G7 lança clube do clima e pode padronizar commodities verdes. O G7 é formado por Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Canadá, Estados Unidos e União Europeia

O grupo das sete maiores economias mundiais lançou no dia 12/12 um clube internacional do clima para acelerar ações de cortes de emissões, especialmente na indústria. 
 
Em comunicado, a Alemanha, presidente do G7, define como escopo inicial do clube a descarbonização de setores industriais intensivos em carbono e mais difíceis de cortar emissões – por seu potencial de maior impacto nas ambições climáticas. 
 
Outros setores com potencial substancial de mitigação de gases de efeito estufa (GEE) podem ser incluídos depois.
 
De acordo com o ministro da Economia e vice-chanceler da Alemanha, Robert Habeck, o G7 pretende estimular um mercado para commodities “favoráveis ao clima”, como aço e cimento verde.
 
Na prática, funcionará como mais um fórum intergovernamental de discussão. Mas o foco na indústria intensiva e o poder econômico dos países membros pode ajudar a costurar acordos, por exemplo, em torno do hidrogênio de baixo carbono – a grande promessa de descarbonização da energia. 

Um dos pilares de trabalho do grupo é a “transformação da indústria” e, para isso, pretende “alinhar, na medida do possível”, metodologias, padrões, estratégias e marcos setoriais para produtos industriais verdes.
 
“Dado o papel importante do hidrogênio nos processos futuros da indústria, as discussões exploratórias também devem incluir um sistema de contabilidade comum para as pegadas de GEE do hidrogênio. Isso será feito por meio do apoio e do trabalho com iniciativas relevantes mais amplas”, explica o comunicado.
 
Essas iniciativas incluem a Agenda de Descarbonização Industrial (IDA) do G7, o Pacto de Ação para o Hidrogênio (HAP), a Agenda Breakthrough, a Iniciativa de Descarbonização Industrial Profunda do Ministério da Energia Limpa (IDDI) e a Coalizão First Movers.

Embora não seja um clube fechado, para participar, é preciso estar de acordo com alguns critérios, entre eles “a plena e efetiva implementação do Acordo de Paris”, com esforços compatíveis com a ambição de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o fim do século.
 
O G7 também pediu à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e à Agência Internacional de Energia (IEA) para hospedar um secretariado interino. Veja aqui o termo de referência do clube (.pdf)

Fonte: Diálogos da Transição/Epbr

NEUTRALIDADE DE CARBONO: CAMINHOS PARA O SETOR DE ENERGIA

Esse texto é baseado no artigo Neutralidade de carbono: reflexões sobre estratégias e oportunidades para o Brasil, publicado na Revista do BNDES 56.

Em 2021, o Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu seu sexto relatório e cobrou ações imediatas, em escala global, para limitar o aquecimento médio global ao máximo de 2°C, e preferencialmente a 1,5°C, em relação aos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris.

A urgência de mobilizar esforços é baseada em estudos que indicam que um aumento de temperatura acima desses limites poderia gerar mudanças climáticas irreversíveis, comprometendo não só os modos de vida e de produção atuais, mas a própria existên­cia humana no planeta.

Dados científicos mostram que o aquecimento global decorre, fundamentalmente, da ação do homem – em virtude do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) a partir da era industrial. Assim, a solução que vem sendo desenhada globalmente, capitaneada pelos países industrializados, prescreve uma drástica alteração nos sistemas de produção e consumo de ener­gia. A mudança passa por evitar as emissões de GEEs ou por fazer com que sejam compensadas por meio da captura de um volume de COequivalente, com o objetivo de chegar a emissões líquidas iguais a zero até 2050.

O que é preciso para zerar as emissões de carbono?

Relatório elaborado pela Agência In­ternacional de Energia (IEA, 2021) deixa claro o desafio da mudança necessária no setor de energia mundial para zerar as emissões de carbono. Ele aponta que, entre 2030 e 2050, o consumo de energia deverá permanecer restrito ao patamar de 550 exajoules anuais, o que significa realizar, ainda nesta década, uma redução de cerca de 8%. Essa limitação representa um desafio considerável em um contexto de demanda energética crescente – já que a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões em 2050 e o PIB global tem previsão de ser mais que o dobro do atual.

O estudo aponta que, simultaneamente a uma eletrificação maior da economia, será preciso que a geração de energia elétrica tenha suas emissões reduzidas em cerca de 60% até 2030 e alcance emissões líquidas negativas em 2050. A mudança envolve uma alteração significativa na composição da matriz energética mundial, com redução radical das fontes fósseis – petróleo, gás natural e carvão – e incremento de renováveis, como mostra o gráfico a seguir.

