No mercado de trabalho, a transição energética, pode resultar em um ganho de cerca de 200 milhões e uma perda de cerca de 185 milhões de empregos diretos e indiretos globalmente até 2050, diz a consultoria McKinsey. 

No mercado de trabalho, a transição pode resultar em um ganho de cerca de 200 milhões de empregos e uma perda de cerca de 185 milhões de empregos diretos e indiretos globalmente até 2050. 

Isso inclui a demanda por empregos nas operações e na construção de novos empreendimentos. 

A McKinsey estima uma redução de nove milhões na demanda por empregos nos setores de extração e produção de combustíveis fósseis, e de quatro milhões na geração de energia a partir de fósseis, como carvão.

Em contrapartida, cerca de oito milhões de empregos diretos seriam criados em energia renovável, hidrogênio e biocombustíveis até 2050. 

Expostos ao risco. À medida que os ativos de alta emissão são reduzidos e os de baixa emissão aumentam na transição, os riscos incluem avanço dos preços e volatilidade do fornecimento de energia, e deterioração dos ativos.

“Embora a transição crie oportunidades, setores com produtos ou operações de alta emissão – que geram cerca de 20% do PIB global – enfrentariam efeitos substanciais na demanda, custos de produção e emprego”, diz o relatório da McKinsey. 

No cenário Net Zero 2050, a produção de carvão para uso de energia seria praticamente eliminada em 2050, e os volumes de produção de petróleo e gás seriam cerca de 55% e 70% menores, respectivamente, do que hoje. 

Essas mudanças, no entanto, teriam impactos sobre os custos de produção em setores como aço e cimento, que enfrentariam aumentos até 2050 de cerca de 30% e 45%, respectivamente.

O alerta também vale para os países mais pobres e os altamente dependentes de combustíveis fósseis.

“Esses países são mais suscetíveis a mudanças na produção, estoque de capital e emprego porque os setores expostos constituem partes relativamente grandes de suas economias”. 

O relatório calcula que países da África Subsaariana e a Índia, entre outros mais expostos ao risco, precisam investir hoje 1,5 vezes ou mais do que as economias avançadas, como parcela do PIB, para apoiar o desenvolvimento econômico e construir infraestrutura de baixo carbono

Daí a corrida desses setores para encontrar alternativas de baixo carbono. O que, segundo a análise, pode ser mais econômico.

Por exemplo, melhorar a eficiência energética dos sistemas de aquecimento em usinas siderúrgicas reduz as emissões e os custos operacionais

“Mesmo quando a descarbonização aumenta os custos operacionais, as empresas podem se beneficiar desse passo – por exemplo, se os consumidores estiverem dispostos a pagar mais por produtos de baixo carbono ou se as empresas estiverem sujeitas a mandatos de precificação de carbono”.

Créditos: Diálogos da Transição Epbr/McKinsey

Hidrogênio pode ser rota para gás natural na transição energética, aponta EPE- Empresa de Pesquisa Energética.

A entrada de múltiplas rotas de produção de hidrogênio, com participação de fósseis e renováveis, pode contribuir para a ampliação do uso do gás natural na estratégia brasileira de transição energética. A EPE deverá publicar nos próximos dias notas técnicas sobre as perspectivas para produção de três cores de hidrogênio no país: o cinza, o azul e o turquesa.

Heloísa Esteves – Diretora da EPE

“O hidrogênio cinza já temos, é o mais eficiente em termos de custos e o mais competitivo. Ele traz a base tecnológica. Mas a partir do gás natural, a gente também avança no hidrogênio de baixo carbono que pode ser azul ou turquesa”, explicou Heloisa Esteves, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE – Empresa de Pesquisas Energéticas, para a Epbr.

As cores são nomenclaturas para referenciar as diferentes rotas de produção do combustível. 

Os estudos são uma colaboração com o governo britânico e devem contribuir com o desenho da Estratégia Nacional do Hidrogênio, prevista para o início deste ano.

hidrogênio cinza é produzido a partir da reforma a vapor do gás natural com emissão de carbono na atmosfera. 

Já o hidrogênio azul passa pelo mesmo processo, porém com a captura e o armazenamento do CO2 (CCS) emitido na reforma. 

Enquanto o hidrogênio turquesa é obtido a partir da pirólise do gás natural, gerando o carbono sólido, uma espécie de coque que pode ser reaproveitado em processos industriais.  

Rotas com gás natural ajudam a viabilizar hidrogênio

Diferente do hidrogênio verde —  a partir de eletrólise da água a partir de energia renovável  –, que ainda demanda uma curva tecnológica para viabilizar a redução de custos, os hidrogênios azul e turquesa, segundo os estudos da EPE, são mais competitivos. 

Heloísa Esteves explica que ambos podem ter rápida inserção no mercado, para atender a demanda por alternativas de baixo carbono, se comparados com o cinza. 

“Elas geram um energético flexível limpo a partir de um combustível fóssil que temos em abundância no Brasil”, diz.

Conta a favor do gás, então, as políticas e o desenvolvimento próprio do setor, que apesar da crise recente, vêm permitindo a entrada de novos agentes.

“Casando isso [a oferta de gás] com o Novo Mercado e com o setor mapeando o potencial da demanda, abrimos uma nova rota para a cadeia de gás natural desempenhar um papel na transição energética”, afirma Heloisa Borges. 

Preço do gás natural é fundamental

Os estudos da EPE estimam que o Brasil poderia produzir o hidrogênio cinza custando entre US$ 1 e 2 o quilo, enquanto o azul e turquesa azul poderiam chegar a US$ 2 a 2,60 o quilo, considerando o preço do gás natural em US$ 6,0 por milhão de BTU.

“Para a produção desses tipos de hidrogênio, a barreira é o custo do gás, a regulamentação dos mercados de carbono e a solução logística”, afirma Marcelo Alfradique, Superintendente Adjunto da EPE.

No caso do azul, o preço estimado leva em conta o abatimento com a comercialização de créditos de carbono provenientes da captura e armazenamento de CO2, o que demandaria um amadurecimento desse mercado e avanço em questões regulatórias. 

No fim de 2021, os preços do gás natural no Brasil, sem tarifa de transporte e no mercado cativo, ultrapassaram US$ 8 por MMBtu; para 2022, em muitos estados, o reajuste da Petrobras acabou judicializado. Questões de curto prazo.

Hidrogênio azul com captura de carbono offshore

A nota técnica da EPE trará, inclusive, um estudo de caso que levanta a possibilidade de instalação de plantas de produção de hidrogênio azul em plataformas offshore já existentes no pré-sal da Bacia de Santos.

Dessa forma, o CO2 emitido no processo seria capturado e injetado nos reservatórios, tal qual é feito hoje com o gás natural. 

“Estão sendo feitos estudos ainda para injeção de CO2, porque já temos a tecnologia pronta para injetar o gás natural nos reservatórios. É um gás mais ácido que o natural, mas estudos apontam essa possibilidade”, explica a analista Claudia Bonelli, que participou da elaboração da nota.  

Outro estudo de caso demonstrará a produção de hidrogênio azul onshore, em que o CO2 capturado seria transportado até a região pré-sal para injeção nos reservatórios. 

Cadeia de valor do hidrogênio turquesa 

Já no caso do hidrogênio turquesa, a projeção de custos da EPE também considerou a possível comercialização do carbono sólido, conhecido como negro de fumo, utilizado principalmente na fabricação de pneus.

Contudo, a nota aponta para a necessidade de ampliar o uso desse substrato na geração de carbono com alto valor agregado, como o grafite utilizado em baterias de lítio, para que de fato o preço desse hidrogênio se torne competitivo.

A EPE também cita estudos ao redor do mundo que comprovam a viabilidade de utilizar a estrutura de gás existente na distribuição e transporte do hidrogênio. 

Isso se daria por meio de uma mistura do hidrogênio ao gás natural, que poderia ser, em geral, de 10 a 20%, chegando até 30%, como vem sendo proposto na Alemanha e nos Países Baixos, por exemplo.

No Brasil, o Ceará também estuda a viabilidade do uso compartilhado de redes para distribuição do hidrogênio. O estado, por meio do Porto de Pecém — e de olho em uma demanda global — vem tentando atrair projetos, especialmente, de hidrogênio verde.

Fonte: Epbr – Diálogos da Transição

Energia Solar dever ter investimentos de R$ 50,8 bilhões no Brasil em 2022

Os novos investimentos privados no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil poderão ultrapassar a cifra de R$ 50,8 bilhões em 2022, com a adição de mais de 11,9 GW de potência instalada, somando os segmentos de geração distribuída e geração centralizada. As projeções são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Poderão ser gerados mais de 350 mil novos postos de trabalho; na sua maioria, empregos qualificados.

O acréscimo de potência solar fotovoltaica no ano deve representar um crescimento de mais de 91,7% sobre a capacidade instalada atual do país, que é de 13 GW.

Para a GD, a entidade projeta um crescimento de 105,0% frente ao total instalado até 2021, passando de 8,3 GW para 17,2 GW. Já na geração centralizada, o crescimento previsto será de 67,8%, saindo dos atuais 4,6 GW para 7,8 GW. Assim, a fonte solar fotovoltaica alcançará um total de quase 25 GW.

A fonte deverá gerar mais de 357 mil novos empregos neste ano, espalhados por todas as regiões do país. As perspectivas para o setor solar são de chegar ao final de 2022 com um total acumulado de mais de 747 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre todos os elos produtivos do setor.

A maior parcela destes postos de trabalho deverá vir do segmento de geração distribuída solar, que serão responsáveis por mais de 251 mil empregos neste ano. Dos R$ 50,8 bilhões de investimentos previstos para este ano, a GD corresponderá a cerca de R$ 40,6 bilhões.

A entidade projeta, ainda, que o setor solar fotovoltaico brasileiro será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais de mais de R$ 15,8 bilhões este ano.  

A Absolar acredita que 2022 poderá ser “o melhor ano da energia solar na história do Brasil desde 2012”, com o maior crescimento do mercado e do setor na última década. De acordo com análise da entidade, a geração própria de energia cresce a passos largos e deverá praticamente dobrar a potência operacional anualmente instalada, uma vez que a recente sancionada Lei 14.300/2022 irá impulsionar a demanda do mercado.

Além disso, o aumento nas tarifas de energia elétrica segue com tendências de elevação, pesando no bolso do consumidor que procurará uma solução para diminuir as despesas.

Já na geração centralizada, o forte crescimento de mercado previsto é impulsionado principalmente pelo avanço da fonte solar no mercado livre de energia elétrica, que deverá ser responsável pela maior parcela das grandes usinas previstas para entrar em operação comercial no ano de 2022.

Fonte: Brasil Energia

Mercado global aposta nos carros elétricos, inclusive no Brasil

Executivos da indústria global de automóveis acreditam que 41% dos novos veículos vendidos no Brasil em 2030 serão elétricos. Na Índia, se espera que no fim da década a participação de veículos elétricos (EVs) será de 39%. O Brasil tem uma enorme vantagem de poder associar a eletricidade produzida com energias renováveis ( hídrica, solar e eólica) com uma infraestrutura industrial automotiva capaz de produzir carros elétricos, em escala, muito rapidamente. Praticamente todas as montadoras mundiais tem base industrial no Brasil.

A percepção foi identificada na 22ª edição da Pesquisa Executiva Anual do Setor Automotivo Global 2021 (GAES), da KPMG, que ouviu 1.118 executivos – incluindo 372 CEOS  – em 31 países.

Em mercados mais bem desenvolvidos, como Japão, China, Estados Unidos e países da Europa Ocidental, os executivos acreditam que os EVs representarão metade do mercado automotivo.

A consultora perguntou qual porcentagem estimada de vendas de veículos novos alimentados por bateria, excluindo híbridos, dentro de cada mercado, até 2030. E, claro, é reflexo de pressões institucionais e de mercado dentro da agenda climática. 
 
Os executivos automotivos globais estão confiantes que esta indústria terá um crescimento mais lucrativo nos próximos cinco anos e que a participação no mercado de veículos elétricos crescerá drasticamente até 2030”, declarou Flávia Spadafora, líder do setor Automotivo da KPMG no Brasil, para Epbr- Diálogos da Transição.

E o que estão comprando por aqui? Com o balanço de 2021, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) comemorou nesta quinta (6/jan) que o mercado bateu todas as previsões ao saltar de 801 elétricos puros (BEVs) licenciados em 2020 para 2.851, no ano passado.
 
Com comerciais leves híbridos (HEVs), híbridos plug-in (PHEVs) – e olha o etanol aí–, foram 34.990 emplacamentos no total, aumento de 77% sobre os 19.745 de 2020. Isto é, apenas 8% das novas vendas são de elétricos puros.  Em um mercado no qual a crise econômica está matando as linhas populares, os elétricos ainda são bem caros. A liderança em vendas segue com o Leaf Tekna, da Nissan (R$ 264 mil na tabela Fipe), seguido pelo Taycan, esportivo elétrico de luxo da Porsche que pode passar dos R$ 600 mil. A produção em larga escala deveria reduzir os custos de produção e consequentemente os preços de venda !

Desafios para adoção de veículos elétricos

Entre os desafios apontados por executivos ouvidos pela KPMG para a adoção de veículos elétricos pelos consumidores está a redução no tempo de recarga das baterias.

Para 77% dos entrevistados os consumidores deverão exigir tempos de recarga inferiores a 30 minutos ao viajarem. Atualmente, a maior parte das estações de carregamento demoram mais de três horas.

Estima-se que um carro elétrico demande 6 vezes mais recursos minerais que um automóvel convencional.

No ano passado, a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) alertou que somente a demanda por lítio, por exemplo, deve crescer 40 vezes nas próximas duas décadas.

Grafite, cobalto e níquel terão uma demanda entre 20 e 25 vezes maior, na comparação com o mercado atual.

Créditos: Epbr- Diálogos da Transição



Emissões de CO2 no mundo devem atingir recorde histórico em 2022

Emissões de CO2 também devem atingir recorde histórico em 2022, apesar do maior foco no clima, colocando a política de emissões em votação nos principais mercados, aponta o S&P Global Platts Analytics Energy Outlook 2022.

Segundo os analistas da Platts, apesar do foco nas reduções de emissões e em uma lista cada vez maior de países com metas líquidas zero, a expectativa é que as emissões de CO2 aumentem 2,5% em 2022 para novos níveis recordes, à medida que algumas economias se recuperam totalmente, enquanto outras buscam o crescimento. 

“Embora os líderes na COP26 tenham se comprometido a fortalecer as metas de emissões de 2030 até o final de 2022, em vez de esperar pelo processo formal de ‘avaliação’, há riscos significativos para as agendas de política ambiental doméstica nas eleições de 2022”, avaliam. 

Eleições intermediárias nos EUA podem inviabilizar a agenda ambiental de Joe Biden, enquanto o partido de oposição da Austrália busca derrubar o governo mais conservador, tornando as metas ambientais mais fortes uma prioridade. 

Essas eleições são um lembrete de que ‘toda a política é local’ e os destinos dos acordos globais são frequentemente determinados por eleições domésticas, opinião pública e mudanças nas políticas”, completa a Platts.

Um bom exemplo é no Brasil, que decidiu por um projeto de Lei o PL 712/2019, do senador Esperidião Amin (PP/SC), que cria uma política de ajuda ao setor carbonífero de Santa Catarina, propondo um sistema de transição energética que deverá zerar a produção de energia de uma das fontes mais poluentes do mundo, que é o carvão, apenas em 2040.

O projeto determina que a União prorrogue a autorização do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, por 15 anos a partir de 1º de janeiro de 2025.

Há um apelo global para o fim do carvão. Em novembro, durante a COP26, na Escócia, mais de 40 países assumiram um acordo para eliminar a energia a carvão, incluindo Canadá, Chile, Cingapura, Coréia do Sul, Egito, Espanha, Nepal, Polônia, Vietnã e Ucrânia.

Brasil, Estados Unidos, Austrália, China e Índia não assinaram o acordo, o que deixou o plano aquém da ambição inicial da presidência da Conferência do Clima.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Estudo inédito da consultoria Wood Mackenzie, mostra que a capacidade eólica global deve crescer 9% até 2030, e atingir 1.756 GW

Foto gratuita do Pexels

A capacidade global de energia eólica deve crescer 9% entre 2021 e 2030 e atingir mais de 1.756 GW acumulados, de acordo com novo relatório da Wood Mackenzie. A China deu um grande impulso à última previsão. A atualização de adição de 48 GW do país é responsável por quase 70% do aumento para a perspectiva global de 10 anos.

A análise do quarto trimestre da Wood Mackenzie reporta um aumento de 69 GW em novas adições de capacidade globalmente em comparação com a perspectiva do trimestre anterior para a década.

Segundo o diretor de pesquisa da Wood Mackenzie, Luke Lewandowski, o rápido crescimento da demanda de energia impulsionado pelo setor industrial da China e a recente escassez de energia em setembro estimulou a determinação do país em acelerar o desenvolvimento de energia renovável. “Portanto, atualizamos nossa perspectiva de capacidade de energia eólica na China. O mercado deve adicionar 458 GW nesta década e continuará a liderar o ranking global em termos de nova capacidade adicionada”.

A análise indica que a demanda aguda por energia ao longo da costa da China desencadeou uma atualização de 13 GW no setor eólico offshore, em grande parte concentrado de 2023 a 2026. O compromisso do país com emissões zero líquidas deve gerar 88 GW de capacidade eólica offshore adicional entre 2021 e 2030.

Os ajustes de perspectiva trimestral nos EUA e na Europa combinam-se para contribuir com 22 GW de capacidade adicional, uma vez que esses mercados respondem às metas de descarbonização e aos mecanismos de incentivo esperados.

A Wood Mackenzie fez ajustes mínimos na perspectiva para o Oriente Médio e África, embora o avanço da construção eólica na África do Sul, Omã, Israel e Egito indique que o desenvolvimento está no ritmo da previsão.

Contrariando a tendência de aumento das adições de capacidade está o Japão, que caiu cinco posições para a 16ª posição nos principais mercados para novas classificações de capacidade eólica. Um rebaixamento de 2,5 GW para o Japão é causado por uma meta offshore mais conservadora do que o previsto, resultando em baixa de quase 800 MW para a perspectiva da Ásia-Pacífico, excluindo a China. O país agora está projetado para adicionar 11,7 GW de nova capacidade nesta década.

O Vietnã, considerado a estrela em ascensão da Ásia-Pacífico, relatou um aumento de 33 vezes em novas adições de capacidade em apenas um ano, já que os desenvolvedores pressionaram para capitalizar no FIT eólico que expirou no final de outubro. O mercado está atualmente classificado em 17º em adições de capacidade eólica global, com 9,9 GW de novas instalações esperadas para esta década.

Créditos: Energia Hoje

Estudo aponta que 660 milhões de pessoas não terão acesso à energia elétrica em 2030

Enquanto estamos falando de Transição Energética, tema sem duvida, de altíssima importância, para o clima e para a sobrevivência do planeta, frente as mudanças climáticas; existe uma desigualdade brutal entre os países desenvolvidos que já estão discutindo a eletrificação, o uso do Hidrogênio Verde, energia eólica, solar offshore, etc; um estudo divulgado em junho/21, pela Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrando que 660 milhões de pessoas no mundo não terão acesso a energia elétrica em 2030.

Denominado Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021), o estudo mapeia as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7), que visa assegurar o acesso universal à energia segura, sustentável e moderna para todos.

Mesmo no Brasil, estudos da EPE – Empresa de Pesquisa Energética do MME – Ministério de Minas e Energia, o “Atlas de Eficiência Energética 2020” , dados de 2019, mostra que 27% das residencias brasileiras ainda utiliza a lenha como energia para cocção de alimentos !! Este numero já foi 38% em 2005, e o estudo mostrou que houve uma melhora significativa entre 2002 e 2014, em função da melhoria econômica das famílias, mas ainda é muito alto; ou seja mais de 1/4 das residencias no Brasil utiliza a lenha como energia !

Suspeitamos que nos últimos 2 anos, em função do desemprego, Covid-19, e outros fatores sócio-econômicos, estes números podem ter piorado novamente, mas ainda não temos dados para dizer.

Quase 1 milhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica na Amazônia. Este dado de 2019, faz parte de estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, que analisou a exclusão elétrica nos 9 estados que compõem a Amazônia Legal.

Temos sim que fazer uma transição energética justa, mas também inclusiva, para que 660 milhões de pessoas não fiquem de fora.

A boa noticia, é que uma das fontes mais abundantes na natureza, que é a energia solar, pode ser a solução para o problema dos países subdesenvolvidos e afastados dos grandes centros de produção de energia, áreas remotas como a Africa subsaariana, as vilas no interior da Amazônia, e em áreas rurais afastadas dos grandes centros em todo o mundo subdesenvolvido; desde que haja um esforço internacional coordenado, através de politicas publicas dos países ricos, que ajudem os países mais pobres a dar este salto qualitativo de inclusão em uma década. Precisa haver vontade politica para fazer.

O documento Tracking SDG 7: The Energy Progress Report (2021) aponta avanços importantes na última década, que vai de 2010 a 2019, quando mais de um bilhão de pessoas obtiveram acesso à eletricidade em todo o mundo. A eletrificação por meio de soluções descentralizadas de base renovável, em particular, ganhou impulso e o número de pessoas conectadas a mini redes mais que dobrou entre 2010 e 2019, passando de 5 para 11 milhões de pessoas.

No entanto, de acordo com as políticas atuais e planejadas e posteriormente afetadas pela crise Covid-19, isso não será suficiente para universalizar o acesso à energia para toda população mundial.

Por outro lado, o impacto financeiro da Covid-19 tornou os serviços básicos de eletricidade inacessíveis para mais 30 milhões de pessoas, a maioria localizada na África Subsaariana. Atualmente, 759 milhões de pessoas ainda vivem sem eletricidade no mundo.

A América Latina e o Caribe têm a maior parcela dos usos modernos de energia renovável, graças à energia hidrelétrica para eletricidade, bioenergia para processos industriais e biocombustíveis para transporte. O Leste e o Sudeste asiático, assim como a América Latina e Caribe, estão se aproximando do acesso universal, com mais de 98% de sua população tendo acesso à eletricidade.

O relatório examina várias maneiras de preencher as lacunas para alcançar o ODS 7, sendo as principais delas dobrar o progresso em eficiência energética, a colaboração internacional e aumentar significativamente o uso de energias renováveis ​​- que se mostraram mais resilientes do que outras partes do setor de energia durante a crise do Covid-19.

Créditos : Canal Energia.com.br

Brasil e Dinamarca assinam memorando de entendimento sobre energias renováveis e transição energética.

Brasil e Dinamarca estiveram lado a lado no Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Energia, tendo liderado o eixo de transição energética. Ambos os países estão comprometidos com a promoção de uma transição energética justa, combinando a descarbonização com a inclusão social e econômica.

Foto por Kelly em Pexels.com

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o Ministro do Clima, Energia e Serviços Públicos da Dinamarca, Dan Jørgensen, assinaram nesta terça-feira (7/12), em reunião em formato virtual, “Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética”.

Os dois países vêm desenvolvendo trabalho bilateral na área de energias renováveis, com ênfase em energia eólica “offshore” e na conversão de resíduos ( RSU) em energia (“waste to energy”).

Missão técnica do MME, liderada pelo Secretário Adjunto de Planejamento Energético, Marcello Cabral, e integrada por técnicos do MME da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), visitou a Dinamarca, no período de 30/11 a 4/12, a convite da Agência Dinamarquesa de Energia (DEA), com vistas a dar início ao estabelecimento de programa de trabalho para a cooperação.

A intensificação da cooperação energética entre Brasil e Dinamarca tem sido acompanhada por crescente interesse de grupos empresariais e investidores privados dinamarqueses no setor de energias renováveis brasileiro.

Acesse aqui a íntegra em português do Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética.

Acesse aqui a íntegra em inglês do Memorando de Entendimento entre Brasil e Dinamarca sobre Energias Renováveis e Transição Energética.

Chamada pública do Senai e CTG Brasil atrai 31 projetos de hidrogênio verde !

Propostas somam R$ 183,7 milhões, valor 10 vezes maior do que o previsto no edital; disputa atraiu “startups” e grandes empresas de 13 estados.

Fonte Energia Hoje

Senai e a CTG Brasil anunciaram que sua chamada pública destinada ao apoio de projetos de hidrogênio verde no Brasil recebeu um total de 31 inscrições, com valor somado de R$ 183,7 milhões em propostas.

O valor total dos projetos é 10 vezes maior do que o montante previsto no edital, de R$ 18 milhões, e inclui R$ 21 milhões em contrapartidas das empresas proponentes para financiamento.

A iniciativa, lançada em outubro deste ano, atraiu propostas de startups e de grandes companhias de 13 estados brasileiros.

Entre as ideias apresentadas, 74% focam na produção de hidrogênio, 20% no uso industrial, 3% no transporte e outros 3% em certificações do produto.

O estado com mais destaque na chamada é o Paraná, que totaliza cerca de R$ 24,2 milhões em projetos. Em seguida estão os estados de Santa Catarina, com R$ 17,20 milhões; Ceará, com R$ 16,4 milhões, e Rio Grande do Norte e Amapá, ambos com R$ 14,5 milhões.

A disputa também recebeu propostas de empresas do Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Espírito Santo e São Paulo.

No momento, a seleção está passando pela fase de análise das propostas, sendo que o resultado preliminar está previsto para ser anunciado no início de dezembro.

Os projetos que avançarem para a segunda etapa passarão por uma curadoria para identificação de possíveis sinergias e aprovação final da CTG Brasil.

O resultado final sai em 17 de dezembro, e em 2022 inicia-se a fase de prospecção de possíveis parceiros internacionais para o desenvolvimento das ideias selecionadas.

Segundo a Senai e a CTG Brasil, não há uma estimativa de quantos dos inscritos serão contratados. Os projetos escolhidos terão prazo de execução de até 36 meses, a partir da assinatura do contrato. A iniciativa faz parte do programa Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Aneel.

Instituto Ilumina não vê motivo de otimismo para período úmido

O engenheiro Roberto D’Araújo, diretor do Instituto Ilumina, disse que discorda do otimismo do diretor geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, em relação às perspectivas do SIN para o período úmido que começou nesta quarta-feira, 1º de dezembro. Para Roberto D’Araújo, para recuperar de 60% a 70% dos reservatórios, será necessário chover como nunca! Como pode ser observado no gráfico abaixo, do Instituto Acende Brasil, houve uma queda estrutural de 38% na ultima década.

Fonte: Energia Hoje

Programa Energia Transparente – Instituto Acende Brasil

“Para que consigamos recuperar de 60% a 70% da capacidade dos reservatórios terá que chover como nunca choveu”, disse D’Araújo. Na sua avaliação, é enganoso atribuir a atual crise hídrica apenas à falta de chuvas em 2021, uma vez que o atual ciclo de seca já vinha se desenhando há vários anos e também porque o histórico mostra que já houve outros ciclos tão ou mais severos, como o de 1949 a 1956, com epicentro em 1953.

Ciocchi disse, em evento sobre energia nuclear, que apesar da dependência das chuvas para recuperar os reservatórios das hidrelétricas, o trabalho feito pelo governo desde outubro do ano passado vai permitir que o período 2021/2022 seja mais confortável para o SIN do que foi 2020/2021, mesmo que a quantidade de chuvas neste período úmido seja a mesma que foi no período passado.

Para o especialista, Roberto D’Araújo, a principal razão para a crise atual, sem minimizar o papel das mudanças climáticas, foi a falta de investimentos. D’Araújo disse que se for examinado o PDE 2011, projetando a geração para 2021, será possível verificar que não foram construídas as hidrelétricas que estavam planejadas, uma falha que ele atribui ao progressivo afastamento do setor público do segmento.

Para o diretor do Ilumina, grandes projetos hidrelétricos precisam da participação pública para se viabilizarem. “Só 8% das hidrelétricas brasileiras foram feitos pelo setor privado”, afirmou, acrescentando que o portfólio atual de hídricas das geradoras privadas ou foi feito em parceria com o setor público, como as estruturantes da Amazônia, ou foi comprado já pronto.

D’Araújo avalia ainda que o mercado livre não alavancou a quantidade de investimentos compatível com seu porte atual. Ele comemorou a aprovação na última terça-feira pela Aneel da regulamentação para as usinas híbridas e associadas, mas disse que o Brasil estás muito atrasado nessa tecnologia de compartilhamento de espaços e de sistemas de transmissão que, na sua visão, pode trazer mais capacidade e segurança do que outras alternativas, inclusive a construção de novos reservatórios.

O atual período úmido chega encontrando os reservatórios em condições muito parecidas com as do início do período de chuvas passado. No dia 30/11 deste ano, segundo os dados do ONS, os reservatórios do SE/CO estavam com 19,66% de volume, os do Nordeste, com 37,87%, os do Sul, com 53,76% e os do Norte com 32,74%.

No mesmo dia de 2020, os do SE/CO, intensamente usados nas semanas anteriores, estavam em 17,72%, os do Nordeste, em 52,18%, os do Sul, em 18,25% e os do Norte, em 28,93%. D’Araújo avalia que para tudo ficar bem em 2022 será preciso muita ajuda de São Pedro.