Armazenamento de carbono na agenda das petroleiras.

A ExxonMobil e outros três produtores de petróleo do Mar do Norte anunciaram esta semana uma cooperação para captura e armazenamento de carbono.

Simulação da estocagem subterrânea.

A ExxonMobil e outros três produtores de petróleo do Mar do Norte anunciaram esta semana uma cooperação para captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) offshore em larga escala no projeto L10.

As petroleiras planejam compartilhar a infraestrutura existente e ter um projeto pronto até o final do ano para armazenar até cinco milhões de toneladas de gases de efeito estufa em campos na costa holandesa.

Segundo, Lex de Groot, diretor administrativo da Neptune Energy na Holanda, uma das petroleiras envolvidas no projeto, a parceria deve viabilizar uma das maiores instalações de CCS no Mar do Norte.

“A reutilização de nossa infraestrutura existente significa que, juntos, podemos ajudar a alcançar as metas climáticas, mas também garantir que essa parte da transição energética se torne mais limpa, barata e rápida”.

Entre as empresas – e o setor de óleo e gás – há um consenso de que o armazenamento de CO₂ é fundamental para atingir as metas climáticas.

Mas o processo ainda é muito caro e vai demandar investimentos trilionários em infraestrutura.

Um estudo da Carbon Management Research Initiative, da Universidade de Columbia, por exemplo, indica que a maioria das rotas de CCS tem um custo estimado de produção 2,5 a 7,5 vezes maior do que o preço de venda do produto.

Os detalhes financeiros do L10 ainda não foram divulgados, mas, segundo as companhias, esta etapa do projeto de captura e armazenamento de carbono tem o potencial de armazenar 4-5 milhões de toneladas de CO2 anualmente para clientes industriais em campos de gás esgotados em torno das áreas operadas pela Neptune.

“Representa o primeiro estágio no desenvolvimento potencial da maior área L10 como um reservatório de armazenamento de CO₂ de grande volume”, diz o comunicado.

O governo holandês também está apostando na tecnologia. No início do mês, a Fugro publicou quatro recomendações para viabilizar o uso simultâneo de áreas do Mar do Norte no desenvolvimento de parques eólicos offshore e soluções de CCS.

Com grandes projetos já em andamento, a região deve desempenhar um papel chave no fornecimento de energia de baixo carbono à Europa.

Fonte: Diálogos da Transição/epbr

“Mundo não precisa escolher entre crise energética e climática”, diz diretor da IEA.

O mundo não precisa escolher entre uma crise energética e uma crise climática. Nós podemos resolver ambas com investimento certo”, resumiu Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) nesta segunda (23/5) durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça.

Reunidos em Davos, na Suíça, CEOs globais vão discutir ao longo da semana a recuperação pós-pandemia, crise climática e as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia — entre elas o fornecimento de energia.

Os organizadores não convidaram empresas ou representantes russos diante das sanções impostas ao regime de Vladimir Putin.

Segundo Birol, resolver o problema da segurança energética é uma das grandes prioridades, especialmente em países emergentes, mas é preciso ter em mente que um dos motivos dos altos preços da energia está também atrelado aos resultados da emergência climática — que tem levado a eventos extremos em diferentes partes do planeta.

Precisamos de combustíveis fósseis no curto prazo, mas não vamos obstruir o nosso futuro usando a situação atual como desculpa para justificar alguns dos investimentos que estão sendo feitos”, diz Birol.

É uma sinuca: como investir para superar os choques no mercado de óleo causados pela guerra de Putin e, ao mesmo tempo, aprovar esses novos projetos sem o risco dessa infraestrutura prolongar o uso de combustíveis e a geração de energia de alta emissão de carbono?