Para além disso, frente à demanda de energia mundial e ao potencial impacto econômico, social e tecnológico dessa transição, outras soluções vêm se destacando. Duas rotas tecnológicas, em especial, podem atuar como verdadeiros catalisadores da redução de emissões a partir de meados da década de 2030: o uso do hidrogênio como energético e as tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, do inglês carbon capture, utilization and storage). Isso porque ambas contribuem para remoção de carbono (antes ou depois da combustão) em setores de difícil descarbonização.

Tecnologias CCUS

Essas tecnologias têm o objetivo de capturar o CO2 de grandes fontes emisso­ras, como termelétricas e indústrias que utilizam combustíveis fósseis ou biocombustíveis, assim como diretamente da atmosfera (carbon direct air capture technologies).

Elas são o único grupo de tecnologias que, além de contribuir diretamente com a redução de emissões em setores-chave, como as indústrias de cimento, siderurgia e química, podem auxiliar a equilibrar as emissões inevitáveis em outros setores, como aviação e transportes de longa distância. Constituem assim uma tecnologia crítica para o alcance do objetivo de neutralidade nas emissões.

Entenda como funcionam:

Hidrogênio e CCUS

A viabilização do uso do hidrogênio como energético, dentre outros desafios, depende de sua produção com baixa emissão de carbono, o que, por sua vez, decorre da rota de produção utilizada. Isso porque ele é derivado de outros elementos, como a água ou o me­tano, maior componente do gás natural. No Brasil, há algumas oportunidades relacionadas a isso.

A primeira seria a produção por meio da eletrólise da água, que requer uma fonte de eletricidade limpa, como solar e eólica. A vocação do Nordeste brasileiro para esse tipo de geração e a relativa proximidade do mercado europeu para eventual expor­tação dariam uma vantagem competitiva ao país nesse tipo de produção. Esse é o chamado hidrogênio verde. No entanto, ainda são necessários desenvolvimentos tecnológicos para viabilizar, economicamente, essa produção em larga escala – em 2020, menos de 0,1% da produção mundial dedicada de hidrogênio ocorreu por essa rota.

A segunda via de produção é derivada da reforma a vapor do gás natural, rota que respondeu por mais de 80% de todo o hidrogênio produzido no mundo em 2020. Como esse processo emite CO2, é importante que esteja atrelado ao uso de CCUS, garantindo a produção do hidrogênio com baixos níveis de emissão, a custos competitivos. Essa rota é estratégica para dar escala ao uso do hidrogênio como energético e, portanto, para a própria transição para uma economia de baixo carbono. As enormes reservas de gás natural no pré-sal favorecem que o Brasil também seja um grande produtor de hidrogênio a partir dessa rota.

Por fim, é importante ressaltar que o padrão de emissões brasileiro é muito diferente do resto do mundo. O setor de energia, na média mundial, responde por mais de 80% das emissões. No caso do Brasil, que conta com uma matriz energética bastante limpa, o setor de energia é responsável por apenas 19% das emissões. Por isso, o país tem a chance de potencializar inúmeras vantagens competitivas que podem aumentar seu nível de riqueza e bem-estar social, de forma sustentável, colaborando como um dos principais atores no enfrentamento do aquecimento global.

Fonte: BNDES

Mas afinal qual é a verdadeira taxa de desmatamento da Amazônia?

Muito se tem falado, sobre o desmatamento na Amazônia, mas independente do viés politico de cada um, o que dizem os números? Como se calcula a taxa de desmatamento? Como ela evoluiu ao longo dos anos?

Em primeiro lugar, é importante notar, que nem deveríamos estar tratando de “taxa de desmatamento” como se este fosse um indicador adequando para o planeta ( nossa casa lembram-se?). Deveríamos, sim, estar falando de uma taxa de recomposição da mata nativa, já que estamos cansados de saber que o Brasil é um pais de dimensões continentais, e o agronegócio não necessita desmatar para plantar pois tem áreas agriculturáveis e pastagens imensas….mas enfim vamos voltar ao tema desmatamento.

Como se mede o desmatamento?

Primeiro precisamos entender como é feita esta medição. Talves, para a surpresa de muitos, o sistema de detecção por satélites do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, é feito por um programa chamado Prode. O órgão faz esse monitoramento por satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental, e pode ser visualizado de forma dinâmica pelo site TerraBrasilis.

Sobre TerraBrasillis

O TerraBrasilis é uma plataforma desenvolvida pelo INPE para organização, acesso e uso através de um portal web dos dados geográficos produzidos pelos seus programas de monitoramento ambiental. Apenas para que conheçam a “cara” do portal web, segue uma foto de hoje, 17/10/22, em amarelo se pode ver a área desmatada na Amazônia Legal. Lembrando que o TerraBrasilis não tem o papel de analisar os dados, e muito menos fiscalizar se o desmatamento aumento ou diminuiu; eles apenas utilizam o conhecimento cientifico, para indicar os dados, e cabe ao Governo fazer as politicas publicas adequadas a solução do problema.

