O paradoxo da Demanda e os desafios para a redução da reinjeção do gás natural no Brasil

Contexto do problema

A reinjeção do gás natural nos campos de produção de petróleo e gás no Brasil tem aumentado expressivamente. Embora o país venha registrando crescimento robusto na produção de gás natural — impulsionado principalmente pelo pré-sal —, mais da metade desse volume não chega ao mercado consumidor. A maior parte é reinjetada nos próprios reservatórios.

Essa situação acende um alerta sobre o aproveitamento ineficiente de um recurso energético valioso, com impactos diretos na segurança energética e no potencial de industrialização do país.

Produção de Gás Natural no Brasil

A produção de gás natural no Brasil, tanto em terra quanto no mar, tem aumentado ao longo da última década. O gráfico a seguir mostra essa evolução entre 2013 e 2025 ( dados ANP) :

A taxa de crescimento anual ( CAGR)  da produção total de gás natural no Brasil entre 2013 e 2024 foi de aproximadamente 6,5% ao ano.

Já o CAGR da produção de gás natural no Brasil entre 2020 e 2024 foi mais moderado de 4,62% ao ano.

Evolução da reinjeção

Enquanto a produção cresce, a reinjeção acompanha o mesmo ritmo. O gráfico a seguir, baseado em dados consolidados de 2006 a 2025, mostra a evolução do volume de reinjeção em milhões de metros cúbicos por dia (milhões m³/dia):

Grafico 2 : elaboração propria

Como pode ser visto no gráfico 2 acima , o volume reinjetado aumentou fortemente após 2015, o que coincide com o aumento de produção no pre-sal, onde encontramos altas taxas de gás associado com petróleo ( e CO2). Ver gráfico 3 abaixo. Fonte ANP.

Gráfico 3 –  Produção de Gás Natural no Pré-sal e Pós Sal de 2011 a 2025 ( fonte ANP)

Percentual de reinjeção sobre a produção

Talvez o dado mais impactante esteja no percentual de reinjeção sobre a produção total. Em 2013, esse índice era de 13,8%. Em 2024, já passa dos 54%. Mais da metade do gás produzido é reinjetado. Vejam no gráfico 4 abaixo, o crescimento do percentual de reinjeção em relação a produção de 2013 a 2024.

Gráfico 4 – Porcentagem da Reinjeção sobre a Produção – 2013 a 2025 ( elaboração propria)

O CAGR da produção de gás natural no Brasil entre 2020 e 2024 foi de 4,62% ao ano

Ou seja, nesse mesmo período:

  • A produção cresceu a uma taxa média de 4,6% ao ano,
  • Enquanto a reinjeção cresceu a 6,2% ao ano.

Em um artigo anterior já discutimos o que vem a ser a Reinjeção Técnica e a Reinjeção Econômica; mas para aqueles que não leram deixamos no final do artigo uma nota explicativa.

A limitação da infraestrutura de escoamento

Mesmo quando o gás poderia ser aproveitado, a malha de gasodutos no Brasil é limitada. A maior parte da infraestrutura foi construída pela Petrobras antes da nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021). Existe um hiato de vários anos na construção de novas infraestruturas de escoamento. Vamos ver os projetos entregues mais recentemente.

Rota 3 e novos projetos

O Rota 3 da Petrobras, começou a ser construído em 2018, mas só entrou em operação em agosto de 2024.

O projeto Raia, da Equinor (com Repsol Sinopec e Petrobras), levará 16 milhões de m³/dia ao terminal de Cabiúnas/RJ, com um diferencial: o gás será processado no próprio FPSO e deverá entrar em operação em 2028.

O gasoduto SEAP (Sergipe-Alagoas), da Petrobras, com 18 milhões de m³/dia de capacidade, está previsto apenas para 2030, segundo o atual Plano de Negócios da Petrobras.

A lógica dos FPSOs

Os últimos grandes FPSOs foram projetados para reinjetar 100% do gás produzido, como os de Búzios, Atapu, Sépia e Bacalhau. Anteriormente, as unidades processavam de 10 a 15 MMm³/dia e produziam 180 mil barris/dia. Atualmente, as novas unidades foram desenhadas para produzir 220 mil barris/dia, com reinjeção total do gás — conforme os PDs aprovados.

Caminhos para a redução da reinjeção

Embora complexo, o cenário não é irreversível. Algumas estratégias viáveis incluem:

  • Investimento em infraestrutura: construção de novos gasodutos, UPGNs e sistemas de liquefação.
  • Abertura do mercado de gás: com mais agentes e contratos mais flexíveis.
  • Tecnologias de aproveitamento local: como geração offshore ou microliquefação.
  • Revisão dos Planos de Desenvolvimento, com base em simulações técnicas e econômicas.
  • Atualização tecnológica das plataformas: para viabilizar a separação eficiente do CO₂.
  • Aprimoramento regulatório e incentivos econômicos. Programa de Gás Release e Revisão das Tarifas de Transporte ( em andamento pela ANP)

A demanda estagnada e o paradoxo do gás natural

Ao contrário do que se poderia esperar diante da expansão da produção de gás natural no Brasil, a demanda do mercado não acompanhou esse crescimento. Quando se exclui o consumo associado à geração termelétrica — que é sazonal e sensível ao regime hidrológico —, observa-se no Gráfico 5, uma queda real na demanda estrutural de gás nos últimos anos.

Gráfico 5 : Demanda de Gás Natural por Segmento (milhões m³/dia), sem geração elétrica.

Grafico 5 – Fonte: Brasil Energia ( MME/Abegás)

Entre 2015 e 2024, a demanda total dos segmentos não térmicos caiu de 52,7 milhões para 37,8 milhões de m³/dia — uma retração de quase 28% em menos de uma década. Os principais segmentos afetados foram o industrial, que responde pela maior parte do consumo, e a cogeração.

Essa realidade revela um paradoxo: o Brasil produz cada vez mais gás natural, mas consome proporcionalmente menos em sua base econômica real. E isso não se dá por falta de gás, mas sim por falta de infraestrutura de escoamento/processamento e por excesso de reinjeção.

Parte significativa deste gás reinjetado poderia chegar ao mercado consumidor por meio das instalações existentes em alguns casos ( a depender da sua localização) e em outros por meio de novos gasodutos de escoamento, como está acontecendo com o Projeto Raia da Equinor.

Como discutido anteriormente, a limitação dos gasodutos marítimos e a reinjeção deliberada nos FPSOs tornam inviável o aproveitamento do gás do pré-sal em larga escala. O gás permanece no mar, enquanto indústrias em terra enfrentam barreiras logísticas e regulatórias para acessar esse importante insumo. Deveria haver uma maior oferta, contando com mais agentes comercializadores, o que provocaria uma maior competividade.

O excesso de reinjeção — ainda que tecnicamente justificável em parte —, somado à estagnação da demanda estrutural, gera um impasse estratégico: o Brasil não consegue transformar sua riqueza em competitividade.

A reversão desse cenário exige ações coordenadas em duas frentes: de um lado, acelerar os investimentos em infraestrutura de escoamento e processamento; de outro, estimular o consumo de gás por meio de políticas públicas, contratos flexíveis e integração regional. O gás precisa deixar de ser apenas um subproduto do petróleo e se consolidar como um vetor de reindustrialização e transição energética.

Conclusão

A reinjeção do gás natural é um desafio estratégico para o setor energético brasileiro. Superá-lo exige um esforço coordenado entre governo, reguladores, operadoras , transportadores e o setor privado. Mais do que um problema técnico, trata-se de uma decisão sobre o futuro do gás natural: continuará como subproduto do petróleo ou será tratado como verdadeiro vetor de desenvolvimento?

Com as reservas disponíveis, a resposta depende de planejamento, revisão regulatória e uma visão integrada do papel do gás natural na industrialização do país, geração de emprego e renda e na transição energética, onde o gás natural tem um papel importante já reconhecido por toda a comunidade, como “agente da transição”.

Notas explicativas:

Reinjeção Técnica

Plataformas, especialmente mais antigas, muitas vezes não contam com a tecnologia necessária para separar adequadamente o gás natural do CO₂. Com isso, parte significativa do gás é reinjetada junto com o CO₂ — o chamado gás arrastado. Essa parcela é considerada reinjeção técnica, por estar associada à limitação da tecnologia de separação por membranas. A ANP, desde 2023, passou a divulgar dados de produção líquida (sem CO₂), o que ajuda a mensurar melhor o impacto do gás arrastado.

Reinjeção Econômica

Além do aspecto técnico, há também uma reinjeção deliberada — a reinjeção econômica. Trata-se do uso do gás natural para manter a pressão nos reservatórios e aumentar o fator de recuperação do petróleo, o qual possui maior valor comercial. Essa estratégia foi prevista nos Planos de Desenvolvimento (PDs) dos campos, aprovados pela ANP, e alterar esse modelo exigiria reavaliações econômico-financeiras detalhadas, ativo a ativo, algo que o programa Gas para Empregar, delegou a ANP fazer, mas que por falta de recursos humanos, deve demorar um bom tempo a ser feito.