Algumas ideias de Davos:

  1. Investir mais nas novas instalações de óleo e gás, agora, para colocar de pé uma infraestrutura que seja pensada para novos combustíveis, a exemplo da interface possível entre gás natural e GNL e a movimentação global de hidrogênio e o suprimento da Europa.
  2. Substituir a oferta da Rússia com óleo e gás de rápido desenvolvimento, sem aprisionar recursos em novas descobertas de longo prazo. Isto é, extrair o máximo e o mais rápido possível de campos existentes e do shale, para reequilibrar o mercado.
  3. Acelerar as metas de controle do metano. Quase dois terços da emissão do metano (IEA, 2020) estão na cadeia de produção do gás natural, o que prejudica a venda do combustível como fonte ótima de transição.
  4. Petróleo neutro, por que não? Em um curtíssimo espaço de tempo, marcado pelas duas crises simultâneas, da covid-19 e da guerra na Europa, Davos migra do debate sobre o fim da exploração de novas reservas para seriamente discutir a perpetuidade da indústria de óleo, sem fuga de metano e com captura de carbono.
  5. Gerar energia localmente. O futuro da globalização está presente em boa parte das discussões na abertura do Fórum Econômico Mundial, em uma edição marcada pela guerra na Europa. “Desglobalização” e “Guerra Fria” são alguns dos termos inevitáveis em Davos, ainda que usados com cautela pelos porta-vozes das grandes economias liberais. Para energia, significa reduzir alguma dependência externa, com geração a partir de eólicasolar e nuclear, que antes mesmo da guerra, já deixava de ser um tabu na Europa. E bioenergia, para deslocar o óleo e o gás em economias sem oferta doméstica de fósseis.
  6. Reduzir as assimetrias para integrar os mercados de créditos de carbono, hoje caros na Europa e baratos ou inexistem em boa parte do mundo. É um tema político do bloco, acentuado pelas crises econômicas: pode ser justo o consumidor rico europeu pagar mais pela descarbonização, mas isso não garante o apoio social interno para sustentar essas políticas de longo prazo.

Créditos: Epbr- Diálogos da Transição

Mundo deve adicionar 59 GW de geração distribuída fotovoltaica em 2022

Levantamento da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostra que a geração distribuída de fonte fotovoltaica somou 167 gigawatts de adição global entre 2019 e 2021. Para 2022, a expectativa é adicionar mais 59 GW.

A geração própria de energia no Brasil, atingiu no dia 29/3/22 a marca de 10 gigawatts (GW) de potência instalada, segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

Do total adicionado nos últimos anos, 87 GW foram projetos comerciais/industriais e 80 GW de instalações residenciais, com quase 64% da nova capacidade instalada na China, Europa e Estados Unidos. 

A tendência se mantém para as novas adições, 65% dos 59 GW projetados para este ano serão instalados na China, Europa e Estados Unidos.

Segundo a agência, instalações limpas e de pequena escala localizadas atrás dos medidores de consumo, como painéis fotovoltaicos, armazenamento de energia e veículos elétricos (VEs), estão cada vez mais difundidas – o que significa uma pressão sobre as redes elétricas.

O pico de 167 GW foi maior do que o pico de consumo combinado da França e da Grã-Bretanha

Em 2020, o estoque de VEs ultrapassou 10 milhões de veículos e quase 180 milhões de bombas de calor para aquecimento de água estavam em operação. 

“A rápida absorção de recursos energéticos distribuídos pode desafiar as redes elétricas que não estão preparadas”, diz um estudo da IEA.

Muitas das redes atuais foram projetadas para o século 20, quando a proporção dessas tecnologias era pequena. Agora que uma parcela crescente de eletricidade é produzida por fontes renováveis ​​variáveis, é necessária maior flexibilidade do sistema para equilibrar consistentemente a oferta e a demanda, seja em curtos prazos ou estações.

A agência destaca cinco tecnologias mais promissoras e suas barreiras para ganhar escala. A principal delas: custo.

  • Edifícios eficientes que interagem com a rede podem otimizar o ‘prosumo’ de energia (produção e consumo combinados de eletricidade) enquanto acomodam as necessidades da rede e oferecem um amplo espectro de interatividade da rede. Com o emprego de incentivos apropriados, consumidores optariam por combinações de tecnologias que melhor atendem aos seus próprios interesses;

  • Usinas de energia virtuais (VPPs), ou seja, redes de unidades geradoras de energia descentralizadas, sistemas de armazenamento e demanda flexível, podem otimizar a agregação de recursos distribuídos em grandes áreas usando análises de dados avançadas, como aprendizado de máquina. Questões políticas e regulatórias são as principais barreiras;
  • Sistemas de armazenamento de baterias podem fornecer uma variedade de serviços à rede, como armazenar energia durante os períodos de geração renovável em excesso e descarregá-la durante o pico de demanda. Sua principal limitação é o custo inicial relativamente alto;

  • Armazenamento elétrico de água e aquecedores de ambiente podem fornecer flexibilidade ao sistema quando equipados com dispositivos de controle de baixo custo, embora a eletrificação de residências existentes já equipadas com serviços de gás possa exigir investimentos significativos;
  • EVs são versáteis quando usados ​​como sistemas de baterias móveis, embora seu valor para a rede varie dependendo da tecnologia de carregamento e da estratégia de controle.


Créditos: Epbr/ Diálogos da Transição

Como o Brasil pode entrar na rota do aço verde

Um dos caminhos da transição é substituir o carvão mineral por gás natural nos fornos de produção e, futuramente, hidrogênio.

O Brasil tem uma das melhores jazidas de minério de ferro do mundo, tem um potencial relevante de produção de hidrogênio verde via energias renováveis, e pode utilizar o gás natural como combustível de transição.

O setor siderúrgico tem pela frente o enorme desafio de oferecer produtos com baixa intensidade de carbono — o segmento é a maior fonte industrial de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do mundo –, o que pode ser uma oportunidade para o Brasil transformar sua produção.

Estudo do Instituto E+ Transição Energética aponta que o Brasil tem potencial abundante para a produção de hidrogênio renovável e a produção e exportação de aço verde.

“Não há uma ‘bala de prata’ para descarbonização do aço, mas sim uma combinação de tecnologias e iniciativas voltadas para as especificidades das regiões em que as indústrias estão localizadas”, explica Emilio Matsumura, diretor-executivo do Instituto E+ e um dos autores do estudo.

Em entrevista à agência epbr, Matsumura afirma que os recursos minerais brasileiros combinados à alta renovabilidade da matriz energética deixam o país bem posicionado para a produção de aço com baixo teor de carbono a custos significativamente mais baixos.

Isso significaria também uma mudança no perfil de exportações — o país poderia deixar de exportar minério de ferro para vender produtos mais valiosos e aço verde, diz o estudo.

“O Brasil já tem um minério de ferro de alta qualidade. No mundo, o setor siderúrgico é visto dentro das estratégias de descarbonização como um setor chave, porque ele consome muita energia e emite bastante. Então muitos governos, empresas e consumidores estão olhando para a capacidade de [a siderurgia] produzir com a menor emissão possível”, explica Matsumura.

A indústria siderúrgica mundial responde individualmente por 8% da demanda total de energia final, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). O setor também contribui com 7% das emissões de CO2 relacionadas à produção e uso de energia.

Um dos caminhos da transição é substituir o carvão mineral por gás natural nos fornos de produção e, futuramente, hidrogênio.

75% da produção global utiliza altos fornos a carvão mineral, a rota mais intensiva em carbono. Os outros 25% são em fornos elétricos, que usam sucata de aço como matéria-prima principal e emitem menos que a rota tradicional.

Mas eliminar o carvão tem um custo e a competitividade fala mais alto.

“Você poderia produzir aço com menor emissão ainda que se utilizasse insumos mais caros? Sim, desde que as pessoas estivessem dispostas a pagar um prêmio por esse aço”.

Países europeus, por exemplo, se movimentam nesse sentido. Enquanto as empresas lançam mão de investimentos para descarbonizar produção e cadeia de suprimentos.

pacote Fit for 55, lançado em julho passado pela Comissão Europeia, cria um ajuste de fronteira para exportações e um dos setores que precisarão reduzir emissões para vender aos países do bloco é o de aço.

Para transformar sua siderurgia, o país precisa investir na expansão das florestas, produção sustentável de carvão vegetal, produção de hidrogênio e novas instalações e tecnologias, diz o estudo do E+.

Menos representativo na média mundial, o aço produzido com carvão vegetal responde por 10% da produção brasileira e reduz a intensidade de carbono do aço nacional.

O que já foi um problema no passado, pode ser parte da solução, diz o diretor do E+. “Cada vez mais o Brasil tem consciência e caminha para obter carvão vegetal com certificação, com todo cuidado possível”, completa Matsumura.

A limitação é que ele só pode ser usado em pequenos fornos, que precisam estar próximos à produção do carvão.

Outra possibilidade vem do hidrogênio renovável. O Brasil acumula memorandos de entendimentos para projetos em larga escala em portos — mas quase todos visam exportação.

No Rio de Janeiro, o Porto do Açu pretende utilizar sua expertise e infraestrutura na indústria de óleo e gás para se tornar um grande player na produção de hidrogênio azul e verde e ainda viabilizar a implantação de um hub de aço verde.

A ideia é industrializar o minério de ferro que chega via mineroduto de Minas Gerais usando o hidrogênio produzido no porto e fornecer aço de baixo carbono.

Fonte: Diálogos da Transição/Epbr

Mundo adicionou 257 GW de renováveis em 2021

Até o final de 2021, o mundo adicionou quase 257 gigawatts (GW) de energias renováveis, aumentando o estoque de energia renovável em 9,1%, mostra levantamento divulgado nesta segunda (11/4) pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês).
Segundo a agência, a capacidade global de geração renovável totalizou 3.064 GW no ano passado, representando 38% de toda a capacidade instalada.

Credito: foto de Ed White

O valor ficou ligeiramente abaixo do observado em 2020, de 260 GW (dobro em relação a 2019).

“O grande estoque existente de energia não renovável significa um bloqueio de carbono para muitos países que devem enfrentar a decisão de desativar usinas de combustível fóssil antes do final de suas vidas úteis. Isso é especialmente evidente nos países que dependem quase inteiramente da geração de energia de combustível fóssil em grande escala”, alertou a Irena em comunicado. 

A energia solar sozinha foi responsável por mais da metade das adições renováveis com um recorde de 133 GW, seguida por 93 GW de energia eólica, sendo 21 GW de offshore.

Juntas, solar e eólica contribuíram com 88% de toda a nova capacidade renovável em 2021. 

Sessenta por cento da nova capacidade foi adicionada na Ásia, resultando em um total de 1,46 terawatts (TW) de capacidade renovável até 2021. A China liderou o movimento, adicionando 121 GW – país também puxou o repique da demanda global por carvão.

Europa e a América do Norte – lideradas pelos EUA – ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com a primeira somando 39 GW e a segunda 38 GW. 

Na América do Sul, a expansão foi de pouco mais de 13,5 GW, com o Brasil puxando a expansão com quase 10 GW.

Destaques por tecnologia:

  • Energia hidrelétrica: O crescimento da hidrelétrica aumentou de forma constante em 2021, com o comissionamento de vários grandes projetos atrasados ​​até 2021.
  • Energia eólica: A expansão eólica continuou a um ritmo mais baixo em 2021 em relação a 2020 (+93 GW em comparação com +111 GW em 2020).
  • Energia solar: Com um aumento na nova capacidade em todas as principais regiões do mundo nos anos anteriores, a capacidade solar global total agora superou a capacidade de energia eólica.
  • Bioenergia: A expansão da capacidade líquida aumentou em 2021 (+10,3 GW em comparação com +9,1 GW em 2020).
  • Energia geotérmica: A capacidade geotérmica (aproveitamento do calor existente no interior da Terra) teve crescimento excepcional de 1,6 GW.
  • Eletricidade fora da rede: A capacidade fora da rede cresceu 466 MW em 2021 (+4%) para atingir 11,2 GW.

Francesco La Camera, diretor-geral da Irena, alerta que, para atingir os objetivos climáticos, as energias renováveis ​​devem crescer a um ritmo mais rápido do que a demanda de energia. No entanto, muitos países ainda não chegaram a esse ponto.

“Nossa atual crise energética também aumenta a evidência de que o mundo não pode mais depender de combustíveis fósseis para atender sua demanda de energia. A energia renovável deve se tornar a norma em todo o mundo. Devemos mobilizar a vontade política para acelerar o caminho de 1,5°C”.

No final de março, a agência estimou que será necessário investir US$ 5,7 trilhões por ano até 2030 em transição energética.

A cifra inclui o imperativo de redirecionar US$ 0,7 trilhão anualmente para longe dos combustíveis fósseis para evitar ativos ociosos.

Mas o ritmo e a escala atual da transição baseada em energias renováveis são inadequados, diz o estudo, e intervenções de curto prazo para lidar com a atual crise de energia devem ser acompanhadas por um foco firme nas metas de médio e longo prazo para emissões líquidas zero.

Brasil foi o 3º país que mais instalou eólicas em 2021. Foram 3,8 GW de nova capacidade — quase o dobro da média dos anos anteriores. A fonte é a segunda maior em participação na matriz elétrica brasileira.

“É uma indústria que tem atuado de forma muito eficiente e que tem alcançado resultados cada vez melhores, com um crescimento não apenas no mercado regulado, mas com forte expansão no mercado livre”, comenta Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica.

A expansão de quase 4 GW em 2021 foi o maior incremento da fonte desde 2014, quando o crescimento foi de 2.786 MW, de acordo com a Aneel. A fonte também representa pouco mais de 40% dos empreendimentos em construção de geração de energia. 

No final de março, a geração própria de energia atingiu a marca de 10 GW de potência instalada. Segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), a expectativa é que o país ultrapasse 15 GW até o final de 2022.

Entre as fontes dos sistemas de mini e microgeração de eletricidade, a energia solar é a mais presente no Brasil, representando 97,7% do total; seguida por termoelétrica (1,2%), Central Geradora Hidrelétrica — CGH (0,87%) e eólica (0,18%).

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

Governo lança crédito de metano – a criação de um crédito específico para metano – gás de efeito estufa (GEE) com 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono – é inédita no mundo. Segundo cálculos do governo, esse título pode ser equivalente a até 23 vezes um crédito de carbono.

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, assinou nesta segunda (21/3) uma portaria criando o crédito de metano, uma moeda verde que deve gerar receita adicional aos projetos de biogás e biometano, parte do programa Metano Zero. A ideia é que ele seja alinhado a outros mercados de carbono.

Embora o Brasil ainda não tenha um mercado regulado de carbono, no setor de combustíveis, o RenovaBio criou um crédito de descarbonização negociado em bolsa para incentivar a produção de biocombustíveis considerando a redução de GEE na substituição dos combustíveis fósseis.

“Só que o biometano tem uma característica adicional. Além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa na troca do combustível fóssil por um biocombustível, o aproveitamento desse biometano na produção evita as emissões feitas na decomposição da matéria orgânica”, comenta Gabriel Kropsch, vice-presidente da ABiogás, associação do setor. 

Ele explica que o produtor ganhará nas duas pontas. Ao capturar o gás dos resíduos agroindustriais para a produção de combustíveis e ao poder emitir um crédito pela emissão evitada.

A produção atual de biometano é de 400 mil metros cúbicos/dia, em menos de 10 usinas. O setor espera alcançar 2,3 milhões de metros cúbicos/dia em 2027.

Para isso, são planejadas 25 novas unidades e investimentos de mais de R$ 7 bilhões nos próximos cinco anos.

Assim como diesel verde e SAF (combustível sustentável de aviação), o biometano é um combustível drop-in, isto é, idêntico ao seu equivalente fóssil – no caso, o gás natural, e busca sua inserção no mercado brasileiro.

Mas, enquanto a discussão sobre a entrada de diesel verde e SAF na matriz mira a demanda, com a definição de mandatos, o biometano segue uma rota diferente. 

De acordo com Gabriel, a demanda já existe, por isso o foco é na produção.

“O Brasil é um dos maiores mercados de combustíveis do mundo. E o biometano é super competitivo. O que precisamos hoje é incentivar a produção, porque como ele vai entrar substituindo outros combustíveis fósseis, não temos que criar essa demanda”. 

“O que as empresas precisam, e querem, é combustíveis competitivos e descarbonizados”, completa. 

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição





A tendência de eventos climáticos extremos como o de Petrópolis/RJ, vem sendo observada em vários lugares do mundo e deve ficar cada vez mais frequente  – só no Brasil, tivemos situações semelhantes em São Paulo, no início do ano, e no sul da Bahia, no final do ano passado. 

O alerta não é novo – em agosto do ano passado, o relatório mais recente do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) mostrou que o aquecimento médio de 1°C fez com que as inundações aumentassem 30%.

Episódios de chuvas extremas já estão correndo com volume de água 6,7% maior, podendo chegar a 30,2% no pior dos cenários.

Os cientistas do IPCC agora trabalham na segunda parte do relatório, com foco em adaptação, cuja publicação está prevista para 28 de fevereiro.

O documento deve trazer indicações do que o mundo precisa fazer para se adaptar a chuvas intensas e inundações, ou secas prolongadas e incêndios, por exemplo.

A grande questão é se os líderes globais estão dispostos a agir para solucionar o problema.

“Na COP26 não chegamos a um bom resultado com relação a esse olhar para racismo ambiental. Não conseguimos destravar o fundo de perdas e danos para apoiar países mais vulneráveis na recuperação dos prejuízos que as mudanças climáticas estão gerando”, comenta JP Amaral, coordenador do programa Criança e Natureza no Instituto Alana. 

A conferência climática de Glasgow em novembro do ano passado ficou marcada pelas promessas dos países para evitar mudanças catastróficas, mas falhou em conseguir levantar os recursos necessários para perdas e danos – uma demanda que se arrasta após anos de negociações.

Países ricos prometeram, em 2009, mobilizar US$ 100 bilhões anuais para os países pobres. A promessa não cumprida foi adiada para 2023.

A expectativa é que a COP27, que será realizada este ano, no Egito, se debruce sobre a questão.

“O Egito deve trazer uma pauta mais do Sul global, falando sobre justiça climática, em especial pelo continente africano. Esperamos mesmo que isso avance, porque enquanto estamos discutindo meta para daqui dez, vinte, quarenta anos, temos uma realidade latente em vários países pobres que já estão sofrendo essas consequências”.

E essas consequências são sentidas de forma mais intensa e frequente pelas populações negras e periféricas, diz JP Amaral, porque é justamente onde a infraestrutura é precária para evitar desastres.

  • Os eventos climáticos e meteorológicos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade como resultado da mudança climática, atingindo comunidades vulneráveis ​​de forma desproporcional, revelou um novo relatório da ONU, que pede um maior investimento em sistemas eficazes de alerta precoce.
  • “Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), no prefácio do relatório.

Relatório sobre o Estado dos Serviços Climáticos 2020: Mudança de Alertas Antecipados para Ação Antecipada, divulgado nesta terça-feira (13) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, destacou a necessidade de previsões baseadas em impactos — uma evolução na percepção de “como estará o clima” para “o que o clima poderá fazer”, com o objetivo de permitir que pessoas e empresas possam agir com antecedência, com base nos alertas.

“Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, no prefácio do relatório.

Ele também destacou que, embora possa levar anos para se recuperar das perdas humanas e econômicas da pandemia de COVID-19, é crucial lembrar que as mudanças climáticas continuarão a representar uma ameaça contínua e crescente para vidas humanas, ecossistemas, economias e sociedades nos séculos vindouros.

Créditos: ONU e Diálogos para a Transição/Epbr

Cinco países, entre eles o Brasil, podem adicionar 2,2 milhões de empregos com energia eólica, em Relatório divulgado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC).

Credito: foto de Ed White

Esses novos postos de trabalho seriam gerados ao longo de uma vida útil de 25 anos de projetos eólicos e quase 20 gigawatts (GW) de instalações adicionais no Brasil, Índia, África do Sul, México e Filipinas.

Relatório divulgado em 17/fev ultimo pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), aponta que uma recuperação verde movida a energia eólica pode criar mais de 2,2 milhões de empregos em cinco países.

Ainda de acordo com o documento, os 20 GW seriam suficientes para abastecer cerca de 25 milhões de residências a cada ano a partir de 2026 e potencialmente evitar a emissão de 714 milhões de toneladas de CO2 equivalente durante a vida útil dos parques.

O cálculo é feito sobre quanto poderia ser adicionado além do que está previsto.

No Brasil, o cenário de recuperação verde do GWEC considera que a instalação de 16 GW de capacidade – ante os 11 GW previstos atualmente – entre 2022-2026, poderia criar 1,35 milhão de empregos no país.

No cenário de 11 GW, que considera os contratos assinados atualmente, a previsão é de 750 mil postos de trabalho.

O Brasil fica atrás apenas da Índia. No país asiático, está programada a instalação de 21,5 GW até 2026, mas o GWEC indica um potencial de chegar a 31,2 GW, elevando a quantidade de oferta de trabalho de 1,5 milhão para 2,65 milhões.

A organização calcula que, para alcançar o objetivo internacional de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C até o final do século, o volume anual de instalações de energia eólica deve aumentar cerca de quatro vezes na próxima década.

“À medida que entramos em 2022, estamos vendo a geração a carvão no caminho para atingir um pico recorde, os preços do gás natural em máximas históricas e – como previsto – as emissões se recuperando juntamente com a recuperação econômica”, comenta Ben Backwell, CEO do GWEC.

O executivo afirma que o setor é particularmente atraente para economias emergentes onde a transição energética se torna mais complexa.

É preciso eliminar combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, garantir crescimento econômico e atender à demanda de eletricidade em rápida expansão.

“A recuperação verde, incluindo estímulos e investimentos públicos direcionados, bem como reformas políticas que melhorem o ambiente propício para uma economia verde, podem contribuir muito para colocar o mundo no caminho certo para atingir as metas climáticas internacionais e aumentar a resiliência do sistema energético”, completa.

Embora o relatório inclua apenas cinco estudos nacionais, resultados semelhantes podem ser alcançados por outros países. Veja a íntegra em inglês (.pdf) 

A análise da experiência internacional da indústria descobriu que normalmente uma taxa de instalação de 1 GW/ano ao longo de cinco anos poderia criar quase 100 mil novos empregos e US$ 12,5 bilhões de valor agregado bruto para as economias nacionais ao longo da vida útil dos parques eólicos.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição.

Estudo publicado na revista Science, revela centenas de ultra queimas de metano em instalações de petróleo e gás, baseado em observações do satélite Sentinel-5P da ESA- European Space Agency, feito pela Carbon Mapper que é parte de um time internacional de cientistas liderados pelo Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France).

Ultra-emitting facilities are responsible for 10% of global oil and gas methane emissions yet are currently missing from most inventories.

Pasadena, California—February 3, 2022— Carbon Mapper is part of an international team of scientists led by the Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France) with the analytics firm Kayrros, Duke University’s Nicholas School for the Environment, and The Cyprus Institute’s Climate and Atmospheric Research Centre (Cyprus) that identified oil and gas facilities emitting significant amounts of methane in sporadic bursts. These emissions have a significant climate impact yet are not completely accounted for in existing emissions inventory estimates.

This peer-reviewed research was published today ( Feb, 3) in the journal Science.

The team performed a systematic analysis of thousands of images produced daily by the European Space Agency satellite mission Sentinel-5P to estimate the amount of methane released into the atmosphere by oil and gas production activities. Over a two-year period, they detected 1,200 “ultra-emitters” attributed to oil and gas facilities and along major transmission pipelines that sporadically release greater than 25 tons of methane per hour over most of the largest oil and gas basins worldwide. Together, these facilities represent more than 50% of the total onshore natural gas production. Most of the ultra-emitters were short-lived and many are likely due to planned maintenance activities.
The study focused on six top oil and gas producing countries where ultra-emitting activities are particularly frequent and revealed that in total, these unreported releases contribute to approximately 10% of all methane emissions from these country’s oil and gas operations. This is an incredibly large contribution for such a limited number of events.

These methane sources also represent billions of dollars in subsequent costs when considering their climate impact and natural gas loss. Mitigating these emissions represents the equivalent of taking 20 million vehicles per year off the road, and the avoided warming would prevent approximately 1,600 premature deaths annually due to heat exposure.

Collaborating scientists Riley Duren and Daniel Cusworth from Carbon Mapper, the University of Arizona, and the NASA Jet Propulsion Laboratory contributed analysis based on their team’s experience studying methane emissions with remote sensing aircraft that complement the Sentinel-5P data with observations at higher spatial resolution and lower detection limits.

“To our knowledge, this is the first worldwide study to estimate the amount of methane released into the atmosphere by maintenance operations and accidental releases,” said Thomas Lauvaux, CNRS research scientist of the French Make Our Planet Great Again program at LSCE. “Unreported ultra-emitters explain in part the under-estimation in official oil and gas reported emissions by countries as documented by previous studies. The atmospheric monitoring approach enabled by recent satellite missions provides a unique perspective on oil and gas activities, and the potential to mitigate these large releases of methane.”

Several recent studies have demonstrated that oil and gas emissions are often underestimated by conventional accounting methods due to the absence of a global monitoring system able to track high emissions sources including leaks and planned venting. Therefore, the identification and quantification of these sources has significant implications for individual country emissions inventories, as well as global methane emissions estimates which have risen in international importance with the Global Methane Pledge.

“This work confirms what we have only glimpsed in previous studies of individual facilities and regions: that intermittent, large releases of methane from oil and gas operations are common globally and are mostly unreported,” said Riley Duren, Carbon Mapper Chief Executive Officer. “In this critical decade for climate action, this underscores the urgent need for persistent global observing systems that can detect, pinpoint and quantify methane emissions at scales relevant to decision making.”

“Our study supplies a first systematic estimate of large methane leaks that can only be seen from space, showing how these detections relate to wider methane monitoring processes,” added Alexandre d’Aspremont of Kayrros. “This is a giant step towards overcoming the current limitations of the methane reporting system which is critical to meeting COP26 commitments to slash methane.”

The study concluded that readily available and cost-effective strategies such as enforcing leak detection and repair strategies or reducing venting during routine maintenance and repairs can significantly reduce these ultra-emitters in the near-term.
“We find that capturing the methane from these ultra-emitters provides enormous benefits via reduced climate change and improved air quality. Society would come out billions of dollars ahead by eliminating the emissions from these sources,” said Dr. Drew Shindell from Duke University. “As the captured methane is a valuable commodity, the companies or countries capturing the wasted gas also typically come out ahead.”


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Carbon Mapper is a non-profit organization focused on facilitating timely action to mitigate greenhouse gas emissions. Its mission is to fill gaps in the emerging global ecosystem of methane and CO2 monitoring systems by delivering data at facility scale that is precise, timely, and accessible to empower science-based decision making and action. The organization is leading the development of the Carbon Mapper constellation of satellites supported by a public-private partnership composed of Planet, NASA’s Jet Propulsion Lab, the California Air Resources Board, the University of Arizona, Arizona State University, and RMI, with funding from High Tide Foundation, Bloomberg Philanthropies, The Grantham Foundation, and other philanthropic donors. Learn more at carbonmapper.org and follow us on Twitter @carbonmapper.

Creditos: Space.com

Setor de energia ainda não está alinhado com limite de 2°C, mostra TPI- Transition Pathway Initiative.

Relatório publicado no dia 9/fev ultimo pela Transition Pathway Initiative (TPI) mostra que a maioria das empresas do setor de energia (eletricidade e óleo e gás) está desalinhada com as metas de limitar o aquecimento do planeta abaixo de 2°C até o final do século.

No setor de óleo e gás, 48 – de um total de 58 analisadas – não estão alinhadas, nem com as NDCs (compromissos apresentados pelos países para cumprir o Acordo de Paris), nem com os cenários abaixo de 2°C. A Petrobras é uma delas.
Três empresas (TotalEnergies, Occidental Petroleum e Eni) estão alinhadas com o cenário 1,5ºC e apenas uma, a Galp, com 2°C.
Quatro (Shell, Repsol, Origin Energy e Ecopetrol) estão alinhadas com as NDCs — ainda assim consideradas insuficientes.

No setor elétrico os resultados são significativamente melhores do que no O&G, mas ainda há um longo caminho pela frente.
Das 76 companhias do setor elétrico analisadas, 33 têm gestões de emissões alinhadas com o cenário abaixo de 2°C até 2100, como propõe o Acordo de Paris. Enquanto 11 empresas já estão alinhadas com 1,5°C. 

A análise foi feita a partir de um benchmark desenvolvido pela TPI com caminhos de descarbonização setorial voltado para investidores. Veja a íntegra em inglês (.pdf)

479 das maiores empresas de capital aberto do mundo, com valor de mercado somando cerca de US$ 10 trilhões, são avaliadas pela ferramenta que permite aos investidores julgar se as empresas estão na direção certa para a transição para emissões líquidas zero até 2050.

  • A TPI é apoiada por investidores com mais de US$ 40 trilhões em ativos. Suas referências são usadas ​​pelo Climate Action 100+, iniciativa de investidores para garantir que os maiores emissores corporativos do mundo tomem as medidas necessárias sobre as mudanças climáticas.

O relatório cobre os setores de Eletricidade, Petróleo e Gás, Alumínio, Cimento, Mineração, Papel, Siderurgia e Transportes (Automóveis, Aviação, Navegação), e usa como base os cenários da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). 

Creditos: Diálogos da Transição-Epbr