O plano da Austrália para o hidrogênio e as lições para o Brasil

Estratégia Nacional de Hidrogênio vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos e quer posicionar país como um dos principais players até 2030.

Em 22 de novembro de 2019, a Austrália lançou sua Estratégia Nacional de Hidrogênio, com foco nas alternativas de baixo carbono e uma ambição: posicionar a indústria australiana como um importante player global até 2030.

Ao todo, a estratégia desenha 57 ações conjuntas para os governos australianos, considerando exportações, transporte, uso industrial, redes de gás, sistemas elétricos e questões transversais como segurança, emprego e impactos ambientais.

Para dar o primeiro impulso, a iniciativa vai aportar pelo menos 1,3 bilhão de dólares australianos (cerca de US$ 900 milhões) e a expectativa é atrair de três a quatro vezes esse valor em financiamento privado.

“Houve enorme apoio político em todas as nossas jurisdições – oito estados e territórios e o governo federal. A experiência de hoje mostrou que, com o subsídio inicial do governo, é possível atrair três ou quatro vezes esse valor do setor privado. Estamos olhando para talvez cerca de seis bilhões de dólares em investimentos na Austrália”, conta Fiona Simon, presidente do Conselho Australiano de Hidrogênio (AHC, sigla em inglês).

Ela participou na segunda (22/8) de um encontro organizado pelo Núcleo Energia do Cebri e pela Embaixada da Austrália no Brasil, sobre as oportunidades de colaboração entre os dois países.

O plano australiano considera três rotas: carvão com CCUS (captura, armazenamento e uso de carbono), gás natural com CCUS (o hidrogênio azul) e eletrólise com energia renovável (o verde).

E deve colocar o país logo atrás da Europa como principal mercado.

Um relatório de outubro do ano passado da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) aponta que, até 2030, a capacidade instalada de eletrolisadores para produção de H2 verde deve escalar para 54 gigawatts (GW), considerando os projetos em construção e planejados – Europa e Austrália lideram, com 22 GW e 21 GW, respectivamente.

Em seguida vem a América Latina (5 GW) e o Oriente Médio (3 GW).

Só que, chegar até lá, requer muito mais recursos.

“[Esses 6 bilhões de dólares] provavelmente estão longe de onde precisamos estar. O custo da transição energética global é uma quantia enorme”, diz Fiona.

O AHC calcula que serão necessários pelo menos 80 bilhões de dólares australianos para desenvolver a infraestrutura de produção, eletrolisadores e adaptação de portos – e a porcentagem do governo nessa conta precisaria chegar a 20 bilhões de dólares australianos.

Para Fiona, um acordo sobre a precificação do carbono no mercado internacional seria um fator importante para incentivar mais investimentos.

O país também está dobrando os investimentos para renováveis. Em 2015, 14% dos investimentos na Austrália eram em energias renováveis. Hoje, são 35%.

Aprendizado para o Brasil

“Os dois países têm vantagens nesta área, como o alto potencial de produção de energia renovável, que podem levá-los a competir, mas têm também oportunidades de cooperação, relacionadas ao desenvolvimento do mercado, estabelecimento de um marco regulatório, promoção de inovação e atração de investimentos”, comenta Jorge Camargo, vice-presidente do Conselho Curador do Cebri.

O país começa a dar os primeiros passos nessa agenda. As iniciativas mais avançadas estão concentradas em portos, como do Pecém, no Ceará, Suape, em Pernambuco, e Açu, no Rio, que estão desenhando seus hubs de hidrogênio.

Desde o ano passado, grandes empresas brasileiras e internacionais vêm firmando memorandos de entendimento com os governos estaduais para desenvolver uma cadeia para o gás de baixo carbono. A maior parte dos projetos visa a exportação de H2 verde e azul.

Enquanto isso, o governo federal trabalha em um Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), sem escolher uma rota favorita. Na última sexta (19/8), o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou os representantes que irão compor o Comitê Gestor do PNH2. Veja portaria

Para Luís Viga, presidente da mineradora australiana Fortescue Metals no Brasil, há uma cooperação importante entre as empresas e o setor público sobre o assunto, mas a formulação de políticas públicas para o setor no Brasil ainda está aquém da rápida multiplicação de projetos e do interesse da iniciativa privada.