Mas vamos aos dados…vamos conhecer a Taxa de desmatamento da Amazônia

O gráfico abaixo, extraído do próprio Prodes, indica o desmatamento, ano a ano, em Km². Em números absolutos, é possível conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, foi de 25,4 mil quilômetros quadrados. No ano seguinte, a área destruída cresceu para 27,8 mil km².

A partir de 2005, porém, houve uma queda nesses índices.

Foram 19 mil km² naquele ano, seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e 7 mil (2010).

São números que qualquer cidadão pode entrar e pesquisar sem a ajuda de ninguém; pois os dados estão abertos ao publico, pesquisadores, políticos, estudantes, etc

É sempre importante também destacar que durante toda a década de 90 e final da década de 80, o desmatamento era altíssimo, um problema cronico, cujo pico máximo foi alcançado no ano de 1995 com um desmatamento recorde de 29.100 Km² !

Já ao longo dos anos de 2003 a 2011, a taxa de desmatamento caiu 67%, claro que a partir de um pico em 2004 de 27.400 Km², muito elevado.

Os números continuaram em queda durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.

O desmatamento em 2002, quando o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso, foi de 21,6 mil km².

Já em 2018, último ano de Michel Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma proporção três vezes menor.

A partir de então, a área destruída só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram um aumento nas taxas do Inpe.

No primeiro ano do atual governo, em 2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².

Os índices continuaram em ascensão em 2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão disponíveis.

Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos do atual governo, tomando como base a referencia de 2018 ( 7,5 Km²).

Taxa de desmatamento acumulada por Estados

Muitas vezes pensamos que maior taxa de desmatamento, está ocorrendo o Estado do Amazonas, por uma questão de nomenclatura, todavia o Estado campeão de desmatamento é na verdade o estado do Pará ( 34,6%), seguido pelo Mato Grosso ( 32%), depois Rondônia ( 13,7%) e ai aparece o Estado do Amazonas com 6,5% e o Maranhão em quinto lugar com 5,5%. De qualquer forma, a soma de toda a área desmatada é gigantesca, 470.275 Km², um pouco menor que a Alemanha ( 357.588 Km²) e a Inglaterra (130.279 Km²) juntas!

Créditos: INPE/TerraBrasilis/BBC News Brasil

Brasil pode suprir quase metade da demanda global de créditos de carbono até 2030

Projeção da WayCarbon em parceria com a ICC Brasil aponta que o potencial de geração de receitas com créditos de carbono até 2030 para o Brasil subiu de US$ 100 bilhões para até US$ 120 bilhões, considerando um cenário otimista de US$ 100 dólares por tonelada de CO2

Segundo o estudo, o país teria capacidade de atender de 22,3% a 48,7% da demanda global por créditos do mercado voluntário, que deve chegar entre 1,5 e 2 gigatoneladas de CO2e no final da década. 
 
E obter, no mínimo, entre R$ 1,39 bilhão e R$ 4,63 bilhões em 2030, considerando os preços médios dos créditos por tipos de projetos até agosto de 2021.
 
A atualização da projeção incorpora o cumprimento dos mecanismos de negociação previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris, e o decreto assinado pelo governo brasileiro no começo do ano para o mercado de carbono.
 
“Certamente tivemos avanços importantes na última COP [conferência das Nações Unidas sobre mudança climática], mas ainda há muito o que fortalecer não apenas nos mercados de carbono globais, mas também nacionais”, comenta Gabriella Dorlhiac, diretora executiva da ICC Brasil. 
 
Em novembro passado, os países reunidos em Glasgow na Escócia para a COP26 chegaram a um acordo sobre o Artigo 6, que regula o comércio internacional de emissões, criando as bases para o desenho de mercados nacionais.
 
Os cálculos da WayCarbon consideram o mercado voluntário – que já existe e não depende de um marco legal.
 
Atualmente, a oferta brasileira corresponde a cerca de 12% das emissões mundiais (45,28 MtCO2 em créditos em 2021), superando a participação de 2019 (3%) e o cenário mais otimista (10%) do estudo anterior para 2030. 

  • A demanda pelos créditos brasileiros vem principalmente de empresas do setor de serviços, óleo e gás e geradoras de energia.

“Tal desempenho é reflexo do aumento do número de créditos emitidos de soluções baseadas na natureza e da influência da regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris na COP26”, explica o documento.

