a necessidade de previsões baseadas em impactos — uma evolução na percepção de “como estará o clima” para “o que o clima poderá fazer”, com o objetivo de permitir que pessoas e empresas possam agir com antecedência, com base nos alertas.

“Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, no prefácio do relatório.

Ele também destacou que, embora possa levar anos para se recuperar das perdas humanas e econômicas da pandemia de COVID-19, é crucial lembrar que as mudanças climáticas continuarão a representar uma ameaça contínua e crescente para vidas humanas, ecossistemas, economias e sociedades nos séculos vindouros.

Créditos: ONU e Diálogos para a Transição/Epbr

Cinco países, entre eles o Brasil, podem adicionar 2,2 milhões de empregos com energia eólica, em Relatório divulgado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC).

Credito: foto de Ed White

Esses novos postos de trabalho seriam gerados ao longo de uma vida útil de 25 anos de projetos eólicos e quase 20 gigawatts (GW) de instalações adicionais no Brasil, Índia, África do Sul, México e Filipinas.

Relatório divulgado em 17/fev ultimo pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), aponta que uma recuperação verde movida a energia eólica pode criar mais de 2,2 milhões de empregos em cinco países.

Ainda de acordo com o documento, os 20 GW seriam suficientes para abastecer cerca de 25 milhões de residências a cada ano a partir de 2026 e potencialmente evitar a emissão de 714 milhões de toneladas de CO2 equivalente durante a vida útil dos parques.

O cálculo é feito sobre quanto poderia ser adicionado além do que está previsto.

No Brasil, o cenário de recuperação verde do GWEC considera que a instalação de 16 GW de capacidade – ante os 11 GW previstos atualmente – entre 2022-2026, poderia criar 1,35 milhão de empregos no país.

No cenário de 11 GW, que considera os contratos assinados atualmente, a previsão é de 750 mil postos de trabalho.

O Brasil fica atrás apenas da Índia. No país asiático, está programada a instalação de 21,5 GW até 2026, mas o GWEC indica um potencial de chegar a 31,2 GW, elevando a quantidade de oferta de trabalho de 1,5 milhão para 2,65 milhões.

A organização calcula que, para alcançar o objetivo internacional de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C até o final do século, o volume anual de instalações de energia eólica deve aumentar cerca de quatro vezes na próxima década.

“À medida que entramos em 2022, estamos vendo a geração a carvão no caminho para atingir um pico recorde, os preços do gás natural em máximas históricas e – como previsto – as emissões se recuperando juntamente com a recuperação econômica”, comenta Ben Backwell, CEO do GWEC.

O executivo afirma que o setor é particularmente atraente para economias emergentes onde a transição energética se torna mais complexa.

É preciso eliminar combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, garantir crescimento econômico e atender à demanda de eletricidade em rápida expansão.

“A recuperação verde, incluindo estímulos e investimentos públicos direcionados, bem como reformas políticas que melhorem o ambiente propício para uma economia verde, podem contribuir muito para colocar o mundo no caminho certo para atingir as metas climáticas internacionais e aumentar a resiliência do sistema energético”, completa.

Embora o relatório inclua apenas cinco estudos nacionais, resultados semelhantes podem ser alcançados por outros países. Veja a íntegra em inglês (.pdf) 

A análise da experiência internacional da indústria descobriu que normalmente uma taxa de instalação de 1 GW/ano ao longo de cinco anos poderia criar quase 100 mil novos empregos e US$ 12,5 bilhões de valor agregado bruto para as economias nacionais ao longo da vida útil dos parques eólicos.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição.

Estudo publicado na revista Science, revela centenas de ultra queimas de metano em instalações de petróleo e gás, baseado em observações do satélite Sentinel-5P da ESA- European Space Agency, feito pela Carbon Mapper que é parte de um time internacional de cientistas liderados pelo Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France).

Ultra-emitting facilities are responsible for 10% of global oil and gas methane emissions yet are currently missing from most inventories.

Pasadena, California—February 3, 2022— Carbon Mapper is part of an international team of scientists led by the Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France) with the analytics firm Kayrros, Duke University’s Nicholas School for the Environment, and The Cyprus Institute’s Climate and Atmospheric Research Centre (Cyprus) that identified oil and gas facilities emitting significant amounts of methane in sporadic bursts. These emissions have a significant climate impact yet are not completely accounted for in existing emissions inventory estimates.

This peer-reviewed research was published today ( Feb, 3) in the journal Science.

The team performed a systematic analysis of thousands of images produced daily by the European Space Agency satellite mission Sentinel-5P to estimate the amount of methane released into the atmosphere by oil and gas production activities. Over a two-year period, they detected 1,200 “ultra-emitters” attributed to oil and gas facilities and along major transmission pipelines that sporadically release greater than 25 tons of methane per hour over most of the largest oil and gas basins worldwide. Together, these facilities represent more than 50% of the total onshore natural gas production. Most of the ultra-emitters were short-lived and many are likely due to planned maintenance activities.
The study focused on six top oil and gas producing countries where ultra-emitting activities are particularly frequent and revealed that in total, these unreported releases contribute to approximately 10% of all methane emissions from these country’s oil and gas operations. This is an incredibly large contribution for such a limited number of events.

These methane sources also represent billions of dollars in subsequent costs when considering their climate impact and natural gas loss. Mitigating these emissions represents the equivalent of taking 20 million vehicles per year off the road, and the avoided warming would prevent approximately 1,600 premature deaths annually due to heat exposure.

Collaborating scientists Riley Duren and Daniel Cusworth from Carbon Mapper, the University of Arizona, and the NASA Jet Propulsion Laboratory contributed analysis based on their team’s experience studying methane emissions with remote sensing aircraft that complement the Sentinel-5P data with observations at higher spatial resolution and lower detection limits.

“To our knowledge, this is the first worldwide study to estimate the amount of methane released into the atmosphere by maintenance operations and accidental releases,” said Thomas Lauvaux, CNRS research scientist of the French Make Our Planet Great Again program at LSCE. “Unreported ultra-emitters explain in part the under-estimation in official oil and gas reported emissions by countries as documented by previous studies. The atmospheric monitoring approach enabled by recent satellite missions provides a unique perspective on oil and gas activities, and the potential to mitigate these large releases of methane.”

Several recent studies have demonstrated that oil and gas emissions are often underestimated by conventional accounting methods due to the absence of a global monitoring system able to track high emissions sources including leaks and planned venting. Therefore, the identification and quantification of these sources has significant implications for individual country emissions inventories, as well as global methane emissions estimates which have risen in international importance with the Global Methane Pledge.

“This work confirms what we have only glimpsed in previous studies of individual facilities and regions: that intermittent, large releases of methane from oil and gas operations are common globally and are mostly unreported,” said Riley Duren, Carbon Mapper Chief Executive Officer. “In this critical decade for climate action, this underscores the urgent need for persistent global observing systems that can detect, pinpoint and quantify methane emissions at scales relevant to decision making.”

“Our study supplies a first systematic estimate of large methane leaks that can only be seen from space, showing how these detections relate to wider methane monitoring processes,” added Alexandre d’Aspremont of Kayrros. “This is a giant step towards overcoming the current limitations of the methane reporting system which is critical to meeting COP26 commitments to slash methane.”

The study concluded that readily available and cost-effective strategies such as enforcing leak detection and repair strategies or reducing venting during routine maintenance and repairs can significantly reduce these ultra-emitters in the near-term.
“We find that capturing the methane from these ultra-emitters provides enormous benefits via reduced climate change and improved air quality. Society would come out billions of dollars ahead by eliminating the emissions from these sources,” said Dr. Drew Shindell from Duke University. “As the captured methane is a valuable commodity, the companies or countries capturing the wasted gas also typically come out ahead.”


About Carbon Mapper

Carbon Mapper is a non-profit organization focused on facilitating timely action to mitigate greenhouse gas emissions. Its mission is to fill gaps in the emerging global ecosystem of methane and CO2 monitoring systems by delivering data at facility scale that is precise, timely, and accessible to empower science-based decision making and action. The organization is leading the development of the Carbon Mapper constellation of satellites supported by a public-private partnership composed of Planet, NASA’s Jet Propulsion Lab, the California Air Resources Board, the University of Arizona, Arizona State University, and RMI, with funding from High Tide Foundation, Bloomberg Philanthropies, The Grantham Foundation, and other philanthropic donors. Learn more at carbonmapper.org and follow us on Twitter @carbonmapper.

Creditos: Space.com

Energia Solar dever ter investimentos de R$ 50,8 bilhões no Brasil em 2022

Os novos investimentos privados no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil poderão ultrapassar a cifra de R$ 50,8 bilhões em 2022, com a adição de mais de 11,9 GW de potência instalada, somando os segmentos de geração distribuída e geração centralizada. As projeções são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Poderão ser gerados mais de 350 mil novos postos de trabalho; na sua maioria, empregos qualificados.

O acréscimo de potência solar fotovoltaica no ano deve representar um crescimento de mais de 91,7% sobre a capacidade instalada atual do país, que é de 13 GW.

Para a GD, a entidade projeta um crescimento de 105,0% frente ao total instalado até 2021, passando de 8,3 GW para 17,2 GW. Já na geração centralizada, o crescimento previsto será de 67,8%, saindo dos atuais 4,6 GW para 7,8 GW. Assim, a fonte solar fotovoltaica alcançará um total de quase 25 GW.

A fonte deverá gerar mais de 357 mil novos empregos neste ano, espalhados por todas as regiões do país. As perspectivas para o setor solar são de chegar ao final de 2022 com um total acumulado de mais de 747 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre todos os elos produtivos do setor.

A maior parcela destes postos de trabalho deverá vir do segmento de geração distribuída solar, que serão responsáveis por mais de 251 mil empregos neste ano. Dos R$ 50,8 bilhões de investimentos previstos para este ano, a GD corresponderá a cerca de R$ 40,6 bilhões.

A entidade projeta, ainda, que o setor solar fotovoltaico brasileiro será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais de mais de R$ 15,8 bilhões este ano.  

A Absolar acredita que 2022 poderá ser “o melhor ano da energia solar na história do Brasil desde 2012”, com o maior crescimento do mercado e do setor na última década. De acordo com análise da entidade, a geração própria de energia cresce a passos largos e deverá praticamente dobrar a potência operacional anualmente instalada, uma vez que a recente sancionada Lei 14.300/2022 irá impulsionar a demanda do mercado.

Além disso, o aumento nas tarifas de energia elétrica segue com tendências de elevação, pesando no bolso do consumidor que procurará uma solução para diminuir as despesas.

Já na geração centralizada, o forte crescimento de mercado previsto é impulsionado principalmente pelo avanço da fonte solar no mercado livre de energia elétrica, que deverá ser responsável pela maior parcela das grandes usinas previstas para entrar em operação comercial no ano de 2022.

Fonte: Brasil Energia

Mercado global aposta nos carros elétricos, inclusive no Brasil

Executivos da indústria global de automóveis acreditam que 41% dos novos veículos vendidos no Brasil em 2030 serão elétricos. Na Índia, se espera que no fim da década a participação de veículos elétricos (EVs) será de 39%. O Brasil tem uma enorme vantagem de poder associar a eletricidade produzida com energias renováveis ( hídrica, solar e eólica) com uma infraestrutura industrial automotiva capaz de produzir carros elétricos, em escala, muito rapidamente. Praticamente todas as montadoras mundiais tem base industrial no Brasil.

A percepção foi identificada na 22ª edição da Pesquisa Executiva Anual do Setor Automotivo Global 2021 (GAES), da KPMG, que ouviu 1.118 executivos – incluindo 372 CEOS  – em 31 países.

Em mercados mais bem desenvolvidos, como Japão, China, Estados Unidos e países da Europa Ocidental, os executivos acreditam que os EVs representarão metade do mercado automotivo.

A consultora perguntou qual porcentagem estimada de vendas de veículos novos alimentados por bateria, excluindo híbridos, dentro de cada mercado, até 2030. E, claro, é reflexo de pressões institucionais e de mercado dentro da agenda climática. 
 
Os executivos automotivos globais estão confiantes que esta indústria terá um crescimento mais lucrativo nos próximos cinco anos e que a participação no mercado de veículos elétricos crescerá drasticamente até 2030”, declarou Flávia Spadafora, líder do setor Automotivo da KPMG no Brasil, para Epbr- Diálogos da Transição.

E o que estão comprando por aqui? Com o balanço de 2021, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) comemorou nesta quinta (6/jan) que o mercado bateu todas as previsões ao saltar de 801 elétricos puros (BEVs) licenciados em 2020 para 2.851, no ano passado.
 
Com comerciais leves híbridos (HEVs), híbridos plug-in (PHEVs) – e olha o etanol aí–, foram 34.990 emplacamentos no total, aumento de 77% sobre os 19.745 de 2020. Isto é, apenas 8% das novas vendas são de elétricos puros.  Em um mercado no qual a crise econômica está matando as linhas populares, os elétricos ainda são bem caros. A liderança em vendas segue com o Leaf Tekna, da Nissan (R$ 264 mil na tabela Fipe), seguido pelo Taycan, esportivo elétrico de luxo da Porsche que pode passar dos R$ 600 mil. A produção em larga escala deveria reduzir os custos de produção e consequentemente os preços de venda !

Desafios para adoção de veículos elétricos

Entre os desafios apontados por executivos ouvidos pela KPMG para a adoção de veículos elétricos pelos consumidores está a redução no tempo de recarga das baterias.

Para 77% dos entrevistados os consumidores deverão exigir tempos de recarga inferiores a 30 minutos ao viajarem. Atualmente, a maior parte das estações de carregamento demoram mais de três horas.

Estima-se que um carro elétrico demande 6 vezes mais recursos minerais que um automóvel convencional.

No ano passado, a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) alertou que somente a demanda por lítio, por exemplo, deve crescer 40 vezes nas próximas duas décadas.

Grafite, cobalto e níquel terão uma demanda entre 20 e 25 vezes maior, na comparação com o mercado atual.

Créditos: Epbr- Diálogos da Transição



Qual a verdadeira prioridade para o Brasil na transição energética? A destruição da floresta responde por 40% das emissões totais de CO2 do Brasil.

Enquanto todas as emissões de CO2 do Brasil da agricultura , pecuária, indústria , siderurgia, petróleo e gás, etc, respondem por 1.169 Mton CO2 eq/ano, somente as queimadas e o desflorestamento respondem por mais de 788 Mton CO2 eq/ano, dados do SEEG- Observatório do Clima de 2018, ou seja mais de 40% das emissões de CO2 se devem a causas que nunca deveriam estar acontecendo! Por mais que sejam importantes as ações que os diversos setores citados estão fazendo, e são, para chegarmos as metas estabelecidas pelo Brasil em Glasgow na Escócia, para controlar o aumento da temperatura do planeta em no máximo 1,5 ºC até 2050; a destruição da floresta deveriam simplesmente parar, ser ZERO!

Estes dados fizeram parte de uma Webinar sobre Transição Energética, promovida pelo CEBRI- Centro Brasileiro de Relações Internacionais , em abril/20, na qual o ex-ministro Joaquim Levy fez uma brilhante exposição sobre as relações entre a Transição Energética e o crescimento do PIB. Nesta apresentação, foi mostrado este quadro abaixo, que fala por si só.

O mais preocupante, é que após 2018, os dados de desmatamento só pioraram, notadamente dados divulgados pelo Brasil, sintomaticamente pós COP 26.

É logico que se olharmos somente para o total, excluindo o desmatamento, ainda encontramos quase 48% deste valor de 1.169 Mton CO2 eq/ano devidos a pecuária e a agricultura, mas todos sabemos que a agricultura no Brasil está altamente desenvolvida tecnologicamente e não necessita desmatar para ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e mesmo a pecuária tem muitas áreas disponíveis para crescer sem necessidade de desmatamento. O desmatamento ilegal, é o maior problema do Brasil.

Para reforçar este conceito, vejam que as emissões de origem fóssil do Brasil, quando medidas per capita e em relação ao PIB de cada pais , mostra o Brasil em uma posição até confortável, quando comparado com outras economias do mundo, como nos mostra o Ex-ministro Joaquim Levi, no quadro abaixo.

Isto não significa que nada precisa ser feito, mas primeiro o Brasil tem que parar de desmatar urgentemente, até para ter credibilidade internacional, para disputar os financiamentos que serão necessários para as energias renováveis do futuro, como a eólica offshore, a eletrificação com energias renovareis solar e eólicas, etc, campos que o Brasil tem um potencial gigantesco de gerar empregos altamente qualificados e ajudar o Brasil a crescer. Temos um grande desafio tecnológico com o Hidrogênio Verde, de convergência em decidir politicas publicas inclusivas para que a população do pais e as comunidades possam participar e se beneficiar desta transição energética, mas insisto TEMOS QUE PARAR DE DESTRUIR NOSSAS FLORESTAS.

Saiba mais em : http://seeg9-brasil-site.herokuapp.com/documentos-analiticos

Estudo aponta que 660 milhões de pessoas não terão acesso à energia elétrica em 2030

Enquanto estamos falando de Transição Energética, tema sem duvida, de altíssima importância, para o clima e para a sobrevivência do planeta, frente as mudanças climáticas; existe uma desigualdade brutal entre os países desenvolvidos que já estão discutindo a eletrificação, o uso do Hidrogênio Verde, energia eólica, solar offshore, etc; um estudo divulgado em junho/21, pela Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrando que 660 milhões de pessoas no mundo não terão acesso a energia elétrica em 2030.

Denominado Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021), o estudo mapeia as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7), que visa assegurar o acesso universal à energia segura, sustentável e moderna para todos.

Mesmo no Brasil, estudos da EPE – Empresa de Pesquisa Energética do MME – Ministério de Minas e Energia, o “Atlas de Eficiência Energética 2020” , dados de 2019, mostra que 27% das residencias brasileiras ainda utiliza a lenha como energia para cocção de alimentos !! Este numero já foi 38% em 2005, e o estudo mostrou que houve uma melhora significativa entre 2002 e 2014, em função da melhoria econômica das famílias, mas ainda é muito alto; ou seja mais de 1/4 das residencias no Brasil utiliza a lenha como energia !

Suspeitamos que nos últimos 2 anos, em função do desemprego, Covid-19, e outros fatores sócio-econômicos, estes números podem ter piorado novamente, mas ainda não temos dados para dizer.

Quase 1 milhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica na Amazônia. Este dado de 2019, faz parte de estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, que analisou a exclusão elétrica nos 9 estados que compõem a Amazônia Legal.

Temos sim que fazer uma transição energética justa, mas também inclusiva, para que 660 milhões de pessoas não fiquem de fora.

A boa noticia, é que uma das fontes mais abundantes na natureza, que é a energia solar, pode ser a solução para o problema dos países subdesenvolvidos e afastados dos grandes centros de produção de energia, áreas remotas como a Africa subsaariana, as vilas no interior da Amazônia, e em áreas rurais afastadas dos grandes centros em todo o mundo subdesenvolvido; desde que haja um esforço internacional coordenado, através de politicas publicas dos países ricos, que ajudem os países mais pobres a dar este salto qualitativo de inclusão em uma década. Precisa haver vontade politica para fazer.

O documento Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021) aponta avanços importantes na última década, que vai de 2010 a 2019, quando mais de um bilhão de pessoas obtiveram acesso à eletricidade em todo o mundo. A eletrificação por meio de soluções descentralizadas de base renovável, em particular, ganhou impulso e o número de pessoas conectadas a mini redes mais que dobrou entre 2010 e 2019, passando de 5 para 11 milhões de pessoas.

No entanto, de acordo com as políticas atuais e planejadas e posteriormente afetadas pela crise Covid-19, isso não será suficiente para universalizar o acesso à energia para toda população mundial.

Por outro lado, o impacto financeiro da Covid-19 tornou os serviços básicos de eletricidade inacessíveis para mais 30 milhões de pessoas, a maioria localizada na África Subsaariana. Atualmente, 759 milhões de pessoas ainda vivem sem eletricidade no mundo.

A América Latina e o Caribe têm a maior parcela dos usos modernos de energia renovável, graças à energia hidrelétrica para eletricidade, bioenergia para processos industriais e biocombustíveis para transporte. O Leste e o Sudeste asiático, assim como a América Latina e Caribe, estão se aproximando do acesso universal, com mais de 98% de sua população tendo acesso à eletricidade.

O relatório examina várias maneiras de preencher as lacunas para alcançar o ODS 7, sendo as principais delas dobrar o progresso em eficiência energética, a colaboração internacional e aumentar significativamente o uso de energias renováveis ​​- que se mostraram mais resilientes do que outras partes do setor de energia durante a crise do Covid-19.

Créditos : Canal Energia.com.br

Gerenciamento dos Ecossistemas Florestais- O papel das Comunidades Indígenas.

“As florestas ao redor do mundo desempenham um papel critico na manutenção dos sistemas climáticos. Os povos indígenas e as comunidades locais que dependem delas e as protegem, deveriam receber maior reconhecimento e suporte .”

Desflorestamento e degradação das florestas tropicais representam mais de 15% da emissão global de gases efeito estufa. No Brasil representam mais de 40%.

Source: ‘Falling Short’ 2021 Rainforest Foundation Norway.

Apenas um terço das florestas mundiais remanescentes, detêm uma importância capital no planejamento para limitar a 1.5°C o aquecimento global, fato este reconhecido pelo Pacto de Glasgow. A interação entre as florestas, a biodiversidade e manejo ambiental, indica a necessidade de maior atenção a estes temas como preocupação central para o futuro da estabilidade climática.

As próprias florestas , e seus habitantes humanos – Os Povos Indígenas e as suas Comunidades Locais (IPLCs – Indigenous Peoples and Local Communities ) – se evolvem conjuntamente, cada uma sendo um produto da outra. As IPLCs desempenham uma estrategia de manejo sustentável, contribuindo profundamente para a conservação da biodiversidade local.

Onde suas atividades recebem suporte, a taxa de desflorestamento é menor. As IPLCs gestionam pelo menos 17% da estocagem global de carbono, igual a 33 vezes o total global de emissões de gases efeito estufa em 2017.

Independente de suas contribuições, as terras e cultura das Comunidades Indígenas estão sob ataque, e seus serviços na maioria das vezes não tem apoio financeiro. Financiamento direto das nações e órgãos governamentais são raros, e usualmente os canais que são utilizados são as agencias da ONU ou ONGs nacionais e internacionais.

A segurança das terras indígenas é o pivô central para a sustentação das florestas, permitindo que as Comunidades Indígenas continuem a trabalhar. Programas de sustentação das terras e gerenciamento dos recursos florestais atraem aproximadamente US$270 milhões por ano; sendo que somente 17% direcionados as Comunidades Indígenas para a implementação de programas de apoio.

Somente 11% do “funding” recebido objetiva a a segurança das terras – contra uma estimativa dos recursos requeridos da ordem de US$8 bilhões. Sem garantia do uso do solo, as Comunidades Indígenas vão perder suas terras, assim como suas florestas continuarão a encolher. O custo de perdas humanas é incalculável; o clima global depende fundamentalmente do manejo destes recursos florestais.


As IPLCs necessitam, urgentemente de financiamento e suporte politico, e nós o planeta, necessitamos urgentemente que eles recebam este suporte.

Eles oferecem para nos uma esperança para reparar o relacionamento da humanidade com a natureza.

Crise de confiança ameaça resultados da COP26, diz relatório do Climate Crisis Advisory Group

Após um certo clima de euforia, pós-COP 26 onde se olhou o “copo meio cheio” pelo fato da Conferencia ter ocorrido e algumas das etapas previstas no Acordo de Paris, terem sido realizadas; agora se começa o olhar “o copo meio vazio”. Relatório publicado hoje (25) pelo Climate Crisis Advisory Group (CCAG) adverte que a quebra de confiança no sistema internacional coloca em risco os esforços para resolver a crise climática após a COP26. Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Segundo o documento a confiança no Pacto de Glasgow falhou profundamente em dois aspectos:

  • fornecimento de fundos pelas nações mais ricas para ajudar as nações menos favorecidas a lidar com os impactos da crise climática; e
  • compensação por perdas e danos sofridos pelos países mais pobres à medida que as nações mais ricas continuam com seus estilos de vida, fazendo modificações apenas quando sua qualidade de vida não é significativamente afetada.

“Embora não haja mais ambiguidade em torno do caminho para resolver a crise climática, ainda permanecem dúvidas: atingiremos a velocidade de progresso necessária para garantir um futuro gerenciável para a humanidade?”, questiona o CCAG.

Os pesquisadores alertam que os fundos prometidos até 2020, da ordem de US$ 100 bilhões, nunca se materializaram e dificilmente serão liberados até 2023, em um “golpe desastroso para a confiança entre as nações”. 

Já em relação à falha em compensar perdas e danos de países pobres, o grupo afirma que apesar de o documento final da COP26 ter estabelecido um cronograma para diálogo futuro sobre compensação, com garantia da inclusão do tema na agenda da próxima COP, houve fracasso em fornecer um caminho imediato para os países necessitados.

A urgência de compensar os países mais expostos aos danos causados pela crise climática ficou mais evidente no ano passado, à medida que o clima extremo devastou regiões com secas prolongadas e incêndios, invernos rigorosos, inundações e avanço do nível do mar.

Em um discurso emblemático durante a COP26, Simon Kofe, ministro das Relações Exteriores da ilha de Tuvalu, no Pacífico Sul, apareceu em vídeo, de terno e gravata, com água do mar até os joelhos, para destacar o impacto da mudança climática na nação insular.

A recusa de Estados Unidos e União Europeia de propostas de financiamento para perdas e danos agravou a crise de confiança, segundo os analistas.

“O que temos em mãos é uma quebra de confiança fundamental entre as nações ricas e pobres, com consequências catastróficas para o mundo. Sem uma recalibração das nações desenvolvidas sobre como abordam suas relações com os países mais pobres, mudanças na escala e no ritmo necessários para garantir o aquecimento global a 1,5 °C são quase impossíveis”, comenta David King, presidente do CCAG.

O relatório indica ainda uma estratégia tripla para resolver a crise climática:

  • Reduzir: As nações precisam triplicar suas promessas de corte de emissões urgentemente para fazer sua parte;
  • Remover: É preciso investimento crítico para desenvolver, pesquisar e dimensionar técnicas para remover gases de efeito estufa da atmosfera;
  • Reparar: Explorar e investigar métodos e tecnologias seguras que podem reparar peças de nossos sistemas climáticos danificados

As promessas da COP26 para pagar a conta do hidrogênio

O Brasil tem um potencial altíssimo de atrair investimentos na produção do Hidrogênio Verde, uma vez que nossa matriz energética já é predominamente atendida por fontes renováveis, hidrelétricas, eólicas e solar. O Brasil não pode desperdiçar a oportunidade de desenvolvimento, gerando empregos qualificados e renda” – Tulio Chipoletti

Enquanto aumenta a pressão por novas alternativas energéticas para substituir combustíveis fósseis e carvão, e avançar na eletrificação, cresce também a urgência de uma economia para o hidrogênio de baixo carbono.

Um dos destaques dessa COP26, inclusive, foi a entrada do compromisso com a redução gradual dos combustíveis fósseis no texto final da conferência. Paralelamente, países e empresas assinaram acordos nesse sentido.

Para avançar no hidrogênio, será preciso superar desafios como oferta, demanda, preço e regulação: Hidrogênio precisa vencer velho dilema da indústria de gás

Ao todo, 28 empresas de diferentes setores — mineração, energia, fabricantes de veículos e equipamentos e serviços financeiros — fizeram promessas cobrindo as categorias de demanda, oferta e suporte financeiro.

O Conselho de Hidrogênio estima que, em 2030, o potencial de descarbonização do hidrogênio pode chegar a aproximadamente 800 milhões de toneladas por ano de emissões evitadas de dióxido de carbono (CO2). 

As promessas (.pdf) anunciadas pelo grupo de 28 empresas equivalem a quase um quarto desse total.

Do lado da demanda, a diretriz é a substituição do hidrogênio cinza (a partir do gás natural) usado pelos setores de refino, produtos químicos e fertilizantes, ou do óleo diesel usado em indústrias pesadas. Representa uma demanda potencial de 1,6 milhão de toneladas por ano de hidrogênio com menor intensidade de carbono.

A expectativa é reduzir as emissões de CO2 em mais de 14 milhões de toneladas por ano — o equivalente às emissões anuais de mais de seis milhões de carros na Europa.

Do lado da oferta, as empresas pretendem colocar no mercado mais de 18 milhões de t/ano de hidrogênio verde (eletrólise) ou azul (gás natural com captura de carbono), e evitar a emissão de cerca de 190 milhões de t/ano de CO2.

Claire O’Neill, conselheira sênior do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês) diz que a intenção é que as promessas combinadas estimulem investimentos em fornecimento e inspirem outros consumidores a fazer a transição para o hidrogênio

Diálogos da Transição- Epbr : https://mailchi.mp/epbr/as-promessas-da-cop26-para-pagar-a-conta-do-hidrognio?e=030d9cf637