Brasil entre os países mais alinhados com Net Zero, mas fica para trás no hidrogênio.

Os atuais planos climáticos (Contribuições Nacionalmente Determinadas – NDCs) do Brasil, França, Reino Unido, EUA e Austrália são os mais alinhados com o cenário de emissões líquidas zero projetado pela BloombergNEF em relatório divulgado esta semana.
 
Com o tempo para ação esgotando, a análise traz indicativos de como o mundo ainda pode alcançar parte dos objetivos do Acordo de Paris e ficar abaixo de 2°C.
 
Embora cientistas do IPCC apontem que o ideal é limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C até 2100, o cenário net zero da BNEF mostra que há uma chance de 67% de manter o aquecimento global em 1,75 °C. Ver figura 1 abaixo.

Nele, a demanda por petróleo, gás e carvão atinge o pico rapidamente e sofre um declínio acentuado a partir do ano que vem (2025). Ver figura 2 abaixo.

“Os setores de energia, transporte, indústria e edifícios estão transacionando em velocidades diferentes e de acordo com as tecnologias disponíveis para sua descarbonização, mas logo todos veem as emissões começando a cair imediatamente. Estas mudanças de curto prazo só ocorrem graças a uma rápida expansão das tecnologias de energia limpa”, destaca o documento.
 
A simulação considera que a capacidade global de energia renovável triplica até 2030, a rápida adoção de veículos elétricos reduz o mercado de carros a gasolina e diesel até 2034 e as tecnologias de tecnologia de captura de carbono, armazenamento de energia e geração nuclear dão um salto antes de 2030.
 
Quase metade das emissões evitadas entre hoje e 2050, em todo o mundo, virá da descarbonização do setor de energia elétrica.

Enquanto um quarto depende da eletrificação dos setores de uso final, como transporte rodoviário, edifícios e indústria.
 O quarto restante é considerado o mais desafiador: inclui biocombustíveis no transporte marítimo e aéreo; hidrogênio na indústria e no transporte; e captura e armazenamento de carbono na indústria e na geração de energia. 

Nem todo mundo está alinhado. A BNEF avalia que as NDCs da Alemanha, Coreia do Sul, Japão e Índia estão no meio do caminho e precisam aumentar a ambição para entrar na rota net zero. 

 Enquanto China, Indonésia e Vietnã estão mais distantes, com maior margem para elevar a ambição em suas próximas Contribuições Nacionalmente Determinadas.

Corrida do hidrogênio

Outro estudo da BNEF publicado recentemente aponta, em contrapartida, o Brasil ficando para trás na atração de projetos de hidrogênio de baixo carbono – apesar de todo o seu potencial de fornecimento de eletricidade renovável.
 
Com políticas de apoio mais robustas, China, Europa e EUA poderão responder por mais de 80% do fornecimento global de hidrogênio limpo até 2030, calcula a consultoria.
 
Já regiões como América Latina e Austrália, apesar de terem grandes projetos em andamento, podem desempenhar um papel menor devido ao fraco apoio político.
 
Espera-se que os EUA sozinhos se tornem o maior produtor individual de hidrogênio limpo até o fim da década, respondendo por quase 37% da oferta global. Em grande parte por conta dos incentivos que o governo norte-americano vem dando à indústria local, contidos na Lei de Redução da Inflação (IRA, em inglês) e na Lei Bipartidária de Infraestrutura (BIL).
 
Além disso, a estimativa é que, globalmente, apenas 30% dos 1,6 mil projetos anunciados até agora saiam do papel, resultando em um total de 477 projetos em operação até o final da década. 

Ainda assim, a BNEF espera que o fornecimento global de hidrogênio de baixo carbono aumente em 30 vezes, saltando de 500 mil toneladas, hoje, para 16,4 milhões de toneladas por ano, até 2030.

Fonte: Dialogos da Transição ( editado por Nayra Machado)/ BloombergNEF

Pobreza energética sujeita 389 milhões de mulheres a catar biomassa

“Na saúde, a consequência é que cerca de 600 mil mulheres e crianças africanas morrem anualmente devido à inalação de gases tóxicos. “

“Na economia, o custo do tempo perdido pelas mulheres na procura de lenha é estimado em US$ 800 bilhões por ano.”

Enquanto dezenas de milhões de pessoas trabalham em empregos formais no setor de energia ao redor do mundo, cerca de 389 milhões de mulheres e meninas estão produzindo biomassa para atender às necessidades básicas de energia de famílias mais pobres nos países em desenvolvimento, estimam os pesquisadores do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia (EUA).

Após um mapeamento das dinâmicas de gênero no setor de energia, o grupo de estudiosos identificou que há uma lacuna de informações quando se trata do trabalho informal feminino.

No caso específico da biomassa que aquece lares e mantém aceso os fogões em regiões pobres de países na Ásia, África e América Latina, o trabalho é fundamental, mas frequentemente negligenciado, aponta o relatório (.pdf).

A estimativa é que, para cada pessoa com um emprego formal na indústria energética (aproximadamente 40 milhões), nove mulheres estão fornecendo uma fonte primária de energia para suas famílias.

Cerca de 2 bilhões de pessoas dependem da biomassa para cozinhar (e algumas para aquecimento). Mulheres e meninas em muitos países em desenvolvimento constituem a maioria das pessoas que coletam lenha para consumo doméstico – um esforço muitas vezes árduo e demorado”, dizem os pesquisadores.

Uma das descobertas do relatório é que as produtoras de biomassa para o lar superam em número os homens, com destaque para a África subsaariana, onde a participação feminina nesta atividade é muito mais alta que em qualquer outra região.

Em regiões de renda média-baixa na Ásia, há paridade entre homens e mulheres, enquanto na América Latina, a extração é feita majoritariamente pelos homens. No entanto, a AL é menos representativa em números: apenas 4% da população global que depende de biomassa doméstica.

Além disso, a maioria das produtoras de biomassa (cerca de 75%) vive em áreas rurais, frequentemente nas partes mais pobres de muitos países em desenvolvimento.

Iniciativas para descarbonizar as cozinhas

Em dezembro do ano passado, o tema esteve presente (ainda que de forma marginal) nas discussões da COP28 em Dubai.

É questão de gênero, de saúde e econômica.

O Banco Africano de Desenvolvimento calcula que cerca de um bilhão de pessoas no continente não têm acesso a uma cozinha limpa e dependem da biomassa ou do querosene. A queima desses combustíveis provoca elevados níveis de poluição do ar dentro das casas.

Na saúde, a consequência é que cerca de 600 mil mulheres e crianças africanas morrem anualmente devido à inalação de gases tóxicos.

Na economia, o custo do tempo perdido pelas mulheres na procura de lenha é estimado em US$ 800 bilhões por ano.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) o acesso universal à cozinha limpa reduziria as emissões de CO2 em 1,5 bilhão de toneladas até 2030.

“Iniciativas de cozinha limpa poderiam eliminar a necessidade de grande parte desse trabalho e são importantes, em parte, devido a considerações de saúde para pessoas que cozinham com combustíveis de biomassa”, defendem os pesquisadores da Columbia.

Eles explicam que, embora as projeções sobre a universalização da “cozinha limpa” indiquem queda no número de mulheres produzindo biomassa doméstica, cerca de 200 milhões, ou mais, ainda poderiam estar envolvidas nesse esforço em 2030, predominantemente na África subsaariana.

“A produção de biomassa para o lar constitui o trabalho de mulheres pobres e frequentemente marginalizadas. Mais pesquisas de campo são necessárias para descobrir o que essas produtoras realmente desejam e como a transição energética pode melhorar suas vidas e as de suas famílias”, defendem.

Creditos: Dialogos da Transição- epbr – Por Nayara Machado

BRASIL DEVE ECONOMIZAR CERCA DE US$ 5 BILHÕES EM 2022 POR CONTA DE INVESTIMENTOS EM RENOVÁVEIS NO ÚLTIMO ANO

Dos cerca de US$ 5 bilhões economizados no país em 2022, os novos projetos de energia eólica onshore adicionados em 2021 responderão por uma fatia de aproximadamente US$ 3,5 bilhões. A energia solar fotovoltaica também trará uma contribuição considerável, trazendo uma economia de US$ 1 bilhão para o Brasil. Por fim, a biomassa e a energia hidrelétrica somadas trarão ganhos de US$ 500 milhões.

Enquanto a Europa passa por um sufoco com os altos preços das fontes fósseis e se esforça para reduzir sua dependência dos hidrocarbonetos da Rússia, o Brasil vive em um cenário oposto. A forte presença das fontes limpas em nosso país garantirá um certo alívio nos custos com energia. É o que afirma um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês). Segundo o documento, o Brasil vai economizar cerca de US$ 5 bilhões em 2022, graças aos investimentos em fontes renováveis realizados no ano passado – que evitarão custos adicionais com a geração de energia fóssil. Esse montante é o segundo maior de todo o mundo, ficando atrás apenas da China – que deve economizar cerca de US$ 30 bilhões por conta de seus novos projetos renováveis. A excelente posição do Brasil apontada no relatório da IRENA é explicada, principalmente, pela forte presença da fonte eólica terrestre no país.

O relatório da IRENA, chamado “Renewable Power Generation Costs in 2021” (disponível, em inglês, clicando aqui), mostra que quase dois terços ou 163 gigawatts (GW) da energia renovável instalada no mundo em 2021 teve custos menores que a opção a carvão mais barata do G-20. Por isso, diante dos atuais altos preços dos combustíveis fósseis, a energia renovável adicionada em 2021 economiza cerca de US$ 55 bilhões dos custos globais de geração de energia em 2022.

As energias renováveis são de longe a forma mais barata de energia atualmente. O ano de 2022 é um exemplo gritante de quão economicamente viável a nova geração de energia renovável se tornou. A energia renovável libera as economias da volatilidade de preços e importações de combustíveis fósseis, reduz os custos de energia e aumenta a resiliência do mercado – ainda mais se a atual crise de energia continuar”, disse o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera.

A IRENA destacou também o importante papel que as energias renováveis de custo competitivo vão desempenhar na transição energética, de acordo com o limite de aquecimento de 1,5°C e as metas do Acordo de Paris. De acordo com a agência, as fontes solar e eólica possuem prazos relativamente curtos para implantação de projetos. Por isso, elas serão vitais nos esforços dos países para reduzir rapidamente e, eventualmente, eliminar os combustíveis fósseis e limitar os danos macroeconômicos que causam na busca de zero emissões líquidas.

Embora uma resposta temporária à crise possa ser necessária na situação atual, desculpas para suavizar as metas climáticas não serão válidas a médio e longo prazo. A situação de hoje é um lembrete devastador de que as energias renováveis e a economia de energia são o futuro. Com a COP27 no Egito e a COP28 nos Emirados Árabes Unidos chegando, as energias renováveis fornecem aos governos energia acessível para se alinhar com as zero emissões líquidas e transformar suas promessas climáticas em ações concretas com benefícios reais para as pessoas no terreno”, acrescentou La Camera.

Os altos preços do carvão e do gás fóssil em 2021 e 2022 também deteriorarão profundamente a competitividade dos combustíveis fósseis e tornarão as energias solar e eólica ainda mais atraentes. Com um aumento sem precedentes nos preços do gás fóssil na Europa, por exemplo, a nova geração de gás fóssil na Europa se tornará cada vez mais antieconômica ao longo de sua vida, aumentando o risco de ativos ociosos.

Nas contas da IRENA, os custos de combustível e CO2 para usinas de gás existentes podem ser, em média, de quatro a seis vezes mais caros em 2022 do que o custo vitalício de uma nova energia solar fotovoltaica e eólica onshore comissionada em 2021. A agência afirma que, entre janeiro e maio de 2022, as gerações solar e eólica podem ter economizado na Europa importações de combustíveis fósseis na ordem de US$ 50 bilhões, predominantemente gás fóssil.

Quanto às cadeias de suprimentos, os dados da IRENA sugerem que nem todos os aumentos de custos de materiais foram repassados ainda aos preços de equipamentos e custos de projetos. Se os custos dos materiais continuarem elevados, as pressões de preços em 2022 serão mais pronunciadas. Entretanto, os aumentos podem ser ofuscados pelos ganhos gerais das energias renováveis de custo competitivo em comparação com os preços mais altos dos combustíveis fósseis.

Créditos: Petronotícias/IRENA

A tendência de eventos climáticos extremos como o de Petrópolis/RJ, vem sendo observada em vários lugares do mundo e deve ficar cada vez mais frequente  – só no Brasil, tivemos situações semelhantes em São Paulo, no início do ano, e no sul da Bahia, no final do ano passado. 

O alerta não é novo – em agosto do ano passado, o relatório mais recente do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) mostrou que o aquecimento médio de 1°C fez com que as inundações aumentassem 30%.

Episódios de chuvas extremas já estão correndo com volume de água 6,7% maior, podendo chegar a 30,2% no pior dos cenários.

Os cientistas do IPCC agora trabalham na segunda parte do relatório, com foco em adaptação, cuja publicação está prevista para 28 de fevereiro.

O documento deve trazer indicações do que o mundo precisa fazer para se adaptar a chuvas intensas e inundações, ou secas prolongadas e incêndios, por exemplo.

A grande questão é se os líderes globais estão dispostos a agir para solucionar o problema.

“Na COP26 não chegamos a um bom resultado com relação a esse olhar para racismo ambiental. Não conseguimos destravar o fundo de perdas e danos para apoiar países mais vulneráveis na recuperação dos prejuízos que as mudanças climáticas estão gerando”, comenta JP Amaral, coordenador do programa Criança e Natureza no Instituto Alana. 

A conferência climática de Glasgow em novembro do ano passado ficou marcada pelas promessas dos países para evitar mudanças catastróficas, mas falhou em conseguir levantar os recursos necessários para perdas e danos – uma demanda que se arrasta após anos de negociações.

Países ricos prometeram, em 2009, mobilizar US$ 100 bilhões anuais para os países pobres. A promessa não cumprida foi adiada para 2023.

A expectativa é que a COP27, que será realizada este ano, no Egito, se debruce sobre a questão.

“O Egito deve trazer uma pauta mais do Sul global, falando sobre justiça climática, em especial pelo continente africano. Esperamos mesmo que isso avance, porque enquanto estamos discutindo meta para daqui dez, vinte, quarenta anos, temos uma realidade latente em vários países pobres que já estão sofrendo essas consequências”.

E essas consequências são sentidas de forma mais intensa e frequente pelas populações negras e periféricas, diz JP Amaral, porque é justamente onde a infraestrutura é precária para evitar desastres.

  • Os eventos climáticos e meteorológicos extremos aumentaram em frequência, intensidade e gravidade como resultado da mudança climática, atingindo comunidades vulneráveis ​​de forma desproporcional, revelou um novo relatório da ONU, que pede um maior investimento em sistemas eficazes de alerta precoce.
  • “Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), no prefácio do relatório.

Relatório sobre o Estado dos Serviços Climáticos 2020: Mudança de Alertas Antecipados para Ação Antecipada, divulgado nesta terça-feira (13) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, destacou a necessidade de previsões baseadas em impactos — uma evolução na percepção de “como estará o clima” para “o que o clima poderá fazer”, com o objetivo de permitir que pessoas e empresas possam agir com antecedência, com base nos alertas.

“Os sistemas de alerta precoce constituem um pré-requisito para a redução eficaz do risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Estar preparado e ser capaz de reagir na hora certa, no lugar certo, pode salvar muitas vidas e proteger os meios de subsistência de comunidades em todos os lugares”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, no prefácio do relatório.

Ele também destacou que, embora possa levar anos para se recuperar das perdas humanas e econômicas da pandemia de COVID-19, é crucial lembrar que as mudanças climáticas continuarão a representar uma ameaça contínua e crescente para vidas humanas, ecossistemas, economias e sociedades nos séculos vindouros.

Créditos: ONU e Diálogos para a Transição/Epbr

Cinco países, entre eles o Brasil, podem adicionar 2,2 milhões de empregos com energia eólica, em Relatório divulgado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC).

Credito: foto de Ed White

Esses novos postos de trabalho seriam gerados ao longo de uma vida útil de 25 anos de projetos eólicos e quase 20 gigawatts (GW) de instalações adicionais no Brasil, Índia, África do Sul, México e Filipinas.

Relatório divulgado em 17/fev ultimo pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), aponta que uma recuperação verde movida a energia eólica pode criar mais de 2,2 milhões de empregos em cinco países.

Ainda de acordo com o documento, os 20 GW seriam suficientes para abastecer cerca de 25 milhões de residências a cada ano a partir de 2026 e potencialmente evitar a emissão de 714 milhões de toneladas de CO2 equivalente durante a vida útil dos parques.

O cálculo é feito sobre quanto poderia ser adicionado além do que está previsto.

No Brasil, o cenário de recuperação verde do GWEC considera que a instalação de 16 GW de capacidade – ante os 11 GW previstos atualmente – entre 2022-2026, poderia criar 1,35 milhão de empregos no país.

No cenário de 11 GW, que considera os contratos assinados atualmente, a previsão é de 750 mil postos de trabalho.

O Brasil fica atrás apenas da Índia. No país asiático, está programada a instalação de 21,5 GW até 2026, mas o GWEC indica um potencial de chegar a 31,2 GW, elevando a quantidade de oferta de trabalho de 1,5 milhão para 2,65 milhões.

A organização calcula que, para alcançar o objetivo internacional de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C até o final do século, o volume anual de instalações de energia eólica deve aumentar cerca de quatro vezes na próxima década.

“À medida que entramos em 2022, estamos vendo a geração a carvão no caminho para atingir um pico recorde, os preços do gás natural em máximas históricas e – como previsto – as emissões se recuperando juntamente com a recuperação econômica”, comenta Ben Backwell, CEO do GWEC.

O executivo afirma que o setor é particularmente atraente para economias emergentes onde a transição energética se torna mais complexa.

É preciso eliminar combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, garantir crescimento econômico e atender à demanda de eletricidade em rápida expansão.

“A recuperação verde, incluindo estímulos e investimentos públicos direcionados, bem como reformas políticas que melhorem o ambiente propício para uma economia verde, podem contribuir muito para colocar o mundo no caminho certo para atingir as metas climáticas internacionais e aumentar a resiliência do sistema energético”, completa.

Embora o relatório inclua apenas cinco estudos nacionais, resultados semelhantes podem ser alcançados por outros países. Veja a íntegra em inglês (.pdf) 

A análise da experiência internacional da indústria descobriu que normalmente uma taxa de instalação de 1 GW/ano ao longo de cinco anos poderia criar quase 100 mil novos empregos e US$ 12,5 bilhões de valor agregado bruto para as economias nacionais ao longo da vida útil dos parques eólicos.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição.

Estudo aponta que 660 milhões de pessoas não terão acesso à energia elétrica em 2030

Enquanto estamos falando de Transição Energética, tema sem duvida, de altíssima importância, para o clima e para a sobrevivência do planeta, frente as mudanças climáticas; existe uma desigualdade brutal entre os países desenvolvidos que já estão discutindo a eletrificação, o uso do Hidrogênio Verde, energia eólica, solar offshore, etc; um estudo divulgado em junho/21, pela Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrando que 660 milhões de pessoas no mundo não terão acesso a energia elétrica em 2030.

Denominado Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021), o estudo mapeia as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7), que visa assegurar o acesso universal à energia segura, sustentável e moderna para todos.

Mesmo no Brasil, estudos da EPE – Empresa de Pesquisa Energética do MME – Ministério de Minas e Energia, o “Atlas de Eficiência Energética 2020” , dados de 2019, mostra que 27% das residencias brasileiras ainda utiliza a lenha como energia para cocção de alimentos !! Este numero já foi 38% em 2005, e o estudo mostrou que houve uma melhora significativa entre 2002 e 2014, em função da melhoria econômica das famílias, mas ainda é muito alto; ou seja mais de 1/4 das residencias no Brasil utiliza a lenha como energia !

Suspeitamos que nos últimos 2 anos, em função do desemprego, Covid-19, e outros fatores sócio-econômicos, estes números podem ter piorado novamente, mas ainda não temos dados para dizer.

Quase 1 milhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica na Amazônia. Este dado de 2019, faz parte de estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, que analisou a exclusão elétrica nos 9 estados que compõem a Amazônia Legal.

Temos sim que fazer uma transição energética justa, mas também inclusiva, para que 660 milhões de pessoas não fiquem de fora.

A boa noticia, é que uma das fontes mais abundantes na natureza, que é a energia solar, pode ser a solução para o problema dos países subdesenvolvidos e afastados dos grandes centros de produção de energia, áreas remotas como a Africa subsaariana, as vilas no interior da Amazônia, e em áreas rurais afastadas dos grandes centros em todo o mundo subdesenvolvido; desde que haja um esforço internacional coordenado, através de politicas publicas dos países ricos, que ajudem os países mais pobres a dar este salto qualitativo de inclusão em uma década. Precisa haver vontade politica para fazer.

O documento Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021) aponta avanços importantes na última década, que vai de 2010 a 2019, quando mais de um bilhão de pessoas obtiveram acesso à eletricidade em todo o mundo. A eletrificação por meio de soluções descentralizadas de base renovável, em particular, ganhou impulso e o número de pessoas conectadas a mini redes mais que dobrou entre 2010 e 2019, passando de 5 para 11 milhões de pessoas.

No entanto, de acordo com as políticas atuais e planejadas e posteriormente afetadas pela crise Covid-19, isso não será suficiente para universalizar o acesso à energia para toda população mundial.

Por outro lado, o impacto financeiro da Covid-19 tornou os serviços básicos de eletricidade inacessíveis para mais 30 milhões de pessoas, a maioria localizada na África Subsaariana. Atualmente, 759 milhões de pessoas ainda vivem sem eletricidade no mundo.

A América Latina e o Caribe têm a maior parcela dos usos modernos de energia renovável, graças à energia hidrelétrica para eletricidade, bioenergia para processos industriais e biocombustíveis para transporte. O Leste e o Sudeste asiático, assim como a América Latina e Caribe, estão se aproximando do acesso universal, com mais de 98% de sua população tendo acesso à eletricidade.

O relatório examina várias maneiras de preencher as lacunas para alcançar o ODS 7, sendo as principais delas dobrar o progresso em eficiência energética, a colaboração internacional e aumentar significativamente o uso de energias renováveis ​​- que se mostraram mais resilientes do que outras partes do setor de energia durante a crise do Covid-19.

Créditos : Canal Energia.com.br

Gerenciamento dos Ecossistemas Florestais- O papel das Comunidades Indígenas.

“As florestas ao redor do mundo desempenham um papel critico na manutenção dos sistemas climáticos. Os povos indígenas e as comunidades locais que dependem delas e as protegem, deveriam receber maior reconhecimento e suporte .”

Desflorestamento e degradação das florestas tropicais representam mais de 15% da emissão global de gases efeito estufa. No Brasil representam mais de 40%.

Source: ‘Falling Short’ 2021 Rainforest Foundation Norway.

Apenas um terço das florestas mundiais remanescentes, detêm uma importância capital no planejamento para limitar a 1.5°C o aquecimento global, fato este reconhecido pelo Pacto de Glasgow. A interação entre as florestas, a biodiversidade e manejo ambiental, indica a necessidade de maior atenção a estes temas como preocupação central para o futuro da estabilidade climática.

As próprias florestas , e seus habitantes humanos – Os Povos Indígenas e as suas Comunidades Locais (IPLCs – Indigenous Peoples and Local Communities ) – se evolvem conjuntamente, cada uma sendo um produto da outra. As IPLCs desempenham uma estrategia de manejo sustentável, contribuindo profundamente para a conservação da biodiversidade local.

Onde suas atividades recebem suporte, a taxa de desflorestamento é menor. As IPLCs gestionam pelo menos 17% da estocagem global de carbono, igual a 33 vezes o total global de emissões de gases efeito estufa em 2017.

Independente de suas contribuições, as terras e cultura das Comunidades Indígenas estão sob ataque, e seus serviços na maioria das vezes não tem apoio financeiro. Financiamento direto das nações e órgãos governamentais são raros, e usualmente os canais que são utilizados são as agencias da ONU ou ONGs nacionais e internacionais.

A segurança das terras indígenas é o pivô central para a sustentação das florestas, permitindo que as Comunidades Indígenas continuem a trabalhar. Programas de sustentação das terras e gerenciamento dos recursos florestais atraem aproximadamente US$270 milhões por ano; sendo que somente 17% direcionados as Comunidades Indígenas para a implementação de programas de apoio.

Somente 11% do “funding” recebido objetiva a a segurança das terras – contra uma estimativa dos recursos requeridos da ordem de US$8 bilhões. Sem garantia do uso do solo, as Comunidades Indígenas vão perder suas terras, assim como suas florestas continuarão a encolher. O custo de perdas humanas é incalculável; o clima global depende fundamentalmente do manejo destes recursos florestais.


As IPLCs necessitam, urgentemente de financiamento e suporte politico, e nós o planeta, necessitamos urgentemente que eles recebam este suporte.

Eles oferecem para nos uma esperança para reparar o relacionamento da humanidade com a natureza.

Fonte eólica adicionou R$ 320 bilhões ao PIB do país

Um estudo da FGV encomendado pela Abeeólica, apresentado na quinta-feira (11/11) no Brazil Windpower, identificou que os investimentos em parques eólicos no Brasil no período de 2011 a 2020, de cerca de R$ 110,5 bilhões, adicionaram R$ 320,8 bilhões a mais de PIB ao país.
Na média do período, isso significou cerca de 0,5% do PIB brasileiro, sendo que em anos de forte recessão, 2015 e 2020, o índice foi próximo de 0,8%. 
A energia eólica veio para ficar e está ocupando um espaço muito relevante na matriz energética brasileira! Agora virão as eólicas offshore.

Leia mais em Brasil Energia.

Embraer apresenta aeronaves com propulsão de energia renovável

A Embraer apresentou em São José dos Campos (SP), na última segunda-feira (08/11), uma família de aeronaves que utilizam tecnologias de propulsão de energia renovável. Os modelos foram concebidos para ajudar a indústria a atingir sua meta de zero emissões líquidas de carbono até 2050.

A “Energia Family” é composta por quatro aeronaves de tamanhos variados que incorporam soluções: eletricidade, célula de combustível de hidrogênio, turbina a gás de duplo combustível e híbrido-elétrico. Embraer, orgulho nacional!

Leia mais em Brasil Energia. Imagem de Embraer.