Apesar do cenário otimista, ao consultar agentes econômicos envolvidos nesse segmento, o levantamento identificou que pelo menos cinco barreiras permanecem.
 
São questões de natureza política, mercadológica, econômica, técnica e regulatória. 
 
“É fundamental que o Brasil, no seu papel regulador, desenvolva e divulgue um planejamento específico para cumprir sua NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) e os compromissos de zerar o desmatamento ilegal e de redução de metano”, diz.
 
Além disso, recomenda ao governo brasileiro que apoie financeiramente o desenvolvimento de “metodologias que considerem a realidade climática do país”, além de garantir estabilidade ao mercado regulado por lei.
 
“Cabe ao Poder Legislativo brasileiro avançar neste sentido, com apoio do Executivo”, completa o relatório.
 
Lembrando que na Câmara, há um PL do deputado Marcelo Ramos (PL/AM), também com proposta de regulação para o mercado de carbono nacional. O texto não tem consenso e já passou por várias alterações, inclusive atendendo a pressões do governo para enfraquecer questões consideradas centrais para a efetividade do comércio interno de emissões. Uma delas é a separação clara entre o mercado voluntário e o mercado regulado.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

O plano da Austrália para o hidrogênio e as lições para o Brasil

Estratégia Nacional de Hidrogênio vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos e quer posicionar país como um dos principais players até 2030.

Em 22 de novembro de 2019, a Austrália lançou sua Estratégia Nacional de Hidrogênio, com foco nas alternativas de baixo carbono e uma ambição: posicionar a indústria australiana como um importante player global até 2030.

Ao todo, a estratégia desenha 57 ações conjuntas para os governos australianos, considerando exportações, transporte, uso industrial, redes de gás, sistemas elétricos e questões transversais como segurança, emprego e impactos ambientais.

Para dar o primeiro impulso, a iniciativa vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos (cerca de US$ 900 milhões) e a expectativa é atrair de três a quatro vezes esse valor em financiamento privado.

“Houve enorme apoio político em todas as nossas jurisdições – oito estados e territórios e o governo federal. A experiência de hoje mostrou que, com o subsídio inicial do governo, é possível atrair três ou quatro vezes esse valor do setor privado. Estamos olhando para talvez cerca de seis bilhões de dólares em investimentos na Austrália”, conta Fiona Simon, presidente do Conselho Australiano de Hidrogênio (AHC, sigla em inglês).

Ela participou na segunda (22/8) de um encontro organizado pelo Núcleo Energia do Cebri e pela Embaixada da Austrália no Brasil, sobre as oportunidades de colaboração entre os dois países.

O plano australiano considera três rotas: carvão com CCUS (captura, armazenamento e uso de carbono), gás natural com CCUS (o hidrogênio azul) e eletrólise com energia renovável (o verde).

E deve colocar o país logo atrás da Europa como principal mercado.

Um relatório de outubro do ano passado da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) aponta que, até 2030, a capacidade instalada de eletrolisadores para produção de H2 verde deve escalar para 54 gigawatts (GW), considerando os projetos em construção e planejados – Europa e Austrália lideram, com 22 GW e 21 GW, respectivamente.

Em seguida vem a América Latina (5 GW) e o Oriente Médio (3 GW).

Só que, chegar até lá, requer muito mais recursos.

“[Esses 6 bilhões de dólares] provavelmente estão longe de onde precisamos estar. O custo da transição energética global é uma quantia enorme”, diz Fiona.

O AHC calcula que serão necessários pelo menos 80 bilhões de dólares australianos para desenvolver a infraestrutura de produção, eletrolisadores e adaptação de portos – e a porcentagem do governo nessa conta precisaria chegar a 20 bilhões de dólares australianos.

Para Fiona, um acordo sobre a precificação do carbono no mercado internacional seria um fator importante para incentivar mais investimentos.

O país também está dobrando os investimentos para renováveis. Em 2015, 14% dos investimentos na Austrália eram em energias renováveis. Hoje, são 35%.

Aprendizado para o Brasil

“Os dois países têm vantagens nesta área, como o alto potencial de produção de energia renovável, que podem levá-los a competir, mas têm também oportunidades de cooperação, relacionadas ao desenvolvimento do mercado, estabelecimento de um marco regulatório, promoção de inovação e atração de investimentos”, comenta Jorge Camargo, vice-presidente do Conselho Curador do Cebri.

O país começa a dar os primeiros passos nessa agenda. As iniciativas mais avançadas estão concentradas em portos, como do Pecém, no Ceará, Suape, em Pernambuco, e Açu, no Rio, que estão desenhando seus hubs de hidrogênio.