Recentemente, a mineradora anunciou um investimento de US$ 6 bilhões em hidrogênio verde no país.

“O setor precisa de incentivos do governo, assim como aconteceu com outras energias renováveis, e principalmente de segurança regulatória, sem protecionismo”, defendeu.

Atualmente, há cerca de 20 empresas investindo em hidrogênio verde no Brasil, os projetos concentram-se nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo e Rio de Janeiro, envolvendo empresas como a Fortescue, Enegix, Siemens, Qair, Neoenergia, White Martins, Shell, entre outras.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

EUA sancionam US$ 369 bi para transição energética

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação. A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas.

A agenda climática foi uma das principais pautas de Joe Biden em sua campanha presidencial, em 2020.

Os Estados Unidos ganharam esta semana uma legislação bilionária para transição energética e mudanças climáticas, com a sanção da Lei de Redução da Inflação.
 
A lei sancionada pelo presidente estadunidense, Joe Biden, inclui um investimento de US$ 369 bilhões em políticas climáticas e energéticas, US$ 64 bilhões para reduzir os custos de seguro de saúde, e um imposto corporativo mínimo de 15% destinado a empresas que ganham mais de US$ 1 bilhão por ano.
 
Durante a cerimônia de assinatura na terça (17/8), Biden classificou a legislação como uma das medidas “mais significativas da história do país”.
 
O projeto foi aprovado na Câmara na última sexta-feira em uma votação de 220 a 207. Antes, passou pelo Senado com voto de desempate da vice-presidente do país, Kamala Harris.
 
Na visão de analistas, a aprovação marcou um dos esforços legislativos mais bem-sucedidos dos Democratas do Congresso – e também uma conquista que parecia cada vez mais improvável.

Mesmo sendo um marco da transição no país para uma economia limpa – após quatro anos de desmontes ambientais promovidos pela gestão anterior, de Donald Trump – a legislação deixa algumas lacunas. 
 
Uma delas é que, as medidas aprovadas, segundo os próprios cálculos do governo, perseguem uma redução de 40% das emissões dos EUA até 2030, abaixo do compromisso de chegar a 50% ou 52% a menos.
 
Além disso, recebeu críticas de grupos ambientalistas que consideram que a justiça climática ficou de fora, enquanto os combustíveis fósseis seguem ganhando tempo.

Apesar disso, a Casa Branca traz indicativos de como os incentivos vão impactar a economia e a vida dos estadunidenses. Entre eles:

  • Economia de cerca de US$ 1.000 por ano para as famílias que receberem os créditos fiscais de energia limpa e veículos elétricos;
  • Mais 7,5 milhões de famílias poderão instalar energia solar em seus telhados com um crédito fiscal de 30%;
  • Economia média de US$ 500 por ano por família com os gastos com energia;
  • Instalações de 950 milhões de painéis solares e 120 mil turbinas eólicas até 2030 para abastecer casas, empresas e comunidades;
  • Cerca de 2,3 mil fábricas de baterias em escala de rede;
  • Fortalecer a resiliência climática e proteger quase dois milhões de acres (809 mil hectares) de florestas nacionais;
  • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de um bilhão de toneladas em 2030.

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

Financiamento climático de países ricos ainda abaixo dos US$ 100 bi



Países ricos mobilizaram US$ 83,3 bilhões em financiamento climático para países emergentes ou vulneráveis em 2020, ainda abaixo dos US$ 100 bilhões por ano prometidos em 2009. 

 
De acordo com nova análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), houve um aumento de 4% em relação a 2019, impulsionado principalmente pelos incentivos públicos, mas insuficiente para concretizar a promessa original.
 
Este ano, o relatório da OCDE foi publicado mais cedo propositalmente. Em novembro, a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27) terá o financiamento no centro das discussões que ocorrerão no Egito. E o levantamento da organização que reúne as maiores economias do mundo pretende subsidiar o relatório de finanças da conferência.
 
Uma questão que pode, inclusive, marcar o sucesso ou fracasso do encontro.
 
O compromisso de países ricos de fornecer US$ 100 bilhões anualmente para ação climática em países emergentes deveria ter sido cumprido em 2020 e ser sustentado até 2025. 
 
Mas cenários da OCDE divulgados em outubro de 2021 mostraram que, se todos os compromissos apresentados por provedores bilaterais e multilaterais até aquele momento forem materializados, o nível de US$ 100 bilhões seria atingido apenas em 2023.
 
“Os países desenvolvidos precisam continuar intensificando seus esforços de acordo com seus compromissos declarados na preparação para a COP26, o que significaria que a meta de US$ 100 bilhões seria alcançada a partir do próximo ano. Isso é fundamental para construir confiança à medida que continuamos a aprofundar nossa resposta multilateral às mudanças climáticas”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

A diferença de recursos entre ricos e pobres é gigante, mostra o Rastreador de Recuperação Sustentável da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). 

Nas economias emergentes e em desenvolvimento, cerca de US$ 52 bilhões em gastos de recuperação sustentável estão planejados até o final de 2023, bem abaixo do que é necessário em um caminho para emissões líquidas zero até 2050.

Em contraste, países ricos têm mais de US$ 370 bilhões a serem gastos antes do final de 2023. E a diferença não deve diminuir no curto prazo. 

“A conferência [COP27] será realizada em uma situação geopolítica difícil, com o mundo enfrentando desafios energéticos e alimentares”, disse à Bloomberg o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shoukry, que também preside a COP27.

“É claro que tudo isso pode afetar o nível de ambição e pode levar a distrações da prioridade das mudanças climáticas”.

Como o primeiro país africano a sediar uma reunião da COP em seis anos, o Egito quer se concentrar em como as nações mais vulneráveis podem obter financiamento para se adaptar às mudanças climáticas e financiar a transição para a energia verde.

Creditos; Dialogos da Transição/Epbr / Boomberg

G7 anuncia US$ 600 bi para infra sustentável e energias renováveis

O grupo das sete democracias mais ricas do mundo, o G7, lançou a Parceria para Infraestrutura e Investimentos Globais (PGII, na sigla em inglês), que pretende destinar US$ 600 bilhões para desenvolver infraestrutura sustentável em países em desenvolvimento.

Investimentos incluem projetos de energias renováveis para garantir segurança climática e energética. 

O G7 reuniu (28/6) lideranças da Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Canadá, Reino Unido e Japão, na cidade alemã Krün.

“Coletivamente, pretendemos mobilizar quase US$ 600 bilhões do G7 até 2027 para investir em infraestrutura crítica que melhore vidas e proporcione ganhos reais para todos os nossos povos”, disse Joe Biden, presidente dos Estados Unidos.

O PGII destaca a necessidade de investimentos em:

  • Mineração por minerais críticos necessários para energias renováveis;
  • Transporte de baixas emissões;
  • Fabricação de baterias;
  • Implantação de novas tecnologias em regiões que ainda não têm acesso a energia limpa.

Os EUA se comprometeram a mobilizar US$ 200 bilhões para o PGII nos próximos cinco anos por meio de capital público e privado.

A União Europeia entrará com mais 300 bilhões de euros até 2027, por meio do programa Global Gateway, anunciado em dezembro do ano passado, e que já possui projetos em andamento para produção de hidrogênio verde no Chile, Egito e Namíbia, por exemplo.

“A Global Gateway está em pleno funcionamento e estamos ouvindo atentamente os países beneficiários para que possamos entender melhor suas necessidades e proporcionar o maior impacto”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

E deve impor preço-teto ao petróleo russo Ainda na esteira de sanções, o G7 espera fechar um acordo para estabelecer um preço-teto de compra do petróleo do país. As discussões dos líderes mundiais também devem incluir o renascimento do acordo nuclear com o Irã, que poderia garantir, em troca, suprimento do petróleo iraniano. (Reuters)

Governos tentam driblar as sucessivas altas do combustível. Os contratos futuros do Brent acumulam alta de mais de 40% este ano, com margens de refino historicamente acima dos preços de referência, enquanto o mercado calcula se o cenário é de recessão e queda brusca; ou escassez e mais inflação.

Créditos: Diálogos da Transição/Epbr

Mundo adicionou 257 GW de renováveis em 2021

Até o final de 2021, o mundo adicionou quase 257 gigawatts (GW) de energias renováveis, aumentando o estoque de energia renovável em 9,1%, mostra levantamento divulgado nesta segunda (11/4) pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês).
Segundo a agência, a capacidade global de geração renovável totalizou 3.064 GW no ano passado, representando 38% de toda a capacidade instalada.

Credito: foto de Ed White

O valor ficou ligeiramente abaixo do observado em 2020, de 260 GW (dobro em relação a 2019).

“O grande estoque existente de energia não renovável significa um bloqueio de carbono para muitos países que devem enfrentar a decisão de desativar usinas de combustível fóssil antes do final de suas vidas úteis. Isso é especialmente evidente nos países que dependem quase inteiramente da geração de energia de combustível fóssil em grande escala”, alertou a Irena em comunicado. 

A energia solar sozinha foi responsável por mais da metade das adições renováveis com um recorde de 133 GW, seguida por 93 GW de energia eólica, sendo 21 GW de offshore.

Juntas, solar e eólica contribuíram com 88% de toda a nova capacidade renovável em 2021. 

Sessenta por cento da nova capacidade foi adicionada na Ásia, resultando em um total de 1,46 terawatts (TW) de capacidade renovável até 2021. A China liderou o movimento, adicionando 121 GW – país também puxou o repique da demanda global por carvão.

Europa e a América do Norte – lideradas pelos EUA – ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com a primeira somando 39 GW e a segunda 38 GW. 

Na América do Sul, a expansão foi de pouco mais de 13,5 GW, com o Brasil puxando a expansão com quase 10 GW.

Destaques por tecnologia:

  • Energia hidrelétrica: O crescimento da hidrelétrica aumentou de forma constante em 2021, com o comissionamento de vários grandes projetos atrasados ​​até 2021.
  • Energia eólica: A expansão eólica continuou a um ritmo mais baixo em 2021 em relação a 2020 (+93 GW em comparação com +111 GW em 2020).
  • Energia solar: Com um aumento na nova capacidade em todas as principais regiões do mundo nos anos anteriores, a capacidade solar global total agora superou a capacidade de energia eólica.
  • Bioenergia: A expansão da capacidade líquida aumentou em 2021 (+10,3 GW em comparação com +9,1 GW em 2020).
  • Energia geotérmica: A capacidade geotérmica (aproveitamento do calor existente no interior da Terra) teve crescimento excepcional de 1,6 GW.
  • Eletricidade fora da rede: A capacidade fora da rede cresceu 466 MW em 2021 (+4%) para atingir 11,2 GW.

Francesco La Camera, diretor-geral da Irena, alerta que, para atingir os objetivos climáticos, as energias renováveis ​​devem crescer a um ritmo mais rápido do que a demanda de energia. No entanto, muitos países ainda não chegaram a esse ponto.

“Nossa atual crise energética também aumenta a evidência de que o mundo não pode mais depender de combustíveis fósseis para atender sua demanda de energia. A energia renovável deve se tornar a norma em todo o mundo. Devemos mobilizar a vontade política para acelerar o caminho de 1,5°C”.

No final de março, a agência estimou que será necessário investir US$ 5,7 trilhões por ano até 2030 em transição energética.

A cifra inclui o imperativo de redirecionar US$ 0,7 trilhão anualmente para longe dos combustíveis fósseis para evitar ativos ociosos.

Mas o ritmo e a escala atual da transição baseada em energias renováveis são inadequados, diz o estudo, e intervenções de curto prazo para lidar com a atual crise de energia devem ser acompanhadas por um foco firme nas metas de médio e longo prazo para emissões líquidas zero.

Brasil foi o 3º país que mais instalou eólicas em 2021. Foram 3,8 GW de nova capacidade — quase o dobro da média dos anos anteriores. A fonte é a segunda maior em participação na matriz elétrica brasileira.

“É uma indústria que tem atuado de forma muito eficiente e que tem alcançado resultados cada vez melhores, com um crescimento não apenas no mercado regulado, mas com forte expansão no mercado livre”, comenta Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica.

A expansão de quase 4 GW em 2021 foi o maior incremento da fonte desde 2014, quando o crescimento foi de 2.786 MW, de acordo com a Aneel. A fonte também representa pouco mais de 40% dos empreendimentos em construção de geração de energia. 

No final de março, a geração própria de energia atingiu a marca de 10 GW de potência instalada. Segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), a expectativa é que o país ultrapasse 15 GW até o final de 2022.

Entre as fontes dos sistemas de mini e microgeração de eletricidade, a energia solar é a mais presente no Brasil, representando 97,7% do total; seguida por termoelétrica (1,2%), Central Geradora Hidrelétrica — CGH (0,87%) e eólica (0,18%).

Créditos: Epbr/Diálogos da Transição

Estudo publicado na revista Science, revela centenas de ultra queimas de metano em instalações de petróleo e gás, baseado em observações do satélite Sentinel-5P da ESA- European Space Agency, feito pela Carbon Mapper que é parte de um time internacional de cientistas liderados pelo Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France).

Ultra-emitting facilities are responsible for 10% of global oil and gas methane emissions yet are currently missing from most inventories.

Pasadena, California—February 3, 2022— Carbon Mapper is part of an international team of scientists led by the Laboratoire des Sciences du Climat et de l’Environnement (LSCE, France) with the analytics firm Kayrros, Duke University’s Nicholas School for the Environment, and The Cyprus Institute’s Climate and Atmospheric Research Centre (Cyprus) that identified oil and gas facilities emitting significant amounts of methane in sporadic bursts. These emissions have a significant climate impact yet are not completely accounted for in existing emissions inventory estimates.

This peer-reviewed research was published today ( Feb, 3) in the journal Science.

The team performed a systematic analysis of thousands of images produced daily by the European Space Agency satellite mission Sentinel-5P to estimate the amount of methane released into the atmosphere by oil and gas production activities. Over a two-year period, they detected 1,200 “ultra-emitters” attributed to oil and gas facilities and along major transmission pipelines that sporadically release greater than 25 tons of methane per hour over most of the largest oil and gas basins worldwide. Together, these facilities represent more than 50% of the total onshore natural gas production. Most of the ultra-emitters were short-lived and many are likely due to planned maintenance activities.
The study focused on six top oil and gas producing countries where ultra-emitting activities are particularly frequent and revealed that in total, these unreported releases contribute to approximately 10% of all methane emissions from these country’s oil and gas operations. This is an incredibly large contribution for such a limited number of events.

These methane sources also represent billions of dollars in subsequent costs when considering their climate impact and natural gas loss. Mitigating these emissions represents the equivalent of taking 20 million vehicles per year off the road, and the avoided warming would prevent approximately 1,600 premature deaths annually due to heat exposure.

Collaborating scientists Riley Duren and Daniel Cusworth from Carbon Mapper, the University of Arizona, and the NASA Jet Propulsion Laboratory contributed analysis based on their team’s experience studying methane emissions with remote sensing aircraft that complement the Sentinel-5P data with observations at higher spatial resolution and lower detection limits.

“To our knowledge, this is the first worldwide study to estimate the amount of methane released into the atmosphere by maintenance operations and accidental releases,” said Thomas Lauvaux, CNRS research scientist of the French Make Our Planet Great Again program at LSCE. “Unreported ultra-emitters explain in part the under-estimation in official oil and gas reported emissions by countries as documented by previous studies. The atmospheric monitoring approach enabled by recent satellite missions provides a unique perspective on oil and gas activities, and the potential to mitigate these large releases of methane.”

Several recent studies have demonstrated that oil and gas emissions are often underestimated by conventional accounting methods due to the absence of a global monitoring system able to track high emissions sources including leaks and planned venting. Therefore, the identification and quantification of these sources has significant implications for individual country emissions inventories, as well as global methane emissions estimates which have risen in international importance with the Global Methane Pledge.

“This work confirms what we have only glimpsed in previous studies of individual facilities and regions: that intermittent, large releases of methane from oil and gas operations are common globally and are mostly unreported,” said Riley Duren, Carbon Mapper Chief Executive Officer. “In this critical decade for climate action, this underscores the urgent need for persistent global observing systems that can detect, pinpoint and quantify methane emissions at scales relevant to decision making.”

“Our study supplies a first systematic estimate of large methane leaks that can only be seen from space, showing how these detections relate to wider methane monitoring processes,” added Alexandre d’Aspremont of Kayrros. “This is a giant step towards overcoming the current limitations of the methane reporting system which is critical to meeting COP26 commitments to slash methane.”

The study concluded that readily available and cost-effective strategies such as enforcing leak detection and repair strategies or reducing venting during routine maintenance and repairs can significantly reduce these ultra-emitters in the near-term.
“We find that capturing the methane from these ultra-emitters provides enormous benefits via reduced climate change and improved air quality. Society would come out billions of dollars ahead by eliminating the emissions from these sources,” said Dr. Drew Shindell from Duke University. “As the captured methane is a valuable commodity, the companies or countries capturing the wasted gas also typically come out ahead.”


About Carbon Mapper

Carbon Mapper is a non-profit organization focused on facilitating timely action to mitigate greenhouse gas emissions. Its mission is to fill gaps in the emerging global ecosystem of methane and CO2 monitoring systems by delivering data at facility scale that is precise, timely, and accessible to empower science-based decision making and action. The organization is leading the development of the Carbon Mapper constellation of satellites supported by a public-private partnership composed of Planet, NASA’s Jet Propulsion Lab, the California Air Resources Board, the University of Arizona, Arizona State University, and RMI, with funding from High Tide Foundation, Bloomberg Philanthropies, The Grantham Foundation, and other philanthropic donors. Learn more at carbonmapper.org and follow us on Twitter @carbonmapper.

Creditos: Space.com

Setor de energia ainda não está alinhado com limite de 2°C, mostra TPI- Transition Pathway Initiative.

Relatório publicado no dia 9/fev ultimo pela Transition Pathway Initiative (TPI) mostra que a maioria das empresas do setor de energia (eletricidade e óleo e gás) está desalinhada com as metas de limitar o aquecimento do planeta abaixo de 2°C até o final do século.

No setor de óleo e gás, 48 – de um total de 58 analisadas – não estão alinhadas, nem com as NDCs (compromissos apresentados pelos países para cumprir o Acordo de Paris), nem com os cenários abaixo de 2°C. A Petrobras é uma delas.
Três empresas (TotalEnergies, Occidental Petroleum e Eni) estão alinhadas com o cenário 1,5ºC e apenas uma, a Galp, com 2°C.
Quatro (Shell, Repsol, Origin Energy e Ecopetrol) estão alinhadas com as NDCs — ainda assim consideradas insuficientes.

No setor elétrico os resultados são significativamente melhores do que no O&G, mas ainda há um longo caminho pela frente.
Das 76 companhias do setor elétrico analisadas, 33 têm gestões de emissões alinhadas com o cenário abaixo de 2°C até 2100, como propõe o Acordo de Paris. Enquanto 11 empresas já estão alinhadas com 1,5°C. 

A análise foi feita a partir de um benchmark desenvolvido pela TPI com caminhos de descarbonização setorial voltado para investidores. Veja a íntegra em inglês (.pdf)

479 das maiores empresas de capital aberto do mundo, com valor de mercado somando cerca de US$ 10 trilhões, são avaliadas pela ferramenta que permite aos investidores julgar se as empresas estão na direção certa para a transição para emissões líquidas zero até 2050.

  • A TPI é apoiada por investidores com mais de US$ 40 trilhões em ativos. Suas referências são usadas ​​pelo Climate Action 100+, iniciativa de investidores para garantir que os maiores emissores corporativos do mundo tomem as medidas necessárias sobre as mudanças climáticas.

O relatório cobre os setores de Eletricidade, Petróleo e Gás, Alumínio, Cimento, Mineração, Papel, Siderurgia e Transportes (Automóveis, Aviação, Navegação), e usa como base os cenários da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). 

Creditos: Diálogos da Transição-Epbr

COMISSÃO EUROPEIA APROVA PROPOSTA QUE CLASSIFICA NUCLEAR E GÁS NATURAL COMO FONTES SUSTENTÁVEIS.

A Europa está adotando um passo importante para a transição energética, pois sabe que a transição para o mundo da energia com zero emissão de carbono não se dará da noite para o dia. Até 2050, que é quando os países se comprometeram com o “net zero”, o mundo seguira necessitando destas duas fontes de energia, a nuclear e o gás natural; caso contrario não haveria mais esforço exploratório do gás natural, não haveria mais financiamentos e os preços da energia iriam escalar de forma descontrolada. A razão ganhou força, e a Europa como sabemos, é extremamente dependente destas duas fontes de energia, não poderia dar um salto no escuro, e por isso saiu na frente. Sabemos da extrema dependência da Europa do gás vindo da Russia, por isso a abertura de novas frentes de exploração será vital nos próximos 20 anos. Esperamos que o Parlamento Europeu e o Conselho dos países aprove.

Tulio Chipoletti

A Comissão Europeia aprovou na manhã de hoje a proposta de conferir um selo verde para o gás natural e a energia nuclear, classificando as duas fontes como sustentáveis. O aval foi dado pelo colegiado de comissários europeus. O próximo passo agora será a aprovação da proposta pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho, que têm um prazo de quatro meses para avaliar a sugestão.

A comissão disse que “há um papel para o investimento privado em gás e atividades nucleares na transição”. As atividades de gás e nuclear “estão alinhadas com os objetivos climáticos e ambientais da União Europeia”, afirmou a entidade. Isso, segundo a comissão, ajudará a afastar o consumo de fontes mais poluentes.

Nossa missão e obrigação é a neutralidade climática. Precisamos agir agora se quisermos cumprir nossas metas para 2030 e 2050”, disse o vice-presidente executivo Valdis Dombrovskis (foto) da Comissão Europeia. A lei pretende proporcionar uma “transição justa, como ponte para um sistema de energia verde baseado em fontes de energia renováveis. Isso acelerará o investimento privado de que precisamos, especialmente nesta década”.

A Comissária de Serviços Financeiros Mairead McGuinness destacou o papel de maior clareza. “Estamos aumentando a transparência do mercado para que os investidores possam identificar facilmente as atividades de gás e nuclear em qualquer decisão de investimento”, disse. O grupo projeta que o gás fornecerá 22% de seu consumo de energia em 2030 e 9% em 2050.

O Conselho tem o direito de se opor aos planos por maioria qualificada. Ou seja, precisará de pelo menos 20 estados membros. O Parlamento exigiria uma maioria de seus membros, pelo menos 353 deputados. Se esses dois órgãos aprovarem, o ato entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2023.

Fonte: Petronotícias

No mercado de trabalho, a transição energética, pode resultar em um ganho de cerca de 200 milhões e uma perda de cerca de 185 milhões de empregos diretos e indiretos globalmente até 2050, diz a consultoria McKinsey. 

No mercado de trabalho, a transição pode resultar em um ganho de cerca de 200 milhões de empregos e uma perda de cerca de 185 milhões de empregos diretos e indiretos globalmente até 2050. 

Isso inclui a demanda por empregos nas operações e na construção de novos empreendimentos. 

A McKinsey estima uma redução de nove milhões na demanda por empregos nos setores de extração e produção de combustíveis fósseis, e de quatro milhões na geração de energia a partir de fósseis, como carvão.

Em contrapartida, cerca de oito milhões de empregos diretos seriam criados em energia renovável, hidrogênio e biocombustíveis até 2050. 

Expostos ao risco. À medida que os ativos de alta emissão são reduzidos e os de baixa emissão aumentam na transição, os riscos incluem avanço dos preços e volatilidade do fornecimento de energia, e deterioração dos ativos.

“Embora a transição crie oportunidades, setores com produtos ou operações de alta emissão – que geram cerca de 20% do PIB global – enfrentariam efeitos substanciais na demanda, custos de produção e emprego”, diz o relatório da McKinsey. 

No cenário Net Zero 2050, a produção de carvão para uso de energia seria praticamente eliminada em 2050, e os volumes de produção de petróleo e gás seriam cerca de 55% e 70% menores, respectivamente, do que hoje. 

Essas mudanças, no entanto, teriam impactos sobre os custos de produção em setores como aço e cimento, que enfrentariam aumentos até 2050 de cerca de 30% e 45%, respectivamente.

O alerta também vale para os países mais pobres e os altamente dependentes de combustíveis fósseis.

“Esses países são mais suscetíveis a mudanças na produção, estoque de capital e emprego porque os setores expostos constituem partes relativamente grandes de suas economias”. 

O relatório calcula que países da África Subsaariana e a Índia, entre outros mais expostos ao risco, precisam investir hoje 1,5 vezes ou mais do que as economias avançadas, como parcela do PIB, para apoiar o desenvolvimento econômico e construir infraestrutura de baixo carbono

Daí a corrida desses setores para encontrar alternativas de baixo carbono. O que, segundo a análise, pode ser mais econômico.

Por exemplo, melhorar a eficiência energética dos sistemas de aquecimento em usinas siderúrgicas reduz as emissões e os custos operacionais

“Mesmo quando a descarbonização aumenta os custos operacionais, as empresas podem se beneficiar desse passo – por exemplo, se os consumidores estiverem dispostos a pagar mais por produtos de baixo carbono ou se as empresas estiverem sujeitas a mandatos de precificação de carbono”.

Créditos: Diálogos da Transição Epbr/McKinsey

O mapa da energia na Europa pode mudar com o agravamento da crise da Ucrânia, entre a Russia e União Europeia e Estados Unidos.

A Europa nunca esteve tão vulnerável, em termos de energia, por depender 40% das importações de gás natural proveniente da Russia, que em caso de conflito serão fechadas estas rotas do dia para a noite. Os preços do gas natural disparam, pois a Europa está no inverno e vai depender de importações de LNG vindas dos Estados Unidos ou outros países produtores como o Quatar. O preço do barril do petróleo Brent, está em 90 US$/barril.

Vladimir Putin and Gazprom CEO Alexei Miller- Foto: Sputinik/Reuters/Scanpix

Russia’s dispute with the US and Nato over Ukraine is prompting talks and preparations aimed at reducing Europe’s reliance on Russian energy supplies.

Sabre-rattling by Russia on the Ukraine border has led to military preparations in the West and sent the cost of Brent crude to nearly $90 per barrel.

Gas prices have already hit record levels in Europe this winter, partly due to a downturn in supplies from Russian state gas monopoly Gazprom.

With Ukraine being a key energy pipeline hub, some argue Europe is facing the worst energy crisis since the Arab oil embargoes of the 1970s.

There are fears that military turmoil in the Ukraine could cause Russia to turn off gas supplies, potentially causing power blackouts and heating loss in Europe.

The Kremlin cut gas exports from Russia into the Ukraine in a series of disputes between 2005 and 2009 allegedly over payment issues, but the moves were also seen as political.

After seizing Crimea from Ukraine in 2014, Russia has made clear it regards Kiev’s increasingly close political and economic relationship with the West as a threat.

Nord Stream 2 warnings

In return, Nato and the West are mobilising ships and military equipment while warning that permissions around the planned Nord Stream 2 gas transport system under the Baltic from Russia to Europe should be withheld.

The US is also under pressure at home to beef up sanctions against Russia and President Vladimir Putin, and to further target oil and gas executives who have close connections with him.

Pursuing alternatives

Russia produced nearly 10 million barrels a day of crude in the final quarter of 2021 – much of which ended up in European refineries.

Poland has recently brought in Saudi Arabia to provide more crude to the eastern European country and invest in its domestic refineries in a bid to reduce reliance on Russia.

Poland and Russia have also recently been in dispute over the price of gas.

The European Union in normal times receives 40% of its gas from Siberia and is feeling increasingly compromised over how to deal with Putin’s threats.

French President Emmanuel Macron, has caused concerns inside the US and the Nato military alliance by saying the EU should forge its own response to Russia.

Overtures to Qatar

Meanwhile, the US has contacted energy-rich Qatar to request help with providing more gas to Europe in the event of a Russian invasion of Ukraine.

Most Qatari gas currently goes by ship as liquefied natural gas to Asia, with European supplies limited after a row between Doha and Brussels around past fixed contracts.

Europe’s need to dilute its dependence on Russian gas may encourage a more positive dialogue with Qatar and bring back stalled investment.

Some argue that Russia’s ability to use gas as a weapon in Europe to pursue political or economic goals is another reason why countries should fast track home-grown renewables such as wind power.

Meanwhile, Gazprom has started to look to China as a more interesting future export market as Europe becomes increasingly complicated.

Putin’s winter manoeuvres may have already changed the global energy map in ways the Kremlin might not have anticipated.

Fonte o artigo do site Upstream, Opinion.