Desde o ano passado, grandes empresas brasileiras e internacionais vêm firmando memorandos de entendimento com os governos estaduais para desenvolver uma cadeia para o gás de baixo carbono. A maior parte dos projetos visa a exportação de H2 verde e azul.

Enquanto isso, o governo federal trabalha em um Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), sem escolher uma rota favorita. Na última sexta (19/8), o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou os representantes que irão compor o Comitê Gestor do PNH2. Veja portaria

Para Luís Viga, presidente da mineradora australiana Fortescue Metals no Brasil, há uma cooperação importante entre as empresas e o setor público sobre o assunto, mas a formulação de políticas públicas para o setor no Brasil ainda está aquém da rápida multiplicação de projetos e do interesse da iniciativa privada.

Recentemente, a mineradora anunciou um investimento de US$ 6 bilhões em hidrogênio verde no país.

“O setor precisa de incentivos do governo, assim como aconteceu com outras energias renováveis, e principalmente de segurança regulatória, sem protecionismo”, defendeu.

Atualmente, há cerca de 20 empresas investindo em hidrogênio verde no Brasil, os projetos concentram-se nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo e Rio de Janeiro, envolvendo empresas como a Fortescue, Enegix, Siemens, Qair, Neoenergia, White Martins, Shell, entre outras.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

EUA sancionam US$ 369 bi para transição energética

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação. A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas.

A agenda climática foi uma das principais pautas de Joe Biden em sua campanha presidencial, em 2020.

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação.
 
A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas, US$ 64 bilhões para reduzir os custos de seguro de saúde, e um imposto corporativo mínimo de 15% destinado a empresas que ganham mais de US$ 1 bilhão por ano.
 
Durante a cerimônia de assinatura na terça (17/8), Biden classificou a legislação como uma das medidas “mais significativas da história do país”.
 
O projeto foi aprovado na Câmara na última sexta-feira em uma votação de 220 a 207. Antes, passou pelo Senado com voto de desempate da vice-presidente do país, Kamala Harris.
 
Na visão de analistas, a aprovação marcou um dos esforços legislativos mais bem-sucedidos dos Democratas do Congresso – e também uma conquista que parecia cada vez mais improvável.

Mesmo sendo um marco da transição no país para uma economia limpa – após quatro anos de desmontes ambientais promovidos pela gestão anterior, de Donald Trump – a legislação deixa algumas lacunas. 
 
Uma delas é que, as medidas aprovadas, segundo os próprios cálculos do governo, perseguem uma redução de 40% das emissões dos EUA até 2030, abaixo do compromisso de chegar a 50% ou 52% a menos.
 
Além disso, recebeu críticas de grupos ambientalistas que consideram que a justiça climática ficou de fora, enquanto os combustíveis fósseis seguem ganhando tempo.

Apesar disso, a Casa Branca traz indicativos de como os incentivos vão impactar a economia e a vida dos estadunidenses. Entre eles:

  • Economia de cerca de US$ 1.000 por ano para as famílias que receberem os créditos fiscais de energia limpa e veículos elétricos;
  • Mais 7,5 milhões de famílias poderão instalar energia solar em seus telhados com um crédito fiscal de 30%;
  • Economia média de US$ 500 por ano por família com os gastos com energia;
  • Instalações de 950 milhões de painéis solares e 120 mil turbinas eólicas até 2030 para abastecer casas, empresas e comunidades;
  • Cerca de 2,3 mil fábricas de baterias em escala de rede;
  • Fortalecer a resiliência climática e proteger quase dois milhões de acres (809 mil hectares) de florestas nacionais;
  • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de um bilhão de toneladas em 2030.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

Financiamento climático de países ricos ainda abaixo dos US$ 100 bi



Países ricos mobilizaram US$ 83,3 bilhões em financiamento climático para países emergentes ou vulneráveis em 2020, ainda abaixo dos US$ 100 bilhões por ano prometidos em 2009. 

 
De acordo com nova análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), houve um aumento de 4% em relação a 2019, impulsionado principalmente pelos incentivos públicos, mas insuficiente para concretizar a promessa original.
 
Este ano, o relatório da OCDE foi publicado mais cedo propositalmente. Em novembro, a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27) terá o financiamento no centro das discussões que ocorrerão no Egito. E o levantamento da organização que reúne as maiores economias do mundo pretende subsidiar o relatório de finanças da conferência.
 
Uma questão que pode, inclusive, marcar o sucesso ou fracasso do encontro.
 
O compromisso de países ricos de fornecer US$ 100 bilhões anualmente para ação climática em países emergentes deveria ter sido cumprido em 2020 e ser sustentado até 2025. 
 
Mas cenários da OCDE divulgados em outubro de 2021 mostraram que, se todos os compromissos apresentados por provedores bilaterais e multilaterais até aquele momento forem materializados, o nível de US$ 100 bilhões seria atingido apenas em 2023.
 
“Os países desenvolvidos precisam continuar intensificando seus esforços de acordo com seus compromissos declarados na preparação para a COP26, o que significaria que a meta de US$ 100 bilhões seria alcançada a partir do próximo ano. Isso é fundamental para construir confiança à medida que continuamos a aprofundar nossa resposta multilateral às mudanças climáticas”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

A diferença de recursos entre ricos e pobres é gigante, mostra o Rastreador de Recuperação Sustentável da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). 

Nas economias emergentes e em desenvolvimento, cerca de US$ 52 bilhões em gastos de recuperação sustentável estão planejados até o final de 2023, bem abaixo do que é necessário em um caminho para emissões líquidas zero até 2050.

Em contraste, países ricos têm mais de US$ 370 bilhões a serem gastos antes do final de 2023. E a diferença não deve diminuir no curto prazo. 

“A conferência [COP27] será realizada em uma situação geopolítica difícil, com o mundo enfrentando desafios energéticos e alimentares”, disse à Bloomberg o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shoukry, que também preside a COP27.

“É claro que tudo isso pode afetar o nível de ambição e pode levar a distrações da prioridade das mudanças climáticas”.

Como o primeiro país africano a sediar uma reunião da COP em seis anos, o Egito quer se concentrar em como as nações mais vulneráveis podem obter financiamento para se adaptar às mudanças climáticas e financiar a transição para a energia verde.

Creditos; Dialogos da Transição/Epbr / Boomberg

James Webb Space Telescope beats its own record with potential most distant galaxies

Astronomers are now discovering record-breaking distant galaxies by the dozen while sifting through the treasure trove of data now being collected by the James Webb Space Telescope (JWST or Webb). Among them are several galaxies dating back to just over 200 million years after the Big Bang.

Prior to the launch of the James Webb Space Telescope, the most distant confirmed galaxy known was GN-z11, which astronomers saw as it was about 420 million years after the Big Bang, giving it what astronomers call a redshift of 11.6. (Redshift describes how much the light coming from a galaxy has been stretched as the universe expands. The higher the redshift, the farther back in time we see a galaxy.)

Just a week after the release of the first science images from JWST, astronomers were reporting the detection of galaxies at redshift 13, equating to about 300 million years after the Big Bang. Now, a new wave of scientific results is smashing past that record, with some astronomers reporting the detection of galaxies up to a redshift of 20. If true, then we are seeing these galaxies as they existed about 200 million years after the Big Bang.

That’s a big if: At this stage, none of these redshift values are confirmed. To confirm the distances of these galaxies will require spectroscopic analysis, which splits the light from an object into what scientists call a spectrum. That analysis will come later. Nevertheless, it seems clear that JWST is fully capable of detecting galaxies from this long-lost era.

The galaxies have been detected using different techniques. Astronomers led by Haojing Yan of the University of Missouri-Columbia used the gravitational lens created by the galaxy cluster SMACS J0723 to detect 88 candidate galaxies beyond a redshift of 11, including a handful estimated to be at a redshift of 20. If validated, these galaxies would be, by far, the most distant ever detected. Because of cosmic expansion, today these galaxies would be over 35 billion light-years away from us.

Two other papers report finding high-redshift galaxies in patches of the sky where JWST has simply taken deep exposures, without resorting to gravitational lensing. These images are part of the Cosmic Evolution Early Release Science (CEERS) survey, which consists of images of 10 different patches of sky by JWST’s Near-Infrared Camera (NIRCam). JWST’s Near-Infrared Spectrograph (NIRSpec) joins in observations of six of those patches, while the space telescope’s Mid-Infrared Instrument (MIRI) studies four.

One team of astronomers, led by Ph.D. student Callum Donnan of the University of Edinburgh, found a candidate galaxy at a redshift of 16.7, which equates to just 250 million years after the Big Bang. The team also found five other galaxies with a redshift greater than 12, all of which exceed the redshift record set by JWST’s predecessor and now colleague, the Hubble Space Telescope

Meanwhile, using the same observations from CEERS, another team led by Steven Finkelstein of the University of Texas at Austin discovered a galaxy with a redshift of 14.3, placing it 280 million years after the Big Bang, which the researchers have named “Maisie’s Galaxy” after Finkelstein’s daughter. The astronomers found that this galaxy may have also been seen by the Hubble Space Telescope, but not recognized at that time. If a closer look at the archived data does reveal the galaxy, then Maisie’s Galaxy must produce very strong ultraviolet light from a powerful burst of star formation for Hubble to have spotted it.

Indeed, all the distant galaxy candidates display evidence for strong ultraviolet light emission, enough to possibly settle the debate as to what ionized the hydrogen gas in the universe, bringing an end to the so-called “Cosmic Dark Ages.” Over the years, astronomers have suggested causes ranging from radiation from the first stars and galaxies to outflows of radiation from the first supermassive black holes. 

In their paper, Donnan’s team calculate the “galaxy ultraviolet luminosity function” between redshifts of 8 and 15. This function is an average of the amount of ultraviolet light associated with galaxies at any particular epoch. The value is strongly tied to star formation, because the more hot young stars are being formed in a galaxy, the more ultraviolet light it emits. Donnan’s team concluded that there is more than enough ultraviolet radiation being produced by the stars in these early galaxies to ionize the universe.

The plethora of high-redshift galaxies being discovered can be considered cosmic babies. These galaxies span only 1,000 or so light-years across and contain just tens of millions of stars; modern galaxies can host hundreds of billions of stars. Astronomers estimate that the cosmic babies are less than 100 million years old, and possibly as young as 20 million years. 

Scientists haven’t yet identified any of the very first galaxies in the universe, which may lie at redshift 25 or beyond. Still, the new detections represent generations of galaxies that followed closely after, and that scientists see in the early stages of development.

The amount of ultraviolet light (redshifted into the longer wavelengths of infrared, making it visible to JWST), coupled with the abundance of high-redshift galaxies that it is finding so early in its mission, suggests that galaxies were plentiful in the earliest history of the universe. Contrary to some expectations, the rate of star formation might decline gradually the farther back in time we look, rather than there being a sharp drop-off beyond redshift 11.

“Should follow up spectroscopy validate [these redshifts], [it means that] our universe was already aglow with galaxies less than 300 million years after the Big Bang,” Finkelstein’s team wrote in their paper.

Now that JWST has discovered these strong galaxy candidates at vast distances, the next questions are how much farther back in time JWST can see and whether it will be enough to discover the very first galaxies that existed, perhaps just 100 million years after the Big Bang. Such a discovery would require necessitate a large dose of luck, since it would rely on fortuitous gravitational lensing to bring primordial galaxies into view.

Credits: Space.com / Keith Cooper is a freelance science journalist and editor in the United Kingdom, and has a degree in physics and astrophysics from the University of Manchester.

BRASIL DEVE ECONOMIZAR CERCA DE US$ 5 BILHÕES EM 2022 POR CONTA DE INVESTIMENTOS EM RENOVÁVEIS NO ÚLTIMO ANO

Dos cerca de US$ 5 bilhões economizados no país em 2022, os novos projetos de energia eólica onshore adicionados em 2021 responderão por uma fatia de aproximadamente US$ 3,5 bilhões. A energia solar fotovoltaica também trará uma contribuição considerável, trazendo uma economia de US$ 1 bilhão para o Brasil. Por fim, a biomassa e a energia hidrelétrica somadas trarão ganhos de US$ 500 milhões.

Enquanto a Europa passa por um sufoco com os altos preços das fontes fósseis e se esforça para reduzir sua dependência dos hidrocarbonetos da Rússia, o Brasil vive em um cenário oposto. A forte presença das fontes limpas em nosso país garantirá um certo alívio nos custos com energia. É o que afirma um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês). Segundo o documento, o Brasil vai economizar cerca de US$ 5 bilhões em 2022, graças aos investimentos em fontes renováveis realizados no ano passado – que evitarão custos adicionais com a geração de energia fóssil. Esse montante é o segundo maior de todo o mundo, ficando atrás apenas da China – que deve economizar cerca de US$ 30 bilhões por conta de seus novos projetos renováveis. A excelente posição do Brasil apontada no relatório da IRENA é explicada, principalmente, pela forte presença da fonte eólica terrestre no país.

O relatório da IRENA, chamado “Renewable Power Generation Costs in 2021” (disponível, em inglês, clicando aqui), mostra que quase dois terços ou 163 gigawatts (GW) da energia renovável instalada no mundo em 2021 teve custos menores que a opção a carvão mais barata do G-20. Por isso, diante dos atuais altos preços dos combustíveis fósseis, a energia renovável adicionada em 2021 economiza cerca de US$ 55 bilhões dos custos globais de geração de energia em 2022.

As energias renováveis são de longe a forma mais barata de energia atualmente. O ano de 2022 é um exemplo gritante de quão economicamente viável a nova geração de energia renovável se tornou. A energia renovável libera as economias da volatilidade de preços e importações de combustíveis fósseis, reduz os custos de energia e aumenta a resiliência do mercado – ainda mais se a atual crise de energia continuar”, disse o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera.

A IRENA destacou também o importante papel que as energias renováveis de custo competitivo vão desempenhar na transição energética, de acordo com o limite de aquecimento de 1,5°C e as metas do Acordo de Paris. De acordo com a agência, as fontes solar e eólica possuem prazos relativamente curtos para implantação de projetos. Por isso, elas serão vitais nos esforços dos países para reduzir rapidamente e, eventualmente, eliminar os combustíveis fósseis e limitar os danos macroeconômicos que causam na busca de zero emissões líquidas.

Embora uma resposta temporária à crise possa ser necessária na situação atual, desculpas para suavizar as metas climáticas não serão válidas a médio e longo prazo. A situação de hoje é um lembrete devastador de que as energias renováveis e a economia de energia são o futuro. Com a COP27 no Egito e a COP28 nos Emirados Árabes Unidos chegando, as energias renováveis fornecem aos governos energia acessível para se alinhar com as zero emissões líquidas e transformar suas promessas climáticas em ações concretas com benefícios reais para as pessoas no terreno”, acrescentou La Camera.

Os altos preços do carvão e do gás fóssil em 2021 e 2022 também deteriorarão profundamente a competitividade dos combustíveis fósseis e tornarão as energias solar e eólica ainda mais atraentes. Com um aumento sem precedentes nos preços do gás fóssil na Europa, por exemplo, a nova geração de gás fóssil na Europa se tornará cada vez mais antieconômica ao longo de sua vida, aumentando o risco de ativos ociosos.

Nas contas da IRENA, os custos de combustível e CO2 para usinas de gás existentes podem ser, em média, de quatro a seis vezes mais caros em 2022 do que o custo vitalício de uma nova energia solar fotovoltaica e eólica onshore comissionada em 2021. A agência afirma que, entre janeiro e maio de 2022, as gerações solar e eólica podem ter economizado na Europa importações de combustíveis fósseis na ordem de US$ 50 bilhões, predominantemente gás fóssil.

Quanto às cadeias de suprimentos, os dados da IRENA sugerem que nem todos os aumentos de custos de materiais foram repassados ainda aos preços de equipamentos e custos de projetos. Se os custos dos materiais continuarem elevados, as pressões de preços em 2022 serão mais pronunciadas. Entretanto, os aumentos podem ser ofuscados pelos ganhos gerais das energias renováveis de custo competitivo em comparação com os preços mais altos dos combustíveis fósseis.

Créditos: Petronotícias/IRENA

G7 anuncia US$ 600 bi para infra sustentável e energias renováveis

O grupo das sete democracias mais ricas do mundo, o G7, lançou a Parceria para Infraestrutura e Investimentos Globais (PGII, na sigla em inglês), que pretende destinar US$ 600 bilhões para desenvolver infraestrutura sustentável em países em desenvolvimento.

Investimentos incluem projetos de energias renováveis para garantir segurança climática e energética. 

O G7 reuniu (28/6) lideranças da Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Canadá, Reino Unido e Japão, na cidade alemã Krün.

“Coletivamente, pretendemos mobilizar quase US$ 600 bilhões do G7 até 2027 para investir em infraestrutura crítica que melhore vidas e proporcione ganhos reais para todos os nossos povos”, disse Joe Biden, presidente dos Estados Unidos.

O PGII destaca a necessidade de investimentos em:

  • Mineração por minerais críticos necessários para energias renováveis;
  • Transporte de baixas emissões;
  • Fabricação de baterias;
  • Implantação de novas tecnologias em regiões que ainda não têm acesso a energia limpa.

Os EUA se comprometeram a mobilizar US$ 200 bilhões para o PGII nos próximos cinco anos por meio de capital público e privado.

A União Europeia entrará com mais 300 bilhões de euros até 2027, por meio do programa Global Gateway, anunciado em dezembro do ano passado, e que já possui projetos em andamento para produção de hidrogênio verde no Chile, Egito e Namíbia, por exemplo.

“A Global Gateway está em pleno funcionamento e estamos ouvindo atentamente os países beneficiários para que possamos entender melhor suas necessidades e proporcionar o maior impacto”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

E deve impor preço-teto ao petróleo russo Ainda na esteira de sanções, o G7 espera fechar um acordo para estabelecer um preço-teto de compra do petróleo do país. As discussões dos líderes mundiais também devem incluir o renascimento do acordo nuclear com o Irã, que poderia garantir, em troca, suprimento do petróleo iraniano. (Reuters)

Governos tentam driblar as sucessivas altas do combustível. Os contratos futuros do Brent acumulam alta de mais de 40% este ano, com margens de refino historicamente acima dos preços de referência, enquanto o mercado calcula se o cenário é de recessão e queda brusca; ou escassez e mais inflação